Origem, A

[rating: 4]

Você sabe o que é hype? Se não, continue lendo. Se sim, vale a pena refrescar a memória. Hype é o termo em inglês que designa algum assunto sobre o qual todo mundo anda falando em certo momento. Um exemplo: o maior hype de 2010, no cinema, foi criado em torno de “A Origem” (Inception, EUA, 2010). Como praticamente todo filme que se torna objeto de hype, a mistura de aventura, sci-fi, thriller e drama romântico assinada por Christopher Nolan carrega consigo virtudes e defeitos do tal fenômeno midiático. Pelo lado bom, atrai aos cinemas gente que normalmente passaria longe de obras que oferecem entretenimento com cérebro. Pelo ruim, causa rejeição automática e má vontade em pessoas que normalmente enxergariam as qualidades criativas de um filme que, longe de ser obra-prima, diverte e faz pensar, combinação anda cada vez mais rara numa Hollywood quase totalmente dominada por corporações industriais. “A Origem” é tão inteligente quanto um filme de US$ 160 milhões pode ser – e essa sentença, propositalmente, deve ser compreendida tanto quanto elogio quanto como crítica.

Uma das piores coisas de um hype da magnitude do experimentado por “A Origem” é que esse fenômeno leva as pessoas a adotarem posicionamentos extremos. Quem gostou começa a usar com freqüência cada vez maior clichês surrados do tipo “melhor filme do ano”, “da década” ou “do século” (os fãs do começaram uma campanha para dar nota 10 em massa à película no IMDb, colocando-a no terceiro posto da tradicional lista dos melhores filmes de todos os tempos do banco de dados). Quem não gostou aumenta os defeitos e atribui o sucesso aos efeitos tardios de um hype anterior, vivido pelo mesmo diretor no rastro da morte do ator Heath Ledger, com “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2008). Vale lembrar que a trajetória desse título nas votações do fórum do IMDb repetiu o mesmíssimo terceiro lugar.

Todo esse fenômeno precisa ser avaliado com cuidado pelos críticos. A atividade, afinal, exige certo distanciamento. Sabemos que a subjetividade é inevitável, e que ninguém é imune aos fenômenos midiáticos, mas eles podem – e devem – ser tratados com tal. É por isso que, diante do quebra-cabeça cuidadosamente orquestrado pela caneta hábil de Nolan (que também assina o roteiro e a produção do filme), é importante se perguntar constantemente, ao longo dos 148 minutos de projeção: quanto da experiência emocional e narrativa que que experimentamos é influenciada, direta ou indiretamente, por tudo aquilo que já lemos ou ouvimos sobre ele?

Isso posto, vamos ao filme. Para começo de conversa, um dos argumentos mais repetidos (tanto por quem gostou da obra quanto por quem a detestou) é de que “A Origem” teria um enredo complicado. Promotores do filme exaltam sua narrativa em camadas, enquanto detratores avaliam que a narrativa se esvai em complexidades inúteis ou se torna simplesmente confusa. Ambos partem do mesmo fenômeno para chegar a diagnósticos opostos. Perdem de vista o cuidado extremo com que Christopher Nolan trata a lógica peculiar que rege o cotidiano dos invasores de sonhos, categoria profissional à qual pertencem praticamente todos os personagens importantes.

Basta analisar o roteiro com atenção para perceber esse cuidado, tão extremo que se torna mesmo um defeito, pois emperra a fluidez narrativa. A rigor, toda a primeira hora de projeção está repleta de diálogos que explicam detalhadamente ao espectador a lógica interna que rege a atividade profissional, dos dilemas éticos às impossibilidades físico-químicas, dos efeitos colaterais às seqüelas psicológicas. Especial atenção é dada à maneira como o tempo e o espaço se comportam dentro dos sonhos (e nos sonhos dentro dos sonhos, e assim por diante). Nolan chegou mesmo a incluir no enredo um personagem que representa o espectador dentro da trama.

Esse personagem é Ariadne (Ellen Page, em atuação entre o mediano e o inexpressivo), a arquiteta novata e talentosa que vai sendo apresentada (ao mesmo tempo em que nós, na platéia) àquele universo extravagante pelos colegas veteranos. A todo momento, os personagens interrompem diálogos ou ações físicas para explicar a ela (e por conseguinte, a nós) detalhes a respeito da elaborada lógica interna que rege a atividade dos invasores de sonhos. O nome da personagem não é mera coincidência – na mitologia grega, Ariadne torna-se esposa do deus Dionísio como conseqüência direta do ato de adormecer, além de ser a mulher que guia Teseu para fora do labirinto do Minotauro.

No filme, ela é a única novata do time de seis invasores de sonhos liderado por Cobb (Leonardo DiCaprio). Este último foi contratado por um milionário japonês (Ken Watanabe) para realizar uma tarefa considerada impossível: ao contrário de extrair um segredo da mente de uma vítima, tarefa comumente realizada pelos invasores de sonhos, o executivo asiático deseja implantar uma idéia na cabeça do filho (Cillian Murphy) de um adversário. O elenco estrelado ainda inclui atores premiados com o Oscar (a francesa Marion Cotillard, o inglês Michael Caine), candidatos a astros (Joseph Gordon-Levitt) e veteranos de habilidade comprovada (Pete Postlethwaite).

Seguindo uma tradição cada vez mais abundante no cinema contemporâneo, “A Origem” se esmera em citações e alusões tanto visuais quanto narrativas (observe, por exemplo, a simetria dos móveis e a paleta de cores do aposento onde pai e filho se encontram no epílogo do filme, e tente não se lembrar da quarta parte do clássico “2001 – Uma Odisséia no Espaço”) e aborda um tema clássico, já explorado por dezenas de cineastas e teóricos do audiovisual: os paralelos entre o mundo dos sonhos e a narrativa cinematográfica. Da mesma forma, Christopher Nolan resgata uma variação pós-moderna desse mesmo tema (o apagamento contínuo das fronteiras entre realidade e ficção), usando as melhores técnicas de efeitos especiais disponíveis. A seqüência em que Cobb explica a lógica do mundo dos sonhos a Ariadne (e aos espectadores), num bistrô em Paris, é um dos melhores momentos do filme, e um eficiente encontro de entretenimento, raciocínio e emoção.

Nolan não explora esse tema com a intensidade ou a sofisticação de um David Cronenberg (“Existenz” ou “Spider”). Os sonhos concebidos por ele pouco têm da qualidade onírica dos verdadeiros sonhos, assemelhando-se muito mais a estágios de um jogo eletrônico (em cada nível, os personagens precisam atingir um objetivo específico) em que a ação é mais física do que emocional. Por outro lado, a clareza narrativa com que o diretor organiza tantas ações paralelas e personagens é admirável, resultando em um terceiro ato que é pura engenharia cinematográfica, uma tour-de-force de montagem. Nolan tem o mérito de criar diversão de qualidade com bom potencial para reflexão – e isso nunca é ruim.

Claro, “A Origem” não chega perto do status de obra-prima. A música onipresente, clichê e intrusiva de Hans Zimmer já desqualificaria o filme para tanto, menos pela construção melódica (com arranjos inspirados em canção de Edith Piaf, que exerce papel importante na trama) e mais pelo exagero no uso, já que ela praticamente não pára durante todo o filme. Isso banaliza o trabalho da equipe de efeitos sonoros, praticamente impossibilitando-a de utilizar os ruídos como fonte de experiências sensoriais (algo que o próprio Nolan já havia feito de forma criativa em “Insônia”, de 2002). Nos diálogos, a combinação de close-ups extremos de rostos com o uso de lentes teleobjetivas, que comprimem espaços, geram uma sensação de falta de ar e transformam freqüentemente os segundos planos em imagens abstratas, ajudando a dar tensão e ritmo à narrativa; mas os planos gerais não têm o senso apurado de composição visual de um Michael Mann, cuja técnica é semelhante e mais sofisticada. De qualquer forma, a obsessão de Nolan com o tema do duplo, expressa muitas vezes em imagens envolvendo espelhos, marca presença aqui. Preste atenção nelas, pois são importantes.

Ademais, ainda que “A Origem” exija que a platéia acompanhe o desenrolar dos acontecimentos com atenção redobrada, a narrativa em camadas não chega a ser nem complexa e nem confusa. Com atenção, é perfeitamente possível acompanhar toda a trama sem se perder, ainda que a importância dos pequenos detalhes (uma marca estilística de Nolan) só possa ser percebida totalmente numa revisão. As reações de promotores e detratores, na verdade, são sintomas do quão inerte e insípida anda a criatividade dos roteiros que pululam nas grandes produções norte-americanas atuais. E isso, no que toca a “A Origem”, é um elogio.

O DVD da Warner traz o filme com boa qualidade de imagem (widescreen anamórfica) e áudio (Dolby Digital 5.1).

– A Origem (Inception, EUA, 2010)
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Marion Cotillard, Ellen Page, Cillian Murphy
Duração: 148 minutos

70 comentários em “Origem, A

  1. Ótimo, perfeito. Agora vou assistir ao filme bem mais “preparado”. Mas, dando um giro de 360º no assunto, será que você poderia me dizer Rodrigo, por onde andam os lançamentos de filmes de terror no cinema este ano?? Proibiram os produtores de lançar novos filmes de terror/suspense?? Porque faz mêses que espero algo a lá Arraste-me para o Inferno ou Contatos de 4º grau, mas nada é lançado. Existe explicação pra isso?? Desculpa desde já pela mudança de assunto e obrigado!

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  2. Finalmente uma crítica dotada de bom senso e desprovida de arroubos sentimentais no q tange à apreciação do filme. Mais uma vez,parabéns,Rodrigo…sempre com críticas bem construídas e sóbrias.

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  3. Pra mim caras como Nolan e Tarantino salvam o ano, é incrivel como alguns críticos em um momento de pura soberba comparam este filme com um filme qualquer de ação… ora ‘A Origem’ pode não ser o filme do século, da década, do ano, isso é coisa pra mídia fazer, afinal os filmes precisam ser pagos e todas aquelas imagens fantásticas precisam de muuuito dinheiro para serem feitas, mas certamente merece ser visto e revisto.

    Este filme nos estimula a pensar, nós joga ídeias, e hoje em dia está até difícil ver um filme que da vontade de rever, um filme que se fecha com chave de ouro… quanto mais plantar ídeias…

    Parabéns pela crítica.

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  4. Rodrigo, como sempre, você muito lúcido em suas opiniões. Teu texto tá maravilhoso. Eu concordo que muito do hype em torno do filme acaba influenciando a forma como a gente o enxgera. Mas, eu acho que “A Origem” é um filme brilhante, pela maneira como Nolan arquitetou essa história – em que os elementos visuais são mais – ou tão – importantes quanto os elementos textuais. A história em si do filme não é complicada. Mas, eu gostei muito da forma como ele trabalhou esta questão dos sonhos em paralelo com a realidade e este é um paralelo que a gente pode fazer também com a indústria cinematográfica, como você bem notou.

    Há que se tirar o chapeu para o Christopher Nolan porque ele fez uma obra que é corajosa e extremamente autoral. E isto é tão raro na Hollywood de hoje. Guardadas as devidas proporções, é claro, diria que “Inception”, neste sentido, é o “Avatar” de 2010. Pela coragem, pelo caráter de autor, pela vontade de levar a linguagem cinemaotgráfica a um patamar acima.. E eu, como cinéfila, valorizo isso.

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  5. O paralelo é pertinente, Kamila. Enquanto via o filme eu pensei muito em “Matrix” (por causa das roupas, das cenas de ação e sobretudo das longas cenas em que um personagem explica a outro as regras que regem aquela espécie de realidade paralela), mas tudo isso também vale para “Avatar”. Eu não acho que esse filme seja o melhor de Nolan (preciso rever “O Grande Truque”, aliás), mas é tão inteligente quanto um filme de US$ 160 milhões pode ser.

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  6. Realmente, “A Origem” tem MUITO a ver com “Matrix”, até mesmo nesta colagem de conteúdos. Eu gosto pra caramba de “Amnésia”, de “O grande Truque”, mas “A Origem” , para mim, fica como a melhor obra dirigida pelo Nolan.

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  7. Nolan cada vez mais cravando seu nome na historia do cinema, filmografia impecavel ate agora… pra mostrar q eh possivel fazer filme de qualidade com muito dinheiro e sendo blockbuster.
    Uma pena q caras como ele e Tarantino so terao seus talentos reconhcidos daqui a muito tempo (principalmente pela critica especializada) e muita gente q acha q filme bom só eh europeu, asiatico e outros desses tipos (onde a maioria sao muito chatos isso sim) vao dizer de repente q sempre gostaram dos caras.

    Os EUA continuam fazendo o q ha de melhor e o q há de pior no cinema 🙂

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  8. Thiago, tenho que discordar de um aspecto desse seu comentário. Tarantino vem sendo reconhecido há quase duas décadas como um dos principais autores do cinema contemporâneo. Há centenas de livros e estudos acadêmicos sobre a obra dele, inclusive no Brasil. Ele é reconhecido e respeitado por praticamente toda a crítica internacional, com exceções apenas pontuais (e mesmo quem não gosta dele admite isso).

    Christopher Nolan ainda precisa comer feijão para chegar lá, mas está no caminho certo. Recentemente o David Bordwell – um dos mais influentes teóricos de cinema da atualidade – publicou um post longuíssimo em seu blog analisando “A Origem” em minúcias acadêmicas, algo que ele já tinha feito com “O Grande Truque” em seu livro mais famoso, “Film Art”.

    O que não se pode exigir é unaminidade total e irrestrita em torno de ninguém. Toda unanimidade é burra, como dizia Nelson Rodrigues, com toda razão.

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  9. Vi ontem o filme. Sem prejuízo de uma segunda conferida, saí do cinema com a sensação de que o alarde e a produção são maiores do que o produto final apresentado. Essas superproduções me parecem uma armadilha. Mesmo um cara talentoso como o Nolan corre o risco de se perder em meio à grandiosidade da narrativa que pretende tecer. Embora a ideia de fundo seja bem instigante, os sonhos construídos parecem, apesar de todo o aparato, meio rasos. Sem falar que, ante a proximidade cronológica com “Ilha do Medo”, passei o filme todo me lembrando da semelhança entre as circunstâncias do personagem do Leo di Capprio neste último filme e em “A Origem”. Sensação meio de “dèja vu”. Mas acho que o cara que fez “Amnésia” e “Batman begins” é um nome que veio para ficar no cinema mundial.

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  10. Eu não gostei do filme, queria ter gostado mais achei tão irrelevante pra mim, eu gosto de cinema mas o Nolan não faz meu gênero. Pelo menos é melhor que O grande truque e seu final ridículo.
    Os efeito são bons!

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  11. Acho que Rodrigo foi perfeito com a frase: “esse filme é tão inteligente quanto um filme de 160 milhões pode ser” Tá ai o resumo do filme, Nolan não tem como fazer um filme desse sem ser excessivamente didático, assim as plateias fugiriam do filme e ele não teria carta branca pra continuar sua escalada em Hollywood. Mas muito obrigado Nolan, por mostrar que se pode fazer blockbusters bacanas e que respeitem o telespectador, aliás, ele conseguiu a façanha de deixar um final aberto e não causar revolta na plateia, é a primeira vez que vejo, numa sala de cinema de shopping, acabar um filme com final aberto e não ouvir alguém falando (Que merdaaa!!!, perdi meu tempo, e etc.).

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  12. Acho que os comentários de Andréa e Luzonaldo captam mais ou menos meu sentimento a respeito de “A Origem”, mais até do que a crítica em si: filme muitíssimo bem realizado, muito inteligente para o gosto médio, mas sem tanto estofo quanto querem crer. É por aí.

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  13. Eh verdade Rodrigo… O Tarantino caiu de para quedas na minha analise…
    Minha critica, e ate msm revolta, n verdade se estende muito mais aos filmes em si do q aos diretores.
    Com certeza somos contemporaneos de filmes q no futuro serao tidos como “cults”, grandes obras e ate msm objetos de estudos em cursos de cinemas. Mas no momento atual sao relegados ao esquecimento e muitas vezes desprezados por ser, em grande parte, oriundos de hollywood (nao quero dizer q “A Origem” seja o caso)
    Um exemplo q posso citar eh o filme “A Estrada”… acho ele brilhante, e vejo pouca gente comentando, ate msm pessoas q estudam sobre o assunto.
    Com certeza se fazem filmes tao bons quanto antigamente, em menor quantidade mas sem dever em nada em qualidade a grandes obras consagradas. Ou todos os filmes da Nouvelle Vougue sao bons? Pq tem muito filminho chato por ali, muito bom realizados mas chatos…

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  14. Inclusive, estou ainda no 2 periodo de cinema mas posso afirmar q grande parte, senao a maioria, das pessoas q fazem o curso, tem esse pensamento retrogrado e ate preconceituoso.
    Filme Bom = Europeu, Filme ruim= Americano
    So em ver q um filme como “Entre os muros da Escola” eh tido como um dos melhores europeus do ano da pra perceber em como equivocado esta esse pensamento.

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  15. Na verdade existem dois públicos de cinema mais ou menos distintos. Tem o público médio (filme bom = EUA, filme ruim = resto do mundo), e tem os cinéfilos, que são mais ou menos o oposto disso (tudo que é feito nos EUA é automaticamente ruim pra eles). O grande desafio me parece colocar-se numa posição minimamente objetiva, que permita enxergar aquilo de bom e de ruim que se faz em cinema, independente da origem geográfica ou cultural. Além de ser naturalmente difícil, quem tenta seguir essa posição acaba desagradando os dois lado. 🙂

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  16. Sério, me lembrou muito Matrix, gostei do filme, mas nada muito assim.

    As cenas das explicações, tudo mastigadinho, as roupas tudo bem organizado, parece muito Matrix mesmo.

    Po, o mundo ‘virtual’ dos sonhos.. tudo igual 😛

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  17. Sei não,acho que é muita babação pra pouca coisa!, Pra mim o Nolan já deixou de ser surpreendente há muito tempo,desde Insônia eu não vejo muita graça em nada que ele faz,inclusive no BATMAN.A ORIGEM é mesmo igual á AVATAR:blockbuster divertido mas esquecível!

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  18. Concordo completamente com td q foi dito Rodrigo..
    O engraçado eh q muitas vezes se critica (ambos os lados) sem nem ter visto…
    Ate compreendo um parte do publico achar somente bom os filmes americanos (ai seria entrar em uma discussao bem mais ampla q leva em consideraçao a influencia cultural americana em todos os setores); o q nao consigo entender eh cinefilos achando q o q vem dos EUA eh ruim… Se vc pegar em qualuer site q tente fazer uma lista dos melhores filmes da historia a grande maioria eh americano…

    Eu, pessoalmente, continuo com a msm opiniao: os EUA sempre produziram e vao produzir o q tem de pior e melhor no cinema.
    Claro que, acima de td, o q realmente importa eh q o filme seja bom, independente de onde venha…

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  19. Discordo apenas de uma parte do q vc disse. Não acho q seja nem um pouco dificil se colocar em uma posição objetiva ao se analisar um filme. Eh uma questao de boa vontade, de humildade e ate msm de gostar de cinema.

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  20. Rodrigo RB, respondendo com atraso, você perguntou sobre “Arraste-me para o Inferno” e “Contatos de 4º Grau”. O primeiro saiu nos cinemas há mais de um ano; o segundo seguiu direto para as locadoras (na minha opinião, com justiça, porque é um filme bem ruim). Abs.

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  21. Thiago, essa pretensa “objetividade” é enganosa. O exercício do gosto nada tem de objetivo (a não ser, claro, a ilusão de que estamos sendo objetivos, quando não estamos). Mas não vou ter espaço aqui para argumentar sobre isso. Na UFPE, grande parte do conteúdo da disciplina Crítica de Cinema gira em torno dessa armadilha.

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  22. Rodrigo não sei se você costuma ler críticas dos outros, se a resposta for sim por favor dê uma olhada em: ‘saindodamatrix.com.br’
    isso vale pra quem achou o filme superficial!

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  23. Claro que leio críticas dos outros. O tempo todo, boas e ruins.

    Detalhe: não considero o texto que você sugeriu uma crítica. Pra mim, crítica é outra coisa. O texto é uma longa e detalhada interpretação psicanalítica da suposta simbologia por trás do roteiro. Por mais inteligente, sagaz e oportuna que seja (e é!). Recomendo a leitura, sim. Mas não é crítica! 🙂

    Pra dizer a verdade, ainda na sala de cinema vendo ao filme, eu já estava pensando no momento em que alguma teoria interpretativa longa e minuciosa iria aparecer na Internet. TODOS os filmes que lidam com sonhos experimentaram o mesmo fenômeno: “Cidade dos Sonhos”, “Minority Report” e “Donnie Darko” (de certa forma, “Matrix” também) são apenas alguns deles.

    Gosto desses textos; são instigantes e ajudam muita gente a mergulhar nos filmes. Mas pra mim esses textos interpretativos não fazem nenhum filme crescer ou diminuir. Um filme é o que está na tela. Tudo que aparece além dele pertence a outro universo.

    Agradeço muito pela dica e recomendo a todos. Mas mesmo assim, JP, ainda que Nolan tenha pensado nisso tudo – não duvido – o filme não deixa de ser um pouco raso. A complexidade não está na quantidade de informações em código (ou seja, que exigem esforço de decodificação para serem apreciadas). Ela surge quando as sutilezas e os paradoxos da condição humana aparecem, algo que sinceramente não percebi no filme.

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  24. Rodrigo, realmente o texto não é uma critica, errei em citá-lo desta forma, e não queria dizer que você havia achado o filme superficial quando recomendei para quem o achou. Quanto a complexidade acredito que realmente o Nolan pensou visto que um cara como ele demorar dez anos para escrever um roteiro e ainda por cima com o irmão. Para se ter uma idéia J.R.R. TOLKIEN demorou 13 anos para escrever O Senhor dos Anéis, guardando claro o abismo entre os autores e suas obras da para ver que é tempo suficiente para arquitetar algo com a complexidade examinada naquele texto.
    Com relação a sua crítica gostaria de uma explicação melhor sobre o excesso de explicações… não fica muito claro pra mim não poder explicar certas coisas para envolver o espectador, afinal Matrix citado por você possui praticamente um manual dentro do próprio filme e não deixa de ser uma obra e tanto.

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  25. Vamos lá: todo filme necessita de exposição, de forma a estabelecer as premissas básicas da ação, a curva dramática, a interação entre os personagens e suas personalidades. Essa exposição em geral acontece no primeiro ato de todo filme. Mas há consenso entre os teóricos de cinema: os melhores filmes são aqueles que (1) privilegiam a exposição não-verbal; (2) expõem de forma mínima e deixam lacunas a serem preenchidas pela platéia; (3) diluem a exposição em cenas movimentadas. “A Origem” não atende a nenhum dos três itens.

    Para mais sobre isso, tente ler algum manual de roteiro. Os dois posts escritos por David Bordwell sobre “A Origem” (http://www.davidbordwell.net/blog) são extremamente detalhados e minuciosos a esse respeito.

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  26. Filmaço! Nolan, definitivamente, é uma das melhores coisas que apareceu nos últimos anos em hollywood. Daqui pra frente merecerá sempre atenção por parte dos cinéfilos que gostam de mais do que pancadaria, efeitos especiais e comer pipoca no cinema.

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  27. O primeiro filme de Nolan que posso chamar de obra-prima. Não ter sido levado pelo hype me ajudou bastante a apreciar o filme.

    PS: mesmo discordando de alguns pontos da crítica, seus textos continuam sendo ótimas leituras, Rodrigo. Mesmo quando nossa opinião não coincide, a forma como os argumentos são apresentados na crítica é tão sólida que fica difícil não concordar.

    Abraço!

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  28. Realmente uma discussao sobre critica eh muito dificil de ser feita em um espaço como esse 🙂
    De antemao, eh claro q em qualquer critica q seja feita estao presentes criterios altamente subjetivos; eh praticamente impossivel ser totalmente objetivo. Mas, em minha opiniao, existe uma diferença abissal entre colocar opinioes baseadas, principalmente, na qualidade do filme e ao q ele se propoe, sem importar de onde ele vem e formar criticas e opinioes preconceituosas, onde muitas vezes (e ja testemunhei isso varias vezes) a pessoa nem sequer viu o filme (blockbuster=rim; drama europeu=bom)… isso eh q eh extremamente comico.
    E a bola de vez parece ser o cinema iraniano… tem gente q ja diz q eh bom por ter visto UM filme, e olhe lá, as vezes nem viu 🙂

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  29. Acho q essa triade citada nao funcionaria muito em um filme como esse…
    Para alcançar o objetivo de ser um filme inteligente (ele nao precisa ser o mais inteligente de todos) e q ao msm tempo atinga o maximo de pessoas possiveis o q foi feito deu muito bem pro galho… bem ate demais…

    O problema sao q as opinioes sao muito extremas… ou tem q ser um dos melhores filmes feitos ou eh uma porcaria… ele nao precisa ser nem um nem outro mas simplesmente um bom filme…

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  30. Entendo esse conceito, já li alguns livros incluindo Sid Field, mas, essa estrátegia usada por Nolan de colocar um personagem que não conhece do mundo para explicar o mundo é universalmente utilizada, pelo que eu entendi ele deixou as lacunas nos personagens para nos forçar a entendê-los, enquanto o ambiete cognitivo precisava de certas explicações para introduzir o espectador nele. Bem de certa forma a impressão de um filme, o que afeiçoa e o que não, é muito pessoal…
    obrigado pela atenção!

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  31. Vamos falar a verdade, o filme é sensacional, mas não é uma obra-prima, um filme que representa bem os clichês atuais e faz uma mente débia se achar o super inteligente. Não requer muito para o entendimento do mesmo. Gostei mais da crítica, do quê do filme.

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  32. Fiquei curioso…
    Quais seriam exemplos de filmes super inteligentes?
    Complicados de se entender?

    PS: tb nao acho A Origem nem um pouco dificil de se entender, eh so prestar atençao…

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  33. Então, gostei bastante do filme. Mas, como você bem citou no texto, o ambiente onírico apresentado é bem decepcionante. Eu estava esperando um universo um pouco mais bizarro do que o que foi mostrado naquele filme com a Jennifer Lopez, A Cela.

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  34. Mt bom. Esperava um longa mt complexo, quase inalcansável, mas é de trama simples e não deixa dúvidas. Christopher Nolan está se superando a cada filme. Presença certa no Oscar.

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  35. Otima crítica, Rodrigo. Bem lúcida. E, melhor ainda, foi o teu comentário sobre a tese de psicologia do texto do site Saindo do Matrix, aquilo, para mim, tem pouco ou nada a ver com cinema. Só discordo quando escreves que nas cenas de diálogo “a combinação de close-ups extremos de rostos com o uso de lentes teleobjetivas, que comprimem espaços, geram uma sensação de falta de ar e transformam freqüentemente os segundos planos em imagens abstratas, ajudando a dar tensão e ritmo à narrativa…”. Basicamente, isso tem em quase todos os filme de diretores da continuidade intensificada, teorizada pelo Bordwell. É mais estilístico do que temático.

    abraço!

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  36. Obrigado pelas observações, Breno. Quanto à questão dos close-ups, você tem razão: é estilístico e não temático. É mesmo uma ferramenta muito utilizada. Mas, veja, eu não disse que isso tinha a ver com temática. Os diretores não utilizam as opções estilísticas disponíveis da mesma maneira. A utilização que cada um dá às ferramentas escolhidas pode ser diferente e autoral. Particularmente, não acho que Nolan tenha o mesmo apuro visual que outros diretores, como o citado Mann. Por último, parafraseando o próprio Bordwell: da forma como você colocou, parece que alguns diretores se filiam à continuidade intensificada e outros não. Mas não é bem assim. Para Bordwell (e eu concordo com ele) a continuidade intensificada não é uma estética opcional, mas sim uma poética, impossível de escapar. Claro que alguns diretores usam mais as ferramentas associadas a ela, e outros menos. As gradações de ênfase são distintas. Mas todo mundo, em maior ou menor grau, recorre a essas soluções atualmente. Abraços.

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  37. Vc costuma ler o Inácio Araújo, Rodrigo ? Pois no penúltimo post de seu blog, ele diz que A Origem “é um falso brilhante”, e que, entre outros defeitos “tudo o que há de mais essencial [no filme] é falado e não visto.” E também que suas imagens são “raramente interessantes ou memoráveis. Não é que falte habilidade: essas imagens, a exemplo do filme inteiro, são muito mais feitas para impressionar do que para nos entreter, estimular, esclarecer ou enriquecer.” Adorei ! rsrsrs. Mas sem querer abusar de sua boa vontade, e já que vc foi tão didático quando falou na fase expositiva dos filmes, em que consiste essa “continuidade intensificada” suscitada por Breno ? Obrigada !

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  38. Li o texto do Inácio, Andrea, e obviamente tendo a concordar com ele, especialmente sobre a questão da exposição verbal excessiva, já que toquei tanto nesse assunto no meu próprio texto. Quanto à poética da continuidade intensificada, é meio difícil resumir esse conceito em um parágrafo (Bordwell escreveu um livro inteiro sobre ele), mas basicamente diz respeito ao conjunto de soluções estilísticas para problemas de representação que, a partir do começo dos anos 1960, exacerbaram certas características já presentes no cinema clássico desde os anos 1920. Por exemplo: os diretores sempre usaram close-ups, mas a partir da década de 1960 aumentaram gradativamente esse uso, a ponto de certos cineastas atuais usarem 50% ou mais das tomadas em close-up. O mesmo vale para a velocidade da montagem, etc.

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  39. Obrigada, Rodrigo ! Acho que deu pra ter uma ideia do tal conceito. Me lembrei até de uma de suas aulas, quando vc comentava sobre os truques que certos diretores faziam, como na montagem, por exemplo, para disfarçar limitações dos atores. Se for também isso a que vc se refere (ou Bordwell), engraçado como o chavão de que “a TV é a arte do patrocinador, o cinema, a do diretor e o teatro a do ator” faz todo o sentido, né ? Valeu ! Grande abraço !

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  40. Engraçado, Rodrigo… Considerando, principalmente, as “entrelinhas” da sua crítica e os adendos que escreveu comentando os comentários aqui postados sua nota ficou até alta.
    Para um filme “raso” (sic) não acha que o pontuou além da conta e do que realmente ele merecia?

    PS: O filme é bem realizado, tem uma estética bacana e cenas memoráveis (a do hotel então nem se fala…), mas concordo com o Inácio Araújo: trata-se de um falso brilhante. O filme não se sustenta. Continuo preferindo “O Grande Truque” como o the best do Nolan…

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  41. Ricardo, essa questão sobre supostos descompassos entre a crítica e as estrelinhas reaparece aqui no site com freqüência. Minha resposta sempre é a mesma: mais até do que o texto, as estrelas são totalmente subjetivas. Afinal, elas indicam uma comparação implícita com algo. Mas que algo seria esse? Os outros filmes da temporada? Os filmes anteriores do mesmo diretor? Filmes que tratam de temas semelhantes? Tudo isso junto? Eu não sei responder. Acho até que o paradoxo que você detectou (bem!) é até saudável. Quatro estrelas quer dizer que eu gosto do filme, mas tenho distanciamento crítico suficiente pra saber que ele é muito mais uma boa engenharia cinematográfica do que propriamente um grande filme. Abraços.

    Andrea, você captou o conceito, mas a continuidade intensificada não trata apenas de montagem. Lida com conceitos variados da estilística do filme, incluindo movimento e posição de câmera, atuação, cores, luz, ruídos, música, temática, estrutura narrativa, etc. Por isso é tão complicado explicá-lo. Mas a tese em si é simples: o cinema a partir dos anos 1960 exacerba a execução estilística em direção ao exibicionismo e ao engajamento emocional cada vez maior do espectador.

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