Caixa, A

[rating: 3.5]

É difícil entender exatamente por que razão o cineasta Richard Kelly chega ao terceiro longa-metragem sem emplacar um único sucesso de público. Seus filmes têm tramas intrigantes, recheadas de elementos exóticos e imprevisíveis, são habitados por personagens que compartilham características de personalidade com largas porções do público (em teoria, deveriam provocar empatia facilmente), e visitam temas que costumam gerar grande interesse, como viagens no tempo. “A Caixa” (The Box, EUA, 2009) repete essas características e ganha, ainda, atores famosos e uma trama linear, o que torna este seu filme mais acessível.

Apesar disso, “A Caixa” se tornou um fracasso mediano de público e crítica, faturando apenas US$ 14 milhões, ou menos da metade do orçamento (US$ 30 milhões) necessário para realizá-lo. Tampouco a crítica recebeu o filme com elogios, embora tenha reservado ao longa-metragem uma recepção bem mais agradável do que o filme anterior dele, “Southland Tales” (2009), que ficou mais de três anos na geladeira depois de uma desastrosa passagem pelo Festival de Cannes.

De certa forma, foi uma recepção correta, já que o enredo rende um thriller interessante, mas que não chega a empolgar. “A Caixa” parte de uma premissa fantástica, retirada de um velho conto do especialista em roteiros bizarros Richard Matheson, e que já havia aparecido num antigo episódio do seriado “Além da Imaginação”: um misterioso executivo (Frank Langella) surge de repente e sem aviso na vida de um jovem casal de classe média com dificuldades financeiras (Cameron Diaz e James Marsden), munido de uma caixa com um proeminente botão vermelho. Ele avisa ao casal que trata-se de uma experiência científica. Se eles apertarem o botão, ganharão um milhão de dólares instantaneamente, mas alguma pessoa que eles não conhecem morrerá por causa disso.

Baseado nessa premissa fantástica, Kelly construiu um roteiro original, onde manteve o tema central – um estudo da moral humana – e encontrou abrigo para os tradicionais elementos exóticos, misturando tecnologia, espiritualismo e viagens no tempo. Este último é elemento fortemente presente em toda a obra de Kelly, especialmente em “Southland Tales” e na estréia cult do diretor, “Donnie Darko” (2001), ainda seu melhor e mais famoso filme.

No que se refere à maneira de filmar, “A Caixa” consiste num perfeito exemplo do estilo do jovem diretor nascido em 1975, e que mescla elementos clássicos e contemporâneos. Sua câmera não pára de se mover quase nunca, mas evita o chacoalhar incômodo que vem se tornando cada vez mais popular; está sempre numa Steadicam ou em trilhos. Kelly dá grande destaque à música pop em suas trilhas sonoras – neste caso, ao invés de escolher um punhado de clássicos dos anos 1980, ele contou com a colaboração dos integrantes da banda Arcade Fire – e exibe uma obsessão cristalina por composições visuais perfeitamente simétricas.

Esta última característica é central para uma análise do estilo de Kelly. A maior parte dos diretores evita esse tipo de composição pictórica porque elas podem se tornar facilmente entediantes ou achatadas, sem profundidade, mas nos filmes dele isso não ocorre. Entre os raros diretores com o mesmo gosto, se destacam os irmãos Joel e Ethan Coen (sobretudo em seus primeiros filmes) e principalmente Stanley Kubrick, com quem Richard Kelly já foi comparado – obviamente, num rasgo de exagero megalômano dos críticos que o fizeram.

Tudo isso serve a uma história potencialmente interessante. Nesse sentido, não apenas a premissa é digna de atenção, mas o desenrolar da trama mantém o interesse, levando o espectador através de uma rede de pequenas coincidências e elementos bizarros – como a ausência de metade do rosto do personagem de Frank Langella, cuja caracterização cavernosa dá arrepios, e a simétrica ausência dos dedos dos pés de Cameron Diaz – que vão, pouco a pouco, se acumulando e convergindo para um final sólido que arremata muitas das pontas soltas. Se é verdade que a história de “A Caixa” poderia ter rendido um pequeno clássico do fantástico e não o fez, também é verdade que o longa-metragem prende a atenção e carrega a imaginação do espectador por muitos minutos após a sessão. Vale a pena.

O DVD lançado pela Imagem Filmes, simples, não apresenta extras. O filme aparece com boa qualidade de imagem (widescreen anamórfica) e áudio (Dolby Digital 5.1).

– A Caixa (The Box, EUA, 2009)
Direção: Richard Kelly
Elenco: James Marsden, Cameron Diaz, Frank Langella, Gillian Jacobs
Duração: 119 minutos

6 comentários em “Caixa, A

  1. Achei muito curioso que a premissa do filme se assemelhe tout court, apenas ressalvada a atualização do enredo, à trama da novela “O Mandarim”, de Eça de Queiroz, na qual o protagonista também é confrontado com a possibilidade de enriquecer ao acionar um mecanismo, sabendo, no entanto, que o preço da fortuna será a morte de alguém cuja identidade ele ignora, provavelmente, diz o texto, algum velho desconhecido “ali nesses confins da Mongólia”.

    Coincidência?

    Curtir

  2. Muito bom filme, cria uma ambiente bem ¨sólido¨ mostrando pequenas cenas que sugerem o âmbito global no qual este processo se dá, o que engrandece o filme. o único senão fica pela cena na biblioteca e numa possível investigaçào que se mostra inútil e só aumenta o tempo de projeção e só serve para que um outro personagem explique um pouco mais sobre o que está acontecendo antes de convenientemente morrer, mas o mérito do filme permanece intacto.

    Curtir

  3. sinceramente odiei este filme! achei que ele usa suspense por usa o tempo todo e no final nao chega a um ponto estupendo o qual ele vem preparando o publico desde o começo!
    mas vai entender…

    Curtir

  4. Rodrigo Carreiro será que há um meio termo para Richard kelly? Excesso de informação visível em Southland Tales ou muita informação oculta em The Box. Penso que é um filme mais complexo que Donnie Darko. Uma premissa visceral e estarrecedora que incorpora a filosofia de Jean-Paul Sartre, o gnosticismo maçônico, o esoterismo e os dilemas éticos e morais. O diretor explora com sutileza os limites da subjetividade. Vamos abrir o debate e discutir o filme. Tentei fazer uma interpretação do enredo. Ficou bem extensa.

    CURIOSIDADE
    Há uma cena que exibe abertamente a carteira de cigarros Marlboro e reza a lenda que existem 5 símbolos maçônicos ocultos na mesma.
    O filme Agentes do Destino (The Adjustment Bureau) versa sobre partes do mesmo tema (governo oculto). É baseado no conto Adjustment Team de Philip K. Dick cujo autor Richard Kelly demonstra ter influências e utilizado diversos conceitos para seus filmes.
    SPOILERS-ENREDO
    A história se passa em 1976, onde Arthur e sua esposa Norma acabam de adquirir uma casa nova. Eles são a típica família de classe média suburbana, retratada de forma medíocre. No início, há um informativo de que Arlington Steward foi ressuscitado e liberado da unidade de queimados. Numa manhã, Arlington chega num Lincoln preto, como um “homem de preto” e misteriosamente deixa uma caixa na porta da casa do casal. Arthur dirige-se para a NASA e dedica-se a construir um pé protético para Norma e seu pé mutilado. Norma descobre que a caixa contém um botão vermelho, enquanto isso, Arthur é rejeitado como astronauta, um objetivo pessoal de longa data e o financiamento para a casa nova e as prestações do carro. Norma ensina Inglês numa escola católica privada local e estuda o ensaio “Sem Saída” de Jean-Paul Sartre. Um aluno intrometido tenta constranger Norma, pedindo que mostre a classe o pé e revele porque manca. Norma aceita e mostra. Puxando o fio do novelo filosófico de Sartre, ou seja, à medida que amadurecemos, nos escondemos atrás de “máscaras” ao mesmo tempo que somos livres e os únicos responsáveis por nossos atos. O pé defeituoso de Norma é uma imperfeição a esconder, um lembrete de que a bela aparência mascara a fachada do pé mutilado. Se Norma aceitasse o defeito, ela realmente seria livre dos estigmas que as imperfeições produzem em nossa psique. Norma comenta em sala de aula a famosa citação, “o inferno são os outros”, pois, os outros “conhecem nossos defeitos.” Observa-se que o filho do casal não acredita em Papai Noel quando o assunto vem à tona na cozinha, pois Arthur sendo um cientista, transferiu inconscientemente isto ao menino (na visão de Sartre). O cientificismo é outra máscara para Sartre ao afirmar que os cientistas se escondem atrás da máscara da racionalidade e quando surge um mistério inexplicável pela ciência, evitam uma conclusão temerária. Porém, Arthur e Norma estão prestes a descobrirem algo que nunca poderiam imaginar. Na manhã seguinte, há uma conferência de imprensa na NASA sobre o lançamento da próxima Sonda exploratória em Marte, curiosamente o porta-voz efetua declarações sobre a descoberta de “vida” e “antigas civilizações alienígenas.” No entanto, A Caixa vai dar-nos uma pista velada de como os “alienígenas” realmente são. Durante a conferência, uma repórter pergunta por que a NASA está trabalhando com a NSA e fica sem resposta. Além disso, Norma perde o subsídio para os estudos do filho, percebendo que o nariz do diretor sangra quando a informa. Mais tarde, Arlington chega oferecendo um milhão de dólares se o casal apertar o dispositivo-botão que resultará na morte de alguém que não conhecem. Eles têm 24 horas para tomar uma decisão e, não aceitando a oferta, A Caixa será levada e reprogramada. Steward deixa uma nota de cem dólares com Norma (despertando a dúvida e a tentação na consciência humana). O casal se encontra num dilema ético e moral. Na próxima seqüência, vemos a imagem de uma câmera de vigilância da NASA direcionada aos trabalhadores e um homem estranho de terno olhando pra câmera. Esta figura é uma pista que só aparece no filme um par de vezes (olhando propositalmente do fundo). Ele é outro “homem de preto” que representa o “governo oculto”, o controle da NSA e da NASA. Não se sabe sua identidade, além de que é o “patrão” de Steward e um representante ou o próprio empregador. Norma decide apertar o botão, depois de tentar persuadir Arthur ainda duvidoso sobre a forma de obtenção deste dinheiro. O casal vai assistir a peça “Sem Saída” do mesmo ensaio que Norma abordou em sala de aula. No ensaio de Sartre, três pessoas descobrem que foram escoltados ao inferno por um condutor-demônio, assim como, no filme ocorre algo parecido com o casal e o filho, onde o tormento acaba sendo um ao outro. Começamos a perceber que Arthur, Norma e o filho estão sendo escoltados até o seu “inferno pessoal”. Aprisionados em suas vidas de desejos escondidos e segredos não revelados (o filho do casal é sempre o último a “não” saber). No fim da peça novamente aparece o “homem de preto” passando ao fundo do palco e, a seguir, a câmera foca um homem idoso como se estivesse hipnotizado (agindo de forma robótica como o Papai Noel que “provoca” uma colisão entre o carro em que se encontra Arthur e um caminhão. Assim como, os “empregados” de Steward). Nota-se que ao longo do filme a televisão está sempre ligada na casa do casal, mostrando brevemente o que é relevante num nível esotérico. O casal vai a uma festa de Natal com os colegas de trabalho onde as coisas começam a ficar estranhas. Certas pessoas observam o casal com olhares de reprovação, ao mesmo tempo em que fazem a brincadeira de escolha aleatória dos presentes sob a árvore. Um garçom (que é o aluno intrometido de Norma) faz um sinal de paz (dois dedos formando um V) e Arthur pega uma caixa com uma foto borrada de Arlington como presente. Enquanto isso, a babá que está cuidando do filho do casal, percebe que os dois estão sendo observados por um estranho através da janela. Os dois vão até o porão após uma discussão de histórias em quadrinhos, e numa das capas das revistas de Arthur há um alienígena, um caixão flutuando no espaço e um crânio ultrapassando um portal (o pilar gnóstico-cabalístico e os símbolos ritualísticos de iniciação?). A babá olha uma gravura fixa na parede e pergunta do que se trata. O filho do casal afirma que é a “terceira lei” de Arthur C. Clarke e que seu pai o conhece. A frase é uma pista de um conhecimento esotérico, ou seja, “qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia”. E Arthur irá vivenciar eventos que a ciência não explica. De volta a festa de Natal, o garçom e aluno de Norma provoca Arthur, rindo do episódio em que a humilhou devido ao pé defeituoso. Outro garçom avisa Norma que há um telefonema para ela, então esquece o que estava fazendo e seu nariz começa a sangrar. Arlington sabe que Arthur tentou rastreá-lo e adverte Norma de que eles fizeram um acordo que não pode ser quebrado. Arthur esmurra o aluno de Norma que ri e faz o sinal de paz. Os dois abandonam a festa e o cara que estaciona os veículos faz o sinal de paz, enquanto o casal dá a partida no carro. No gelo do pára-brisa do carro está escrito “Sem Saída” (o ensaio de Sartre novamente). Arthur descobre por intermédio do pai de Norma e policial que o carro de Arlington está registrado em nome da NSA. Arthur percebe que sua família está sendo constantemente vigiada. A seguir, uma cena bizarra aparece na televisão da família, ou seja, as Torres Gêmeas estão fora do lugar onde foram construídas. Não estão no terreno em Lower Manhattan e congelando a imagem se percebe pelos prédios vizinhos e pela bacia oceânica. (O que faz um galeão espanhol dos séculos passados cruzando na frente das torres?). Duas torres e dois pilares “em queda” são relevantes para a cabala e para a maçonaria (as duas portas Jaquim e Boaz). Lembrando que em 9/11 três torres caíram, e não apenas duas. No ocultismo, o pilar do meio significa equilíbrio entre os dois pilares laterais de misericórdia e gravidade, bem como, o “pilar de iniciação e integração.” É o equilíbrio entre o yin e o yang, o macho e a fêmea e etc.. . O filho pode ser o pilar do meio, neste caso, o equilíbrio entre Arthur e Norma. O pilar do meio se refere ao cubo de seis lados do espaço (com todas direções), o cubo perfeito. E um cubo perfeito é uma caixa. A destruição das torres gêmeas, intrinsecamente, sugerem uma nova ordem das idades e, grande parte das teorias de iniciação incluem a morte da essência espiritual anterior (velha) e a ressurreição da próxima (nova). Eis o que se aproxima de Arthur. Voltando ao enredo, Arthur leva a babá para casa e ela percebe que há sangue nas mãos do mesmo (sangue em suas mãos como idéia de culpa?). A babá diz para Arthur olhar para a “luz” como solução para os problemas que ele enfrenta e que a “luz” o cegará. Então o nariz da babá começa a sangrar e há uma constante alusão à sangue no filme, e sangue é vermelho. Por sua vez, Arthur está trabalhando numa missão a Marte, o “Planeta Vermelho” e, também considerado o “deus da guerra” e o capeta para quem aprecia sua companhia. Outra pista lançada no enredo. Arthur descobre que a babá usa um falso nome ao pegar sua carteira de identidade (ela deixa cair). Na cena seguinte, é revelado que Arlington está construindo uma espécie de portal nas instalações da NASA e que esta é obrigada a colaborar com a NSA. Uma notícia televisiva informa que “a águia pousou” e a missão a Marte vai revelar definitivamente que há “vida em outros planetas.” (seria um meio de desviar a atenção para o que se passa na Terra?) Então, a NSA está vinculada com a NASA e os “empregados” de Arlington sofrem uma lavagem cerebral para serem usados como “cobaias” em seu portal tecnológico “de luz.” Neste momento é revelado como Arlington morreu, ou seja, atingido por um raio 5 vezes superior a temperatura solar. Quando “ressuscitou” era uma “entidade” diferente com fins de servir a um “empregador”. Superficialmente, o enredo dá a entender que sua consciência foi dominada por uma inteligência alienígena (os empregadores de Arlington). Porém, o raio é “luz”, a “luz” de iniciação do gnosticismo maçônico que afasta a premissa de dominação extraterrena. Na seqüência, Arthur (por meio de uma fotografia de Arlington contendo o endereço da biblioteca) e Norma (por meio do aviso da jornalista que não teve sua pergunta respondida na conferência da NASA) são levados até a biblioteca pública.
    A biblioteca é uma casa de conhecimento (gnose significa conhecimento) e é lá que Arthur tem seu ritual de iniciação maçônico particular. Arthur é levado numa procissão litúrgica pelos “santos da biblioteca” (na verdade uma igreja ocultista) até uma porta em que aparece a esposa de Steward e lhe é concedido uma “bênção” litúrgica ocultista” (os braços da Sra. Steward estão, claramente posicionados como o sinal-bênção maçônico) Há uma grande pintura exposta acima da entrada da porta mostrando um santo cuja a forma é similar a posição de iniciação de um mago gnóstico. Arthur compreende agora que ciência e magia são indistinguíveis (a terceira lei de Arthur C. Clarke na gravura fixada no porão da casa deles). Ao adentrar a sala, a esposa de Arlington revela-se como Clymene (uma referência à deusa de Klymenos ou Hades?), sendo mostrado a ele três pilares de água. Ele deve escolher apenas um para obter descanso em “danação eterna”. Arthur recorda que vários “empregados” fizeram o sinal de paz, levantando dois dedos. Então, ele escolhe o “pilar do meio” (do equilíbrio e da harmonia). Ele é levado para a “luz”, descrevendo mais tarde como o “céu” e ausência de angústias interiores. No mesmo momento, Norma está sendo iniciada em outra parte da “biblioteca”, numa forma ritualística diferente e, por Arlington Steward. Ela afirma que sentiu “amor” quando viu o Sr. Steward pela primeira vez e Arlington diz para ela pegar sua mão. Percebe-se uma sutil referência ao casamento esotérico e uma conjugação holística. Norma desperta em sua cama. Há um imenso cubo flutuando sobre sua cabeça. Arthur desperta no interior do cubo que se desfaz em torrentes de água e despenca na cama ao lado de Norma. Arthur passou pelo seu batismo, dentro de uma “caixa” aquática e renasceu. Lembrando que caveiras, caixões e morte são, simbolicamente, utilizados em cerimônias de iniciação religiosa. O filme mostra através de Arthur como Steward faz a experiência e a experiência é realizada de forma maciça pelo “governo oculto” que são os empregadores do mesmo. Porém, não se trata de um “governo oculto” local. Há uma referência estarrecedora sobre o domínio do “governo oculto”, no momento em que a câmera foca uma tela enorme e vários quadrados azuis se alternam e formam um mapa do globo terrestre. Trata-se dos primeiros mapas criados pelo Google com a disposição real de domínio do “governo oculto”. Dando seguimento, um subalterno de Stewart na NSA questiona porque está sendo realizada a experiência e Arlington responde que a experiência é para decidir se a humanidade permanecerá viva ou será exterminada. A experiência envolve dinheiro com notas do Federal Reserve e o dilema ético e moral de satisfazer seus desejos pessoais, condenando outro ser humano à morte ou manter o bem maior, o altruísmo humanitário. Arlington não faz o pagamento por meio de imóveis, ações ou barras de ouro. Utiliza-se do papel-moeda que é uma das formas de controle da população pelo “governo oculto”, ou seja, através do controle da emissão de moeda (e, por isso, livre de impostos como afirma). Voltando ao filme, O subalterno pergunta o que ocorrerá quando o teste da caixa terminar, respondendo Steward que passará à próxima experiência. O próximo passo é alinhar grupos de pessoas da população mundial secretamente e enviá-los ao portal que servirá para os testes subsequentes e realiza uma espécie de lavagem cerebral coletiva (uma segunda chance antes do extermínio?). Dando a entender que a proposta com A Caixa e o disposito-botão falharam, pois Steward afirma que a maioria apertou o botão e optou por satisfazer o desejo de ganância. A iniciação de Arthur não está terminada e, tanto ele quanto seu filho são capturados pelos homens de preto. O filho é batizado numa piscina pela esposa de Arlington e seus “empregados” enquanto Arthur deixa um hangar da NASA sob intensa luminosidade. Pelas imagens anteriores, verifica-se que o hangar é o mesmo em que Steward construiu o imenso portal de pretensa lavagem cerebral (a câmera mostra raios sob o hangar antes da saída de Arthur e seu encontro com agentes da NASA e NSA). Seus sentidos são alterados, pois ele estava fora do tempo e do espaço no éter da iniciação, e emergiu na Terra (agora Arthur fora atingido por raios como Steward). Porém, sua purgação não terminou, pois deve sacrificar Norma ou seu filho para manter o planejamento dos empregadores de Steward. Há uma simulação de escolha e de livre arbítrio para Arthur, pois foi Norma que apertou o botão. Mesmo que seu desejo seja condenar o filho à cegueira e à surdez, a depuração mental e espiritual foram pré-determinadas. E a última referência a Sartre é feita por Arthur, quando afirma que a Terra é o purgatório e que Stewart está ali para levá-los ao inferno (o enredo de “Sem Saída” ). Acaba matando Norma para que o filho volte a enxergar e a ouvir. Arthur não é preso pelos policiais e os homens de preto intentam tomar conta do mesmo, pois se trata de um iniciado que sacrificou seus desejos pessoais em benefício da coletividade. Seu filho permanece sob os cuidados do “governo oculto” e, simbolicamente, o valor de um milhão de dólares será empregado nas despesas do garoto até que atinja a maioridade. Vamos debater e discutir o filme. Daniel Brasil – danielbrasilsm@hotmail.com

    Curtir

  5. CURIOSIDADE EXTRA
    Há uma cena que exibe abertamente a carteira de cigarros Marlboro e reza a lenda que existem 5 símbolos maçônicos ocultos na mesma. Arlington Steward foi atingido por um raio 5 vezes mais quente que o solar e a estrela de 5 pontas ou o pentagrama exotérico é muito importante no ocultismo.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s