Bela e a Fera, A

[rating:3.5]

“A Bela e a Fera” (Beauty and the Beast, EUA, 1991) é um filme considerado marco fundamental na evolução dos desenhos animados da Disney, por diversas razões. A mais importante delas diz respeito a premiações. O filme, de 1991, foi o primeiro longa-metragem animado da história a conseguir um lugar entre os cinco concorrentes ao Oscar de melhor filme (perdeu para “O Silêncio dos Inocentes”). No Globo de Ouro, prévia mais importante do prêmio, o filme faturou o troféu de melhor comédia/musical do ano anterior. Os prêmios ajudaram a obra a ser a primeira animação a ultrapassar a barreira dos US$ 100 milhões nas bilheterias.

Por isso, dentro da Disney, o título é considerado o verdadeiro responsável pelo renascimento da cena de desenhos animados infantis experimentada pela indústria cinematográfica na década de 1990, posto que a platéia imagina pertencer a “O Rei Leão”. De fato, é verdade que a aventura africana ultrapassou “A Bela e a Fera”, três anos depois, em muitos quesitos, incluindo a qualidade geral da direção de arte e a criatividade do enredo. Mesmo assim, “A Bela e a Fera” continua um filme digno de respeito, uma espécie de canto do cisne do estilo mais tradicionais de animações da Disney.

A história tem a inspiração e a ambientação de um conto de fadas europeu. Fala sobre o encontro de dois que fisicamente não poderiam ser mais diferentes. Bela é uma garota linda, que vive numa pequena aldeia junto a uma floresta. Ela é cortejada pelo bonitão da vila, Gastão, mas recusa os contatos do rapaz e vive isolada, porque gosta de livros e poesia, coisas que os demais habitantes do lugar consideram fúteis. Depois que o pai é aprisionado por um monstro que vive em um castelo nos confins da floresta, ela se oferece para ocupar o lugar do velho, um inventor, e vira prisioneira.

Aos poucos, de maneira bem inesperada, começa a nascer uma amizade entre os dois – uma amizade presenciada pelos demais habitantes do castelo, objetos encantados como relógios e xícaras que possuem vida. Bela e a Fera descobrem que têm muita coisa em comum, algo ressaltado brilhantemente pela direção de arte do filme, que transforma ambos nos únicos personagens do longa-metragem que vestem roupas azuis. A estratégia sublinha sutilmente o que a narrativa sugere: que eles foram feitos um para o outro, por mais diferentes que suas aparências possam parecer, e o que o amor supera todas as diferenças.

O desenho animado segue a fórmula clássica da Disney, que intercala a ação dramática com generosos números musicais (incluindo canções completas e coreografias bem-humoradas), personagens secundários que são animais ou objetos inanimados dotados de características humanas (e engraçadinhos), tudo amarrado por uma lição de moral que valoriza a idéia de família. Talvez não seja mais o tipo de animação que as crianças do século XXI gostam de ver, pois funciona com um senso de ingenuidade de modo muito diferente dos lançamentos produzidos digitalmente (leia-se Pixar, PDI e Blue Sky), bem mais cínicos e de humor mais adulto. Ainda assim conseguem encantar, sobretudo as crianças menores.

A produção do filme deu muito trabalho. Foram três anos e meio de suor de 600 técnicos e animadores, que fizeram mais de um milhão de desenhos individuais para o filme. A produção marcou também a primeira utilização de computação gráfica em um filme da Disney; os computadores foram utilizados para auxiliar na criação dos cenários de fundo, embora a animação dos personagens tenha sido 100% criada à mão. Essa diferença de técnica inclusive pode ser percebida por quem observar o filme com atenção, já que os estilos de desenho de cenários e personagens são muito diferentes.

Em 2001, durante os festejos de comemoração dos 10 anos de lançamento, o filme foi submetido a um processo rigoroso de restauração, ganhando inclusive uma cena inédita – uma seqüência musical chamada “Humano Outra Vez”. Essa versão turbinada foi escolhida para aparecer no primeiro lançamento do filme em formato digital, feita em outubro de 2002. Uma segunda restauração foi realizada em 2011, de forma a possibilitar um relançamento nos cinemas de 3D Digital.

A edição especial em DVD da Disney, de 2005, é dupla. O disco 1 é dedicado ao filme. A imagem é cristalina (wide 1.85:1), e o som, muito bom (Dolby Digital 5.1, tanto no original em inglês quanto na trilha dublada em português). O disco 2 é dedicado aos extras, e inclui um documentário, dois vídeos musicais e jogo interativo. Todo esse material aparece ampliado na Edição Diamante, de 2010. Um ano depois, a versão em 3D também foi lançada em home video.

– A Bela e a Fera (Beauty and the Beast, EUA, 1991)
Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise
Animação
Duração: 91 minutos

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5 comentários em “Bela e a Fera, A

  1. Rodrigo,

    Há uns quatro anos postei um comentário bem ríspido aqui no seu site a respeito de suas críticas. Fui bem grosseiro ao apontar que seus textos possuiam muito spoiler, o que rendeu uma resposta sua um pouco desapontada com a minha tamanha falta de educação. Certamente você não lembra, mas eu nunca esqueci. Me arrependi e, por isso, te peço desculpas, embora os textos pouco tenham mudado.

    Acontece que eu não tinha o direito de fazer um comentário daquela forma. Poderia sim criticá-lo, mas de maneira mais ponderada. Fui infantil, acredito. Os tempos mudaram e aprendi a gostar e MUITO de suas críticas, porém, só leio depois que vi o filme – hehehe. Faço isso porque não gosto de saber alguns pontos antes de ter visto a obra. Contudo, confesso que ao menos leio o ‘sutiã’ do texto para saber um pouco do que você achou do filme.

    Para não perder a mania, volto a criticá-lo, mas não pelo spoiler, mas por aparecer muito pouco no site. É uma pena. Nós, leitores e cinéfilos, perdemos muito com isso. Há muitos filmes no cinema e em DVD que mereciam um texto seu. Enfim. É isso e continue nos surpreendendo com seus ótimos textos sobre cinema. Forte abraço.

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  2. Pôxa, Tiago, fiquei feliz com seu comentário. Eu realmente não lembro do episódio anterior (são tantos os leitores que discordam…), mas não vou esquecer desse, porque não lembro de outra pessoa ter reclamado e depois voltado com outra opinião. Nunca aconteceu aqui no Cine Repórter.

    E, sinceramente, aqui e acolá eu com certeza posso ter passado da conta no que toca a revelar certos aspectos da trama. Sempre tento nunca ir além do que está no primeiro ato (e que é basicamente o que os trailers oficiais mostram), mas pode acontecer, claro. Todo mundo erra, eu também – normalmente, mais que a média, hahaha.

    Desde janeiro tenho tentado escrever mais vezes. É difícil, tendo tantas outras atribuições (muitas delas relacionadas ao cinema, e já ouvi meu pai dizer – com razão – que nunca é saudável ter um hobby parecido com seu trabalho, porque em certo ponto da trajetória os dois se confundem), mas eu quero tentar ser mais assíduo em 2012. E comentários como esse seu ajudam nisso, com certeza.

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