Na lista negra do YouTube

Um fato estranho que eu gostaria de compartilhar com vocês.

Como os leitores mais fiéis devem saber, publiquei o videocast sobre som offcreen no último sábado pela manhã. O vídeo foi gravado e editado na sexta-feira à noite. Mais ou menos à 1h da manhã, quando finalizei tudo, coloquei o vídeo para fazer upload para o YouTube e fui dormir, deixando o computador ligado.

Ao acordar, pouco depois das 7h, fui checar se a operação tinha corrido bem. Sim, sem nenhum problema; o que me deixou intrigado foi uma mensagem do YouTube que já estava em minha caixa postal.

Esta mensagem avisava que meu videocast recém-postado continha cenas de propriedade da MGM, e portanto o vídeo estava sujeito a ser retirado do ar, sem aviso, pelos administradores do serviço, caso a MGM o solicitasse.

Confesso que fiquei perplexo com a agilidade do YouTube. Num espaço de mais ou menos cinco horas, algum funcionário da empresa tinha assistido ao meu vídeo, identificado nele um trecho de filme da MGM, e me enviado um e-mail com o alerta.

De fato, duas das três cenas de filmes de Sergio Leone que constam do videocast (“Por um Punhado de Dólares a Mais” e “Três Homens em Conflito”) foram lançados em DVD pela MGM. “Era uma Vez no Oeste” pertence à Paramount, o que me leva a crer que esse estúdio também pode tirar meu videocast do ar a qualquer momento.

Fiquei pensando um bocado sobre o fato. Como alguns de vocês devem lembrar, há alguns meses tive o dissabor de ter um videocast retirado do YouTube, a mando a Universal, porque o vídeo continha um trecho de “Tubarão”. Cheguei à conclusão de que minha conta no YouTube deve estar fazendo parte de uma espécie de lista negra, e toda a movimentação feita nela – ou seja, toda inclusão de vídeos – está sendo monitorada pela equipe do site.

Não sei o que é mais chato: a sensação de estar sendo “vigiado” pela equipe do YouTube, ou o fato de ser intimado a não utilizar mais trechos de filmes nos meus comentários sobre os mesmos.

Sim, a mensagem do YouTube deixava claro que eu estava infringindo a lei norte-americana (a sua contraparte brasileira autoriza o uso de trechos audiovisuais curtos, de até 30 segundos, e eu sei disso porque trabalhei na Globo por cinco anos). Não é isso que me irrita, mas a aplicação incondicional e impassível de uma legislação que acaba por se revelar burra, já que duvido que qualquer um dos videocasts leve um espectador a decidir não ver determinado filme – o mais provável é que ocorra o contrário!

Antes que perguntem, eu já uso outro serviço de armazenamento on-line de vídeos (essencialmente, para fazer back up). Mas nenhum dos muitos sites semelhantes espalhados pela Internet tem a velocidade, a estabilidade e a abrangência do YouTube.

10 comentários em “Na lista negra do YouTube

  1. Olha Rodrigo, acho que o maior público dos seus videocasts ficam sabendo deles através do próprio Cine Repórter. Acho que postar os videos em qualquer site menos movimentado que um You Tube ou Google Videos vai ajudar, e o público continuará assistindo.

    Abraço!

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  2. G4mbit, a coisa não é tão simples assim. Tente assistir ao videocast de “Tubarão” (que está no Vimeo) e qualquer outro, e verá que a diferença de performance é enorme. Outros serviços de hospedagem de vídeos carregam-nos muito mais lentamente, e às vezes demoram dias para fazer a conversão e publicação. No YouTube tudo isso é instantâneo, e a velocidade de upload é bem maior.

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  3. Rodrigo, o Youtube tem um sistema que é programado para o envio destas mensagens. Provavelmente ninguém da MGM assistiu ao seu vídeo, mroas dentro do pgrama, no sistema (no código) jánsa tem uma programação para o envio das mensagens para aquele video. Entende? No banco de dados do Youtube existem milhões de videos e audios com listados, então sempre que você coloca um video lá, o sistema busca nesta lista e, se já tiver lá, é porque é protegido, logo você recebe a mensagem.

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  4. Até compreendo que a tal blacklist possa ser um filtro virtual, mas não consigo entender que filtro conseguiria identificar o estúdio que possui os direitos de um trecho de filme utilizado no meio de um vídeo. Nesse caso, por que eu não recebi uma mensagem igual da Paramount (já que existe também um trecho de filme deste estúdio no mesmo videocast?). Não sei não… de qualquer forma, isso não vem muito ao caso. O problema central diz respeito a tentar encontrar uma alternativa que não implique em reduzir a qualidade do serviço.

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  5. Entendo. Quanto à lei dos 30 segundos, não sei se vale para um site internacional, mesmo que este tenha uma versão brasileira. Vou procurar no Código Civil se tem alguma citação à casos de internet.

    Abraço!

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  6. Com certeza a legislação que rege o YouTube não é a brasileira, G4mbit. Disso eu tenho certeza. O fato é que, tecnicamente, eu sei que estou errado. Mas só tecnicamente, já que o videocast tem uma função educativa explícita, que favorece o produto (sem desvirtuá-lo ou desvalorizá-lo de nenhum modo). Isso é algo que o “filtro” (seja ele humano ou virtual) do YouTube não consegue enxergar.

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  7. Rodrigo,

    A questão é que “eles” não querem ser “favorecidos”, segundo seu ponto de vista e sua ética, mas apenas pelos códigos de seus interesses… Talvez esse seja um dos maiores desafios da sociedade atual: a configuração de uma Ética da Informação e de uma ordem jurídica baseada nessa (nova) ética. Claro, são enormes os interesses em conflito na revisão do que compõe o “Direito da Informação” na sociedade “digital”.

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  8. É a famosa censura prévia. Não importa o objetivo, a causa. Para eles é melhor tirar antes e pronto. Quanto ao sistema, novas tecnologias anti-pirataria (não que este seja o caso, claro) permintem a criação de “fingerprints” em arquivos de vídeo e áudio. Sempre que encodamos um vídeo no Youtube ou em outros sistemas similares, os vídeos passam por esta leitura comparativa em um banco de dados, cheios de materias das distribudoras que não autorizam a exibição de seus conteúdos. Encontrado um trecho de áudio ou vídeo com o “fingerprint”, seu vídeo é removido automaticamente pelo sistema. Foi a forma que o Youtube encontrou para não ser derrubado pelas grandes corporações como o Pirate Bay e outros já foram, apenas por “armazenar conteúdo com direitos autorais”.

    É uma pena. Provavelmente este vai ser um dos maiores dilemas da internet nos próximos anos. Como utilizar conteúdos com direitos autorais sem causar problemas, mesmo que o objetivo seja totalmente o oposto da pirataria ou de algum tipo de crime.

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  9. Boa explicação, Alexandre. Dei uma pesquisada no Google e você matou a charada. De fato, eles andam usando dois sistemas idênticos de fingerprints, um para vídeo e outra para áudio. E pelo menos até agora, o vídeo não foi banido (provavelmente ele foi parar em alguma lista que deve ser enviada à MGM para análise por lá). Isso deixa antever que há dois tipos de acordos entre o YouTube e os estúdios: uma parte deles manda tirar do ar no ato (a Universal deve ter feito isso com o videocast de “Tubarão”) e outra coloca-os numa lista negra.

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