X-Men Origens: Wolverine

[rating: 2.5]

A escalação do ator australiano Hugh Jackman como Wolverine, no primeiro exemplar da franquia “X-Men” (2000), funciona como ótimo exemplo do chamado “efeito borboleta” (a interferência do acaso na vida das pessoas). Ele havia testado para o papel, que acabou nas mãos de outro ator, Dougray Scott. Por causa de um ombro deslocado, contudo, Scott teve que ser substituído e Jackman, que cantava e dançava em um musical nos palcos da Broadway na ocasião, tirou a sorte grande. Sua versão sarcástica e musculosa de Wolverine, fiel à imagem do personagens nos quadrinhos, cativou os fãs e o transformou em astro internacional.

Primeiro longa-metragem da franquia após a trilogia cinematográfica original, “X-Men Origens: Wolverine” (X-Men Origins: Wolverine, EUA, 2009) cumpre exatamente aquilo que o título promete: mergulha no passado e explica o surgimento do mais amado mutante da Marvel. Obviamente, a química impecável entre ator e personagem, vitaminada pela aprovação unânime dos admiradores dos quadrinhos, teve influência decisiva na escolha de Wolverine para iniciar um novo ciclo de filmes dos X-Men. Este novo ciclo, que deve narrar o surgimento de cada um dos mutantes mais populares entre os fãs, foi concebido em um formato de produção que torna os custos mais aceitáveis do que os gigantescos orçamentos propostos para o segundo e o terceiro filme da série.

O problema da grana, aliás, foi mera conseqüência do sucesso do primeiro filme. Com os salários dos atores inflados por causa da popularidade adquirida, as negociações nos contratos seguintes se tornaram mais problemáticas. A Marvellogo percebeu que não seria possível escalar oito ou dez atores com mega-salários a cada novo filme dos X-Men. Como solucionar o impasse? Substituindo o cardápio completo de mutantes a cada novo filme, que passa a ter um protagonista solo (este sim, com salário devidamente inchado). Ou seja, um formato que permitisse a produção de cada longa-metragem por valores entre US$ 60 e US$ 100 milhões, aceitáveis para filmes desse porte.

Tantas informações deixam evidente que as questões criativas ficam em segundo plano, quando se trata de um blockbuster para multidões de garotos na faixa dos 16 anos. O desafio do diretor Gavin Hood, portanto, seria entregar um filme para eles (muitas cenas de ação física, humor sarcástico, efeitos especiais caprichados, aparições rápidas de mutantes famosos) e ainda assim manter a veia criativa apresentada na trilogia original, notadamente nos dois filmes dirigidos por Bryan Singer, certamente dois dos melhores filmes de super-heróis já feitos no cinema. Uma tarefa que Hood alcança apenas parcialmente. Sim, “Wolverine” capta bem a personalidade do herói, tem um par de seqüências de ação instigantes e apresenta as habilidades de alguns novos mutantes. No processo, contudo, desapareceu o subtexto adulto que discutia questões de preconceito. Sobrou, apenas, uma aventura juvenil bem realizada, capitaneada por um ator talentoso e extremamente à vontade. Nada mais.

Sob certo aspecto, existe uma ligação direta entre este filme e “X2” (2003), o melhor longa dos X-men. Naquela obra, um Wolverine desmemoriado vivia uma aventura paralela em busca de suas origens, chegando inclusive a visitar as instalações militares onde havia sofrido dolorosos implantes de metal. O roteiro de “X-Men Origens: Wolverine” não poupa esforços para dirimir todas as dúvidas mantidas após a conclusão da aventura de 2003. As lacunas deixadas por aquela narrativa (inclusive o motivo pelo qual o mutante das garras de metal não lembra de nada do próprio passado) são preenchidas com lógica perfeita. Este é o aspecto mais positivo do roteiro, e um deleite para os fãs de longa data dos quadrinhos.

Da mesma forma, merece aplauso a escalação de Liev Schreiber para o papel crucial do mutante-irmão de Wolverine (Dente-de-Sabre). Sabe-se que o próprio Hugh Jackman foi o responsável pela escolha feliz – como produtor executivo do longa, ele tinha direito a tomar decisões criativas, e o fez colocando um amigo da vida real no papel do irmão de sangue e principal adversário. A química entre os dois atores faz do primeiro ato a melhor coisa do filme – uma longa seqüência que mostra o envolvimento de ambos em conflitos bélicos desde o século XIX, e vai ampliando a distância emocional entre eles, até a ruptura completa durante a Guerra do Vietnã. A direção de Gavin Hood abre espaço para os atores brilharem sem deixar de caprichar na parte visual, com citações e inúmeros filmes de guerra importantes (“O Resgate do Soldado Ryan”).

A partir daí, o filme se transforma numa aventura mais ou menos comum, com uma subtrama romântica improvável mas bem encaixada na trama, e pelo menos uma cena realmente empolgante: a visita de Wolverine à cidade de Nova Orleans (EUA), em busca de um mutante especialista em trapacear no jogo de cartas – Gambit é talvez o segundo personagem mais querido dos leitores dos quadrinhos, atrás apenas do próprio Wolverine. Aliás, o nome indígena do personagem também ganha uma explicação convincente. No geral, embora haja as inevitáveis seqüências estilo “já-vi-isso-antes-milhões-de-vezes”, a aventura-solo do mutante fã de charutos cumpre bem o papel de entreter com certa dose de inteligência.

O DVD simples da Fox traz o filme com enquadramento original (widescreen anamórfico) e áudio em seis canais (Dolby Digital 5.1), mais dois comentários em áudio com o diretor (sozinho) e com dois produtores. O disco duplo traz dois pequenos documentários, cenas cortadas e trailers.

– X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine, EUA, 2009)
Direção: Gavin Hood
Elenco: Hugh Jackman, Liev Schreiber, Danny Huston, Lynn Collins
Duração: 107 minutos

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21 comentários em “X-Men Origens: Wolverine

  1. Vi o filme e não consegui me empolgar em nenhuma cena. Esperava mais de um filme de Wolverine. Mas, no fim, valeu a pipoca e o refrigerante.. =D
    Concordo com Rodrigo, a escalação de Liev Schreiber para ser Dentre de Sabre foi um tiro certeiro, ele encarna o personagem e nos proporciona boas cenas.

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  2. Rodrigo,

    Para quem lia os quadrinhos, o filme é uma decepção quase completa. Muito bom na parte visual e na parte das cenas de ação, mas com um roteiro muito fraco. Contar a formação, ascensão e queda da Tropa Alfa em um minuto foi de doer. Ficou no mesmo nível ruim de X3.

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  3. Para mim, Rodrigo, esse filme só se transformou naquilo que eu esperava dele a partir da cena em que Logan se torna mesmo o Wolverine. Porém, concordo contigo que o Liev Schreiber é uma das melhores coisas de “X-Men Origens: Wolverine”.

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  4. O filme tem muitos altos e baixos, hugh virou o wolverine de vez, e o dente-de-sabre (liev) parece q vai tomar o mesmo rumo, contudo esperava mais do lado político como vc mencionou, essa foi a minha maior decepção ao lado dos cem anos da história do herói que poderia ter sido muito melhor explorado.
    Como entretenimento foi muito válido, mas esperava mais.

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  5. Rodrgo. O filme é bom ms podia ser muuuuuito melhor. Infelizmne pra quem é fã das HQs mudam muita coisa. A Arma X (que dava um filme completo) dura só uns 10 mnutos de cena. Nas HQs quando o Wolverine mata o pai com as garras de osso tal fato vira um trauma e ele, psicologicamente, retrai as garras e nunca mais as usa até quando é capturado (e não vai pq quer) po projeto Arma X. O Projeto é tão traumático (dura dias ou meses de tortura) que ele novamente coloca incoscientemete as garras pra fora e perde a memória pelo trauma do projto e não por bala na cabeça. Acabaram com a psicolgia meo freudiana da coisa.
    Outro detalhe: no filme o Wolverin apanha tanto antesde ter o esqueleto de adamantium que acho que nem fator de cura ia consertar tantos ossos quebrados.
    No geral é um bom filme pena ter mudano tantos talhes e ter um diretor tão clichê. Faltou coragem pra um filme mais adulto e sério. Que venha um Wolverine 2 pelo Brian Singer.
    ùltimo detalhe: a atriz que faz a namorada do Wolverine (a Rapos Prateada) é lindíssima de cair o queixo, qual é nome da beldade? Ela nem prcisava de poder mutante pra me mandar fazer qualquer coisa hehehehehhe

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  6. É o tipo de filme que quando a gente sai do cinema, da vontade de entrar com um processo na justiça pra conseguir o dinheiro de volta; Cara que roteiro ridículo! parece que foi tirado diretamente de algum folhetim daquelas novelas bizonhas e cheias de mutantes da Record… Tudo é muito constrangedor pra um fã do Wolverine, do efeito especial pastelão das garras de adamandium a luta final com o Deadpool(?!). A unica coisa que vale a pena é a participação do ator Liev Schreiber como dente de sabres. Faça um favor a si mesmo leia a ” Arma X ” a obra prima de Barry Windsor-Smith, a melhor coisa que ja fizeram sobre a história do Wolverine ou qualquer outra coisa que ja fizeram no universo X-Man.

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  7. definitivamente a cena do banheiro ficou tosca. O final do filme sem climax, o Wolverine vai embolra depois volta. depois ele escala aquela estrutura?! sem motivo, o pior fugindo da luta, só pra mostrar que o Deadpool se teletransportava, Chavier andando? Ciclope já tinha encontrado dentes de sabre antes do 1 filme. Como Striker aconselhava sobrea criação de registro de mutantes no X2 se ele matou um outro coronel lá? Um filme desse tinha que ter mais de 2 horas de duração.

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  8. tem muita cena mal feita nesse longa. axo que um acabamento mais refinado valia a pena. as garras de wolwerine cresceram absurdamente dos filmes anteriores para cá.

    a cena do professor xavier tb ficou super tosco o fundo falso.

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  9. Luzo, sobre o Striker mata o Coronel não achei furo não. Depois de uma destruição daquela no local e dele ter sido “hipnotizado” pela Raposa Prateada quem poderia provar que ele mtaou o Coronel???? Ele se safou dessa caso tenha ido pra julgamento tranquilão e ainda botou a culpa nos mutantes……
    E o Xavier andando tá certo…ele ficou aleijado depois…..

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  10. Robson, verdade, pode ter acontecido isso, mas a cena que ele mata o outro coronel é no mínimo desnecessária, já que imagino que não seria apenas o coronel que sabia sobre o filho de Striker e, se ele se safa depois, no julgamento, a cena não serviu pra acrescentar nada. Teriam muitas outras vertentes da história do passado de Wolverine a serem exploradas.

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  11. É luzo, o que não falta no filme são cenas desnecessárias heheheheheh. A do helicóptero pegando fogo e o Wolvie saindo em câmera lenta é muuuuuuuuuuito clichê e canastrona hehehheheheh.

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  12. Amigo Rodrigo Carreiro, me desculpe mas você está de brincadeira né? com certa dose de inteligência? nunca. Esse filme é puro caça níquel, história mal desenvolvida, roteiro perdido, personagens mal-aproveitados. Pra você ter uma idéia, a cena do trailer do jovem Scoot Summers foi só para as pessoas ficaram se perguntando que mutante era aquele, já que ele não influi e nem contribui com o filme. E isso tudo pra que? para conseguir mais porcentagens em cima de um herói querido. A produção criativa de Hollywood se esgotou, YOU HEAR ME HOLLYWOOD? YOU’RE DONE, se você entregar uma produção pra qualquer diretor latino ou Euroupeu, produção essa independete, com certeza se desenvolveria algo melhor.
    Fica aqui meu manifesto, o filme é horrível.

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  13. Eu geralmente não sou de reclamar de filmes, mas este foi triste. Não pelas atuações. Hugh sempre a vontade na pele do Carcaju. Liev, incorporou dentinho da melhor forma possível. A Raposa Prateada linda demais.

    Mas o roteiro foi duro de aguentar. De onde diabos tiraram esta história de balas de adamantium? Que negócio é este do Wolvie se entregar de bom grado ao projeto Arma X? Put’s… em algumas cenas eu juro que fiquei constrangido com o filme. Minha esposa como não conhece a história achou tudo muito legal, mas o filme é um desastre.

    O X3 foi outro exemplo de que de vez em quando é melhor não fazer concessões artísticas ao cinema e tentar manter de alguma forma por mais difícil que seja a história original…

    Tomara que os próximos filmes tenham um diretor a altura de Brian Singer e que pelo menos beirem o X2.

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  14. Ei!! Star Trek humilhou Wolverine em todos os aspectos possiveis. Foi com Star Trek que começou verdadeiramente a temporada de blockbusters. Resolvi apagar Wolverine da memoria, filme mto fraco.

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