Fúria de Titãs

[rating: 2]

Os efeitos especiais computadorizados têm atingido um nível de excelência estonteante. A gente já sabe disso, mas vale repetir: praticamente qualquer idéia que surgir na imaginação de um cineasta criativo pode, atualmente, ser esculpida de forma realista no computador. O lado ruim disso é que os efeitos especiais mais tradicionais – mecânicos, óticos, ou simplesmente maquiagem bem feita – pararam de evoluir par causa disso. Juntos, esses dois fenômenos provocam aberrações como “Fúria de Titãs” (Clash of the Titans, EUA, 2010), um filme de US$ 125 milhões que recria detalhadamente criaturas mitológicas como Medusa, harpias, escorpiões e polvos gigantes, mas decora os rostos de seus atores de carne e osso com barbas mais falsas do que uísque paraguaio.

Os efeitos especiais são o ponto de partida mais eficiente para falar de “Fúria de Titãs”, porque afinal de contas foram a razão principal da existência da história, desde o filme original, que marcou em 1981 a despedida das telas de Ray Harryhausen, mestre dos efeitos especiais analógicos. Já naquele trabalho, a trama mitológica do semi-deus Perseus (Sam Worthington) servia basicamente como veículo para a aparição de monstros e criaturas dos mais variados tipos. A idéia do diretor francês Louis Leterrier foi simplesmente seguir os passos da obra original, atualizando a tecnologia para a criação dos tais seres fantásticos.

Levando tudo isso em consideração, seria de se esperar que o filme funcionasse como um catálogo de efeitos especiais de ponta. Infelizmente, não funciona. Os cenários digitais em paleta de cores douradas parecem saídos de “300” (2006), os escorpiões gigantes no meio do deserto sugerem alguma cena cortada de “Transformers 2” (2009), a aparição da Medusa traz ecos das aventuras juvenis de Harry Potter e a batalha final com o mega-polvo gigante oriundo da mitologia nórdica nada mais é do que uma revisão do terceiro “Piratas do Caribe”. Para piorar, todos os filmes citados neste parágrafo são bem superiores a “Fúria de Titãs”, tanto no nível do enredo quanto na execução dos efeitos especiais propriamente ditos. Isso sem falar das ridículas barbas que enfeitam os rostos de atores de prestígio, como Liam Neeson (Zeus) e Ralph Fiennes (Hades).

Fiquemos com a cena do confronto entre Perseus e a Medusa, ponto crucial na jornada que o semi-deus empreende na tentativa de salvar a cidade de Argos. O conceito por trás da Medusa – que, aqui, não é uma mulher com cobras no lugar dos cabelos, mas sim uma cobra gigantesca com rosto de mulher – é muito interessante, mas a execução desse conceito deixa muito a desejar: os cenários repleto de colunas antigas que parecem destruídas por um terremoto são propositalmente escuros, para esconder a deficiência dos efeitos digitais, e o rosto da Medusa mais parece de um robô do que de uma mulher.

Para dar um verniz respeitável ao filme, Leterrier povoa seus cenários digitais com atores de respeito. O elenco está cheio de nomes consolidados: além dos já citados Neeson e Fiennes, temos o dinamarquês Mads Mikkelsen, Danny Huston e Pete Postlethwaite, sem falar do ator-sensação para as platéias juvenis, Sam Worthington, pegando carona no sucesso de “Avatar”. Todos eles interpretam solenemente, como se estivessem numa tragédia grega, o que parece adequado a um filme baseado fortemente nessa mitologia (apesar de aproveitar elementos de outras mitologias, como a nórdica e a árabe, transformando tudo numa grande salada de mitos), mas a estrutura narrativa de aventura adolescente, somada às barbas falsas e perucas, faz com que o filme inteiro vire uma grande caricatura.

Para piorar, os executivos da Warner decidiram, de última hora, converter o longa-metragem, que foi filmado em 2D, para a tecnologia 3D, o que causa sérios problemas nas cenas de batalhas, duelos e confrontos, em que a edição rápida e repleta de planos fechados dificulta muito a compreensão visual do que ocorre na tela. De qualquer forma, como é evidente, “Fúria de Titãs” foi feito para platéias adolescentes, e tem grande chance de emplacar junto a elas – basta ver os US$ 61 milhões amealhados no final de semana de estréia, nos Estados Unidos. O que, em absoluto, transforma o filme em coisa boa.

O DVD simples tem o selo da Warner e traz o filme com imagem correta (widescreen anamórfica) e áudio em seis canais (Dolby Digital 5.1). Cenas cortadas estão presentes como brinde extra.

– Fúria de Titãs (Clash of the Titans, EUA, 2010)
Direção: Louis Leterrier
Elenco: Sam Worthington, Liam Neeson, Ralph Fiennes, Mads Mikkelsen, Gemma Arterton
Duração: 118 minutos

13 comentários em “Fúria de Titãs

  1. Isso é Hollywood e seus remakes ridículos e sem inspiração. Tô fora! Rodrigo, “Conan” também está sendo refilmado e acho que será mais uma das próximas bombas. O cinema está sofrendo com tanta falta de criatividade. Fico só imaginando o dia que eles decidirem refilmar ” Rocky ” (1976), Ben-Hur, ou até mesmo seu filme preferido “Três Homens em conflito “

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  2. Jayls, eu não vi o filme em 2D. Fica difícil saber como ele ficou dessa forma, mas creio que os problemas sejam bem menores. A questão é que o diretor usa (como é hábito nos filmes dos anos 1970 pra cá) muito as lentes teleobjetivas, cuja profundidade de campo é muito baixa. Dessa forma você tem muitas vezes partes da tela fora de foco. Em 2D esse efeito é normal, mas em 3D fica muito esquisito e prejudica a leitura da imagem.

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  3. Esse é mais um filme da safra recente que acha que colocar bons efeitos, boas cenas de ação é suficiente. “Fúria de Titãs” tem boa técnica, mas a história é podre. Não envolve a gente. Fora que eu não sou a maior entendedora de Mitologia grega, mas algumas coisas ali foram totalmente modificadas por propósitos dramáticos, né???

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  4. Faltou mais ação.
    Faltou menos drama.
    A narrativa me lembrou muito “A sociedade do Anel”.
    Uma coisa apenas, pra mim, valeu: Hades. Boa interpretação do Fiennes, boa apresentação do personagem (exceto, é claro, pelas barbas).

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  5. Meu deus do céu, o que foi esse filme? tá, eu até achei mais aceitável que Transformers, mas que Olimpo horrível, não me admira Perseus não aceitar a proposta de Zeus de abrigo no Olimpo. O que é aquele figurino de Cavaleiros do Zodíaco? ainda mais com um brilho dos anos 70 pra esconder que as armaduras parece que foram compradas no mercado da esquina, embora eu ache que teria umas melhores no mercado de São josé. Outro ponto ruim é o mico monstro que Ralph Fiennes paga, que atuação é essa? ele que sempre escolheu tão bem seus personagens, mesmo os comerciais, como mostra a excelente composição de Lord Voldermort em Harry Potter, mas esse filme eu tenho certeza que ele não vai guardar em sua estante. Eu nem tinha mais fôlego pra rir das barbas depois de rir tanto de Fiennes e das armaduras. Quanto a Sam Worthington, a mesma coisa de Terminator e Avatar, inexpressivo e com cara de perdido.

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  6. Senti o filme como se fosse aquela velha receita de bolo da vovó: todo mundo sabe no que vai dar. Muito previsível, feio e desinteressante. Além disso, definitivamente não gostei do 3D. Muito sem graça e realmente nas cenas de ação a compreensão das imagens ficava um pouco mais difícil.
    Até agora não acredito que troquei o Roman Polanski por isto. Me perdoa Roman…

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  7. Não achei tão ruim, fui ver pensando ser horrível. Aliás, me diverti foi muito vendo. É meio sem roteiro? É. Mas as cenas de são muito boas. É um passa-tempo e nada mais porém um passa-tempo muito divertido. E pensei que era um lixo total.

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  8. O FILME CONTEM EROS GRAVES
    PARA AQUELES QUE ENTENDEM DE MITOLOGIA…
    PERSEU NAO PODERIA TER NENHUM TIPO DE RELAÇÃO OU ATRAÇÃO PELA IO
    ELA NA REALIDADE DA HISTORIA ERA UMA DAS AMANTES MORTAIS DE ZEUS
    O KRAKEN NAO PODE TER NADA HAVER COM O FILME..NAO É UMA CRIATURA MITOLOGICA
    A MEDUSA NAO FICOU TOTALMENTE TRANSFORMADA(COM CAUDA)COMO APARECE NO FILME..
    ATHENA APENAS FEZ COM Q OS HOMENS NAO PUDESSSEM OLHA-LA..ELA NAO VIROU NENHUM TIPO DE COBRA RSRSRS
    E MAIS UMA COISA..OQ HADES MANDOU PARA MATAR A PRNCESA
    NAO ERA UM KRAKEN

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