Se Beber, Não Case

[rating: 2.5]

A comédia romântica é o mais feminino dos gêneros clássicos do cinema. De fato, talvez seja o único que tem como público-alvo potencial as mulheres. Enquanto os homens (historicamente a audiência mais abundante) sempre consumiram o horror, o thriller e o western, as garotas ficavam com as comédias românticas e, ocasionalmente, o melodrama. A partir da década de 1980, contudo, as comédias de costumes foram se tornando cada vez adolescentes – e masculinas. Esse fenômeno acabou por gerar um subgênero curioso, que explodiu comercialmente nos primeiros anos do século XXI, em particular a partir dos filmes dirigidos e/ou produzidos por Judd Apatow (“O Virgem de 40 Anos”).

“Se Beber, Não Case” (The Hangover, EUA, 2009) – com o devido desconto do ridículo título nacional – é cria deste subgênero. Usando a amizade masculina como tema central, o filme de Todd Philips incorpora uma série de outras situação dramáticas típicas de filmes masculinos com aura de macho do meio-oeste americano: despedidas de solteiro, farras homéricas regadas a álcool e drogas em Las Vegas, e até mesmo pitadas de thriller de mistério. O coquetel rende uma alquimia que parece algo nascido de um cruzamento entre “Vamos Nessa” e “Swingers – Curtindo a Noite” (ambos de Doug Liman) e “Penetras Bons de Bico” (David Dobkin), temperado com uma sensibilidade estridente que parece derivada do pior que existe em “Corra Lola Corra” (Tom Tykwer), e ainda por cima sem personagens consistentes.

A história começa como uma trama de Agatha Christie dirigida por algum membro do Monty Python. Após uma bebedeira monumental em Las Vegas, durante a despedida de solteiro de Doug (Justin Bartha), três amigos acordam de ressaca num quarto de hotel. Ninguém se lembra do que aconteceu na noite anterior, mas os indícios não são nada bons. Há um tigre (?) no banheiro e um bebê dentro de um armário. Um dos rapazes perdeu um dente. O colchão de outro está pendurado num ornamento da fachada do hotel. O caríssimo Mercedes do pai da noiva sumiu, e em seu lugar está… um carro da polícia (!!).

Aparentemente, um dos rapazes agora está casado com uma stripper. E isso tudo é só o começo de um dia estranhíssimo (ou, pensando bem, nem tão estranho assim) na Cidade do Pecado, em que eles precisam descobrir o paradeiro do quarto integrante da farra, que é justamente o noivo. Para isso, obviamente, o trio tem que se entregar a uma frenética tentativa de reconstituição da famigerada noite de festa, e isso inclui visitas a hospitais, igrejas e delegacias de polícia, além de um par de encontros inusitados que podem se tornar desagradavelmente violentos.

Estruturada como um thriller de suspense, mas recorrendo o tempo inteiro a diálogos tão expositivos quanto inverossímeis, a investigação se sucede em ritmo alucinante, enquanto personagens idiossincráticos entram e saem de cena rapidamente, incluindo uma garota de programas desmiolada (Heather Graham), um empresário japonês homossexual e até mesmo o lutador Mike Tyson em pessoa. Há bons momentos – especialmente o primeiro ato, que registra as reações incrédulas do trio – mas, infelizmente, os personagens são unidimensionais e desinteressantes. Nada do que eles falam faz muito sentido, algumas piadas têm o gosto de cabo de guarda-chuva de uma ressaca, e em nenhum momento conseguimos acreditar, por um segundo sequer, que qualquer daqueles sujeitos tem um pingo de humanidade.

Nesse ponto, qualquer das produções realizadas pela turma de Judd Apatow (inclusive o bom e adolescente “Superbad”) supera “Se Beber, Não Case” em muito; aquele diretor e roteirista sabe construir personagens factíveis, sólidos, e isso faz a diferença entre um filme engraçadinho e vazio, e outro engraçadinho e com alma. Apesar disso, o sucesso alcançado nas bilheterias norte-americanas (onde “Se Beber, Não Case” ficou duas semanas no topo da lista de filmes mais vistos, superando a barreira de US$ 100 milhões arrecadados em apenas 10 dias) deixa claro que as comédias românticas masculinas estão mesmo na crista da onda. Ainda que as demonstrações de amizade de macho, cheias de abraços à distância e insinuações de homofobia explícitas, pareçam mais enrustidamente gays do que exatamente masculinas.

O DVD simples da Warner é bastante enxuto. Além do filme, com formato correto de imagem (wide anamórfica) e áudio (Dolby Digital 5.1), os extras incluem um mapa de Las Vegas com os locais mostrados no filme (cada local tem pequenos clipes com making ofs de dois ou três minutos), uma seção de erros de gravação e trechos em que os atores tentam cantar.

– Se Beber, Não Case (The Hangover, EUA, 2009)
Direção: Todd Philips
Elenco: Bradley Cooper, Ed Helms,Zach Galifianakis, Justin Bartha
Duração: 100 minutos

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30 comentários em “Se Beber, Não Case

  1. Concordo plenamente com sua crítica Rodrigo, Este “Hangover” perde feio para o excelente “Dias Incríveis” e também para ” Ressaca do Amor”, com Jason Segel. É um filme apenas divertido e até am alguns momentos mal construído, como no climax, se é que ele existe. Acho que o bom Bradley Cooper não está a vontade nas comédias. Destaque absoluto para Zach Galifianakis, que é de longe a melhor coisa do filme.

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  2. Danilo, eu não vi esses dois filmes que você citou. Mas discordo quanto à performance do gordinho. O personagem dele me parece muito ruim. Meticulosamente construído pra ser “engraçado”, pra ser o cara das piadinhas sexuais da história. É um clichê sem tamanho; toda comédia tem um personagem desses (roteiristas chamam isso de “alívio cômico”, o que numa comédia me parece um contra-senso). Além disso, não gostei da forma como ele foi construído – não entendi qual é a do personagem, já que há ali insinuações de homossexualismo e até pedofilia, sem que nenhuma dessas insinuações seja desenvolvida pelo roteiro.

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  3. Rodrigo
    Acho que o roteiro é falho e também esquizofrênico. Também não acho o personagem bem construído. Acho que ele está muito bem, mesmo com todos os problemas. Não conhecia esse ator. Recomendo “Dias Incríveis”, que é do mesmo Todd Philips

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  4. Talvez porque seja o único… 🙂

    Não, falando sério, Kamila, nenhum filme merece ser considerado bom apenas pela quantidade de risadas que provoca. Se o critério foi esse, é melhor ir para o YouTube e ficar assistindo Ruth Lemos e o sanduíche-iche 20 vezes seguidas…

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  5. Mas, Rodrigo, quando se trata de uma comédia, o objetivo não é fazer rir? E se o filme alcança esse objetivo não pode ser considerado bom ou, no mínimo, competente? Desculpe a leitura simplória, não entendo muito da parte técnica do cinema, e por isso gosto muito de ler suas críticas, que me deixam por dentro desses outros aspectos, além do “me diverti, então o filme é bom”.
    Não vi ainda “Se beber, não case” e, por isso, ainda não li sua crítica p/ não ir ao cinema já influenciada. rsrs
    Abs.

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  6. Um dos objetivos é fazer rir, claro. Mas há outras variáveis envolvidas. Exemplo recente: “Brüno”. Tem cenas engraçadas ali, mas moralmente questionáveis. Isso tem que ser levado em conta. Bem como a questão dos personagens que comentei. Vou dar um exemplo claro: por que incluir no filme cenas sugerindo pedofilia e homossexualismo por parte de um personagem, se esse assunto será esquecido a partir da cena seguinte e jamais abordado de novo? Eu mesmo respondo: incluíram uma piada apenas porque ela era engraçadinha, mas não se importaram com as conseqüências narrativas dessa piada.

    Um filme é um filme. Precisa ter coerência. Não pode ser uma mera coleção de esquetes cômicos sem ligação entre si, entende? Nesse caso, pode até ser engraçado como peça cômica, apesar de ser falho como filme.

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  7. Ehhh… o da Ruth Lemos tem meu voto também kkkkkk…

    Bom Rodrigo, ainda não assisti e não devo ir ao cinema (já que posso ir menos do que gostaria) para esse filme… mas continuo achando que é intencional “esteriotipar” a figura do heterossexual, nesse caso, pois está no agendamento do contra-ataque ao homofobismo. Portanto o “subtexto” (hehehe) é este mesmo: Se você precisa se “esforçar” em ser macho é pq não é… então deixem os gays “em paz”.
    E, claro, tem um público que se diverte e outro que já está cansado com essa abordagem do conflito…
    Quanto as risadas… é outra questão…

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  8. Não sei, eu realmente não me senti envolvido pelo filme. Houve momentos em que a platéia caía na risada e eu ficava ali, me sentindo o último dos mortais, porque para mim era completamente superficial, um diálogo que a gente só ouve em filme, jamais ouviria na vida real. Não dá pra saber até que ponto os filmes a que venho assistindo este ano, por causa do doutorado, têm influência nessa percepção, mas suspeito que haja alguma coisa aí…

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  9. também não me senti envolvido com o filme. Um amigo meu quase “morreu” de tanto rir. Algumas piadas simplesmente não funcionam e, aquelas que eu achei mais engraçadas, ninguém riu, como a piada do bip do gordinho no hotel (genial). Volto a dizer pessoal: Assistam “Dias Incríveis”. Esse sim é muito engraçado, tem um roteiro redondinho, especialmente para homens de 30 e poucos… Se o critério para um filme de comédia é fazer rir, um dos melhores do gênero seria “As Branquelas”, e não o é.

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  10. Rodrigo, não é questão de doutorado… De isso te influenciar na maneira como você percebe as coisas. Acho que você está somente num outro estágio, com outra mentalidade. Não tem nada a ver, mas me sinto assim quando revejo coisas, por exemplo, dos Trapalhões. Não entendo como eu achava graça naquilo…

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  11. É aí que as coisas complicam, sabe? Porque, só pra usar o seu exemplo, eu vi dois filmes dos Trapalhões este ano. Vejo animações infantis o tempo todo. E continuo me divertindo bastante com tudo isso. Agora, essas comédias americanas formatadas para encaixar num perfil estreito me parecem um pouco como aquelas casas pré-moldadas de fórmica que fazem por aí. Não consigo ver um pingo de realidade ou irreverência sadia ali. Vejo só uma fórmula gigantesca sendo reaplicada de forma monótona. Claro, há pessoas que admiro e respeito cuja sensibilidade permite enxergar diversão ali. Mas comigo simplesmente não funciona. :-/

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  12. Os cabeçudos que me desculpem, mas o filme é muito bom. Quem ainda não assistiu, não percam a oportunidade por causa de uma crítica “cabeçuda” como essa (com todo respeito). Só não vá se você espera por algo inédito, revolucionário, politicamente correto, etc. Se quiser dar boas risadas com um filme de comédia, não perca!

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  13. Vi o filme hoje e confesso que me decepcionei. Talvez a expectativa gerada pelo hype em torno do filme tenha prejudicado, mas a verdade é que não achei graça, exceto em uma ou outra piada, e não vi nada de original como estava esperando. Só se levarmos emconta o fato de não mostrarem a noitada propriamente dita e somente as consequencias no dia seguinte, o que não é uma originalidade tão digna de nota.
    Li sua crítica agora, Rodrigo, e concordo em todos os pontos que vc disse. Filme mediano.

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  14. Gostei do filme. Nota 3. Ruim mesmo são coisas tipo ‘Se Eu Fosse Você 2’ e ‘Os Normais 2’! E pior que isso é Xuxa ser homenageada em Gramado pela sua contruição ao cinema nacional. ahah

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  15. Um dos filmes em que mais ri nos últimos tempos se chama “Sideways – entre umas e outras”, do Alexander Payne. Uma comédia inteligente, de um humor mais sutil e refinado. Típico de um Woody Allen. E que nos faz pensar.

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  16. Discordo, Rodrigo, (mais uma vez), com todo respeito. Eu sei que você é especialista, professor e tudo mais, eu sou só um simples espectador, mas discordo de ti, cara. Essas chatisses globais não têm nada a ver com “Se Beber, Não Case” (ô titulozinho tosco foram escolher). No dia em que o cinema brasileiro produzir uma comédia como “Se Beber, Não Case” (que não é nada demais, apenas um engraçada), as vacas vão voar, cara. Na boa… falta muuuuito para o cinema nacional produzir algo do tipo, tem que comer muuuuito feijão com arroz. O negócio do cinema nacional é pano de fundo com pobreza, favela, violência, clichês nordestinos, ou pornochanchadas, dramalhões, séries ou novelinhas globais com 2 horas de duração, essas coisas. Tirando “Os Trapalhões” ou os filmes do Zé do Caixão (rsrsrs), não existe nenhuma comédia por aqui que possa ser comparada com algo bobo e despretencioso como um “American Pie”, por exemplo. Quem quiser, fique à vontade para me linchar, é a minha opinião. Um abraço!

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  17. Sem essa de “você é professor, eu sou um mero espectador”. Isso é besteira. No final das contas eu também sou só um espectador. Respeito a sua opinião, apenas acho que as pessoas infelizmente conhecem pouco a produção nacional. Tem filmes populares muito engraçados e inteligentes (vou citar um: “Bendido Fruto”, que achei sensacional), na minha opinião bem superiores a esse aqui (sem falar que “American Pie” é cópia do “Clube dos Cafajestes” e todas as comédias high school que o John Hughes fez nos anos 1980).

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  18. Acho que não conheço tão pouco do cinema brasileiro (pouco se comparado com aqueles que gostam, lógico), já tentei gostar e vi um monte de coisa, o fato é que a esmagadora maioria eu não gostei. Não gosto do cinema nacional, mesmo. Infelizmente. E não tenho problema nenhum em dizer que não gosto, digo isso porque percebo um certo milindre entre os brasileiros quando alguém diz na lata que não gosta do cinema nacional. Eu estaria mentindo se não dissese que acho 90% dos filmes toscos, chatos, etc. Espero um dia poder dizer com toda sinceridade que tenho gostado dos filmes feitos por aqui, pelo menos a evolução é evidente. Cara, “Clube dos Cafajeste” é um clássico maravilhoso (John Belushi deixou saudades), sem comparação com o “American Pie”, que eu citei apenas como exemplo por baixo. Um abraço, meu velho. E não me leve a mal, desculpa qualquer coisa.

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  19. Não espere uma obra de arte q o filme não é, mas q ele eh ,ainda sendo inferior a outros do gênero nos EUA, muito superior a qualquer coisa feita no brasil isso eh!
    os caras sabem regionalizar, atingir faixas etárias e tudo mais… cinema q premia xuxa, da pra ver o nível… eh q nem dar um oscar pela obra pro micheal bay, da licença!

    concordo com vc samuca!

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  20. Boa noite,

    Não sou “cinéfilo”; prefiro um bom livro a um bom filme. Logo, presumo que todos vocês assistam a mais filmes do que eu, razão pela qual os meus critérios decerto são menos exigentes.

    “Se Beber” é uma comédia simples, despretensiosa, direta. Um filme honesto, que entrega o que promete. Ninguém esperava algum Buster Keaton ou Mel Brooks a caminho.

    Na minha visão de leigo, há basicamente três tipos de filme: os que você assiste para refletir e/ou apreciar uma trabalho bem feito (Laranja Mecânica, Tempos Modernos, Forrest Gump, Coração Valente e todos os demais clássicos); os que se assiste para passar o tempo, quando não há nada melhor pra fazer e você enjoou do Wii (“Se Beber” e zilhões de outros); e os filmes que não merecem preciosos segundos de vida (todos os da Sessão da Tarde, exceção feita a Curtindo a Vida Adoidado).

    Em suma, quando me perguntam o que achei do filme, digo que gostei. Ri bastante, como não ria desse gênero de filme há muito tempo. Quando me perguntam se é bom, são outros quinhentos. Depende do que é BOM para você. Filme BOM para mim é “Ben-Hur”. “Se Beber” é uma comédia que faz rir, logo é eficiente.

    Abraços a todos!!!

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  21. Olá Rodrigo. Primeiramente quero te dizer que fiquei muito feliz em encontrar este seu site (e encontrei hoje). De primeiríssima qualidade. Em segundo lugar, fico feliz em saber que és meu xará (isso prova que os Rodrigos conhecem bem o cinema, rsrsrs). Em terceiro lugar é bom saber que você é daqui, da nossa boa terra Recife, e eu gostaria de saber como lhe achar no twiter para poder lhe seguir, afinal, estou falando com um professor (doutorando) na área de crítica cinematográfica não?? Em quarto lugar, você não sabe o quanto é bom achar alguém de peito que realmente fale a verdade sobre esse filme. Eu estudo, estudo, estudo e não compreendo como filmes semelhantes a The hangover (mas uma título de filme derrotado pela tradução nacional) conseguem ficar tanto tempo em cartaz nos cinemas, e lotando as sessões todos os dias.
    Pra mim é um filme medíocre. Não consegui me divertir, principalmente porque o roteiro é muito fraco e inverossímil demais. Os personagens ficaram bem forçados e (concordo plenamente com você) a minha sensibilidade não conseguiu ver nenhuma diversão com eles. Nem sei. Depois de assistir, fica a sensação de não ter assistido o mesmo filme que as outras pessoas assistiram. De qualquer forma, parabéns, e a partir de hoje, acompanherei suas críticas aqui, além de muito eficazes, são de alguém da minha terrinha. Abração.

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  22. esse realmente nao conseguiu descer pra mim. depois que vi o tigre no banheiro nao quis nem chegar ao resto. pior que nao ri, nao achei graça das piadas do casamento com uma stripper e as drogas para poder curtir a vida. o fato das pessoas tornarem o evento super divertido e único porque estavam chapadas não desceu na garganta.

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  23. SE BEBER NÂO CASE… É apenas uma comédia um pouco diferente, dá para rir aqui e ali … Tanto faz se voce assistir ou não. Pessoal, vamos amadurecer !!! Comparem por exemplo com DUPLEX … Agora sim estamos falando de uma boa comédia !

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