Pânico 4

[rating: 3.5]

“Pânico 4” (Scream 4, EUA, 2011) é o típico filme difícil de realizar e fácil de atirar pedras. A dificuldade vem do fato de que os três filmes anteriores da franquia elevaram para um patamar proibitivo os salários dos atores que interpretam os principais personagens – e fazer o filme sem a presença deles seria garantia de fracasso financeiro. A facilidade, por sua vez, tem origem num velho clichê da crítica de cinema: seqüências são sempre inferiores ao original, o que significa que para muita gente boa o longa-metragem já é ruim antes mesmo de ser visto. Tente abstrair esses dois preconceitos, contudo, e encontrará uma divertida sessão de horror à moda antiga, escrita por um roteirista que sabe escrever e dirigida por um diretor que conhece conceitos básicos como ritmo e enquadramento.

Como se pode notar, então, o grande charme de “Pânico 4” é o reencontro do veterano cineasta Wes Craven com o escritor Kevin Williamson. Para quem não acompanhou a produção do primeiro “Pânico”, vale a pena relembrar que o projeto da comédia de horror que satirizava os clichês do slasher movie (filão do gênero dedicado a mostrar crimes cometidos por psicopatas), a partir de doses generosas de metalinguagem, é do segundo. Craven andava meio em baixa das cotações de Hollywood, em meados de 1990, e viu no trabalho a oportunidade de se reinventar. Deu certo, mas as duas primeiras seqüências não viram de novo a dupla trabalhando junta, e esse fato certamente contribuiu para que os dois filmes seguintes acabassem mergulhando na coleção de clichês que o primeiro filme satirizava.

Para “Pânico 4”, os dois tinham pelo menos dois grandes desafios. O primeiro: resgatar os três personagens sobreviventes do filme original (para atrair os espectadores mais velhos) e, ao mesmo tempo, escalar um elenco jovem, capaz de satisfazer à geração mais nova de que aquela franquia ainda valia a pena. O segundo desafio, claro, consistia em renovar a fórmula original – denunciar os clichês do gênero, ao mesmo tempo que os utiliza – sem simplesmente repeti-la e também sem se afastar demais dela. Craven e Williamson conseguem alcançar ambos os objetivos, ainda que com algumas derrapagens menores pelo caminho, e é isso que faz de “Pânico 4” uma das boas surpresas do ano, e um dos melhores exemplares do cinema de horror em 2011.

O enredo focaliza o retorno da protagonista Sidney (Neve Campbell) à cidade de Woodsboro, para lançar um livro sobre o primeiro massacre. Quando ela chega lá, outro assassino mascarado começa a matar, em crimes investigados por Dewey (David Arquette) e Gale (Courteney Cox). Williamson usa, contudo, o truque de sobrepor à ação dos três “tios” do elenco toda uma miríade de personagens jovens, novatos na série, que servem de carne para o novo assassino, além de manter o interesse da parcela mais jovem do público. Embora tudo isso resulte numa grande gama de personagens, e na conseqüente dificuldade de acompanhar todos os lances e viradas do roteiro, a estratégia funciona muito bem. A longa seqüência de abertura (o filme-dentro-do-filme-dentro-do-filme-etc-etc-etc) confirma o roteiro afiado, e ainda providencia comentários cortantes sobre novos filões do cinema de horror, com críticas ao torture porn.

Essas críticas são reforçadas pela decupagem clássica de Craven, pela montagem firme e pelos efeitos especiais à moda antiga, com muito sangue falso e tripas, gerando um efeito visual levemente caricatural, muito distante do suposto realismo alcançado por obras como “O Albergue”, e extremamente bem-vindo. Claro que “Pânico 4” está longe de ser perfeito, como comprova o tenebroso monólogo final do assassino da vez, mas confirma que tanto Wes Craven quanto Kevin Williamson trabalham num nível claramente acima dos realizadores contemporâneos de horror.

– Pânico 4 (Scream 4, EUA, 2011)
Direção: Wes Craven
Elenco: Neve Campbell, David Arquette, Courteney Cox, Emma Roberts
Duração: 111 minutos

12 comentários em “Pânico 4

  1. Eu como fã desses filmes, fiquei muito feliz com essa continuação e sobre-vida à franquia! Por enquanto, aguardo agora a chegada dele em DVD e Blu-Ray para completar minha coleção. P4NICO vale muito à pena! Tanto para novos quanto (principalmente) para antigos fãs!!!!!

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  2. Grande crítica Rodrigo. Só um crítico sério como você para entender a verdadeira proposta de Williamson e Craven. O uso da metalinguagem está tão apurado quanto no primeiro filme. Os cineastas tem plena consciência de que a sátira dos clichês virou um próprio clichê. É fácil criticar a obra apontando os seus supostamente óbvios defeitos sem se aprofundar neles para encontrar seu verdadeiro significado. Deu a impressão que, sutilmente, Craven e Williamson satirizam a própria crítica cinematográfica, que se encontra em tal baixo nível atualmente.

    Abraço!

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  3. Rodrigo, considero “Pânico 4” a melhor produção do ano até o momento. O filme original marcou minha infância e foi importante na minha formação como cinéfilo. Rever esses adoráveis personagens dez anos depois me rendeu a sessão mais nostálgica numa sala de cinema. Mas não aprecio apenas o filme por razões pessoais. No geral, é uma fita de horror que falta nos dias de hoje, conseguindo se situar e aproveitar todas as características desta geração jovem – até entranhei o “monólogo tenebroso” no último parágrafo, as motivações do Ghostface da vez foram as melhores já apresentadas em qualquer episódio da franquia.

    Um abraço!

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  4. Concordo em gênero, número e grau com Alex Gonçalves. Disse tudo que eu queria dizer mas tava com preguiça de escrever. =D
    Filmaço essa quarta parte! Já marcou minha vida e me divertiu MUITO. (vi 3 vezes em uma semana no cinema!)

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  5. Me parece que o Wes Craven só se sai bem quando faz um Pânico ou A Hora do Pesadelo (os melhores filmes de Freddy Krueger foram o 1 e o 7). Enfim, Pânico 4 é a melhor das sequências da série, o humor é delicioso e as mortes bem elaboradas. Admito que gostei muito do caminho enveredado na conclusão. A frase “don’t fuck with the original” deveria estampar camisetas!

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  6. não gostei dessa continuação ridícula! tá parecendo mais ” todo mundo em pânico”, exageram muito na comédia, pra mim os três primeiros foram muito bons ,e o terceiro é o melhor de todos, porque o passado da mãe de Sidney foi revelado e por fim a verdadeira pessoa que estava por trás de todos os assassinatos anteriores.quem imaginaria que ela tinha um irmão? e era ele quem a atormentava todos aqueles anos? foi um final de muitas revelações! ai inventaram de fazer um quarto filme, comédia pura, lógico que todos os outros anteriores tinham uma ponta cômica # fato! mais priorizar essas cenas deixou o 4º filme ” só para rir” mesmo… e a revelação do assassino no final, foi tão descabida, que por favor! uma pessoa matar quase o elenco todo do filme porque tinha inveja da prima? sinceramente muito sem noção, se comparado com o final dos antecessores esse além de não surpreender não convenceu, não a mim. e no final ” a Sidney parece a” mulher maravilha”, como é que a pessoa leva uma facada, está em estado grave sem forças pra nada e em 3 minutos depois já está lutando contra o assassino?? isso não existe! o filme também pecou nesse aspecto, que pra mim filmes desse tipo devem fazer de tudo para parecer como se fosse na vida ” real”, a trilogia foi ótima, os antecessores além de fazer criticas á outros filmes, tinham outro assunto em pauta ” a vida de Sidney” que era exposta e foi revelada no decorrer do 2 e no 3. mas o 4 não tem conteúdo, foi um filme que exageraram na comédia, no sangue ..e haja sangue, essa 4° edição é a mais sanguinária de todas, cenas curtas nas perseguições, enfim. não gostei! pra mim Panico termina no 3 mesmo!

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  7. Para atualizar o conceito, revi Pânico há pouquíssimo tempo. Bem, e a conclusão que tirei foi um tanto surpreendente: achei Pânico 4 bem melhor que o primeiro.

    Ao meu ver, o primeiro se leva a sério demais. A proposta da série é justamente brincar com o gênero, mas acho que Pânico passou um pouquinho dos limites ao tentar ser assustador, sombrio, macabro, etc.. – essas características mais comuns no gênero. Já o 4 é o que mais se aproxima da prioridade da saga, pois brinca como nunca, e é a partir da brincadeira que os sustos e as surpresas vêm – aquela cena do closet, por exemplo, é mais assustadora que qualquer outra existente no primeiro filme.

    Abs!

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  8. I can see where Joel Schumacher got the idea of casting Gerard Butler as The Phantom wlhsit watching Dracula.Dracula and The Phantom are both mesmerizing and powerful characters and Gerard just stole the screen in his usual commanding way and although i would have preferred the traditional Dracula Story, i did like the judas connection and some of the striking shots.And I agree, Gerard is the sexiest Dracula ever.Love Rose

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