Nina e o peixinho

Há uma semana, a “família” lá em casa ganhou o acréscimo de sete peixinhos e um aquário enorme. Neste domingo, depois de uma semana em que tudo correu conforme o figurino, a primeira baixa. Para acostumar as crianças com a idéia da morte (um conceito super-complicado de explicar a meninos pequenos), não escondemos nada das duas. Fizemos até uma quase-cerimônia de despedida. Elas puderam dar adeus ao peixinho morto, rezaram para ele entrar no “céu dos peixinhos” e jogaram descarga abaixo, com a maior pompa.

Algumas horas depois, minha filha mais velha teve insônia. Nina tem 4 anos. Pegou no sono às 18h, dormiu até as 23h e acordou querendo ver as Videocassetadas. Jantou e não dormiu mais. Fiquei com ela procurando umas cacetadas antigas no YouTube, depois jogamos um pouco de memória, e nada de ela querer voltar para a cama.

Lá pelas 2h, já babando de sono, fiz um acordo com ela. Coloquei o DVD de “Os Incríveis”, deixei a porta do quarto aberta e pedi para ela me chamar se quisesse alguma coisa. E completei:

– Papai está morto de sono!

Nina olhou para mim, espantada.

– E você vai morrer agora?!?!

Um daqueles momentos em que a gente não sabe como responder. Ainda mais quando está quase caindo pelas tabelas.

– Não, filha. A gente diz que está “morto de sono” quanto está quase dormindo, sem agüentar mais ficar acordado. É um jeito de falar. Eu não vou morrer. Só vou dormir.

– Ah, sim. Porque hoje já morreu o meu peixinho.

5 comentários em “Nina e o peixinho

  1. “Morrendo de sono”… “Com o coração na mão”… tenho uma figurinha com essa idade que também não entende certas coisas que os adultos dizem hehehe… Já o mais velho (que hoje é adolescente) quando tinha mais ou menos essa idade perguntou: – vovó, a senhora já é velha , né? Não já devia ter morrido? … rsrsrs…imagina…

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  2. Hahauhauhau. Não é à toa que o seriado “Chaves” faz sucesso até hoje. Roberto Gómez Bolaños soube retratar como ninguém essa fantástica imaginação tão característica das crianças. Elas são portadoras de uma ingenuidade que é absolutamente encantadora. Parabéns pelas filhas, Rodrigo!

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  3. Ai, que fofa a sua filha. Eu acho que ser criança é o maior barato. A gente vive uma fase de descobertas, a nossa criatividade está a mil. Elas tornam nosso mundo mais leve, a gente aprende a não levar tudo muito a sério.

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  4. A professora da minha filha de cinco anos pediu pra que desenhassem o que os pais mais gostam de fazer na vida. Como eu estava de licença médica do trabalho, minha filha me desenhou deitado e assistindo TV. Fiquei com a impressão de vagabundo. Parece que vai ser cartunista também. E eu pensando que sabia fazer desenho de humor.

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