Gran Torino

[rating: 4]

O título do filme sugere algum tipo de longa-metragem baseado em games eletrônicos de corridas de automóvel. Quem imagina isso, aliás, não está totalmente errado, já que “Gran Torino” (EUA, 2008) é mesmo um lendário modelo de carango envenenado, da Ford, que fez muito sucesso na década de 1970 e continua sendo venerado por colecionadores de carros antigos. Mas a função narrativa do veículo, dentro do melodrama de Clint Eastwood, não tem nada a ver com estradas. Ele funciona como dupla metáfora visual. Dentro do mundo ficcional, é o objeto que define a personalidade de Walt Kowalski (Eastwood), veterano ranzinza que odeia o mundo e protagoniza a história. Na vida real, reúne atributos que personificam a própria carreira do astro e diretor – clássico, eficiente, robusto e dinâmico, apesar da idade – e definem muito bem o filme em si.

Vale a pena relembrar, mais uma vez, a surpreendente trajetória de Eastwood, um ator mediano de faroestes e policiais violentos que migrou para a direção, nos anos 1970, e construiu uma obra sólida e diversificada como poucos artistas de sua geração. Há pelo menos duas décadas, Clint vem filmando com uma rapidez impressionante (às vezes até dois títulos por ano, como aconteceu em 2008, quando o astro completou 78 anos de idade), quase sempre filmes de qualidade superior à média, alguns deles verdadeiras obras-primas. Além disso, nenhum outro cineasta reexaminou criticamente a própria carreira – e a própria vida, por que não? – com a mesma serenidade esboçada por ele. “Gran Torino” é um legítimo exemplar do cinema simples, honesto e emocionante com que Eastwood tem brindado o público cinéfilo em 40 anos de cinema.

“Gran Torino” apresenta vários dos temas centrais da obra tardia de Clint Eastwood. Espectadores mais atentos irão perceber grande semelhança com o premiado “Menina de Ouro” (2004). Os dois filmes têm como eixo central uma relação inusitada de amizade (como uma paternidade não-sanguínea) entre um homem velho e desiludido, interpretado pelo próprio diretor, e um jovem incompreendido pelos familiares. Em “Gran Torino”, contudo, há uma inversão de papéis. Aqui, o protagonista é o idoso, e não o jovem, como aconteceu no longa-metragem vencedor do Oscar de melhor filme em 2005. O personagem de Eastwood é basicamente uma variação do treinador de boxe de “Menina de Ouro”: um sujeito antiquado, solitário, misantropo, que ergueu uma barreira entre si e o mundo – uma barreira derrubada pelo mais improvável dos personagens (no caso, um descendente de asiáticos), com quem acaba por construir uma relação genuína de pai e filho, que ele usa como acerto de contas com os traumas do passado.

Mais uma vez, trata-se de um melodrama. Boa parte da assombrosa rapidez com que Eastwood trabalha tem a ver com a repetição sistemática dos membros da equipe criativa (isso economiza tempo nos sets, já que todos se conhecem), mas reflete sobretudo a maneira clássica, simples e despojada como o cineasta filma: câmera de movimentos sóbrios e elegantes, planos gerais, tomadas longas, cortes secos que valorizam a idéia de continuidade. Os personagens coadjuvantes, como em todo bom melodrama, quase sempre são rascunhados sem muito cuidado, de forma que a narrativa não perca muito tempo com detalhes sem importância, e se concentre na dinâmica da relação central entre o Seu Lunga do meio-oeste americano e o rapaz de ascendência coreana (Bee Vang) que, sob pressão da família, não sabe direito o que fazer da vida.

Dê uma boa olhada na maneira como Eastwood usa o primeiro ato para construir a personalidade de seu protagonista: através de ações, não de palavras, e com a ajuda valiosa da direção de arte. Walt Kowalski é um veterano da guerra da Coréia, um típico habitante da região mais conservadora dos EUA. Tem uma casa com garagem ampla e recheada de ferramentas, bandeiras americanas espalhadas por todos os cômodos e um carro vintage que quase nunca sai da toca, é tratado como bebê e vira objeto de cobiça de toda a vizinhança. Misógeno de carteirinha, Walt não se dá bem com os filhos, e nem se importa muito com isso. Seu programa favorito é sentar na varanda com uma caixa de cervejas e ficar bêbado, enquanto grunhe para qualquer um que passe perto do gramado bem aparado.

O carro é o elemento que o aproxima da família de imigrantes asiáticos que vive na casa ao lado (o fato de Kowalski ter lutado na Guerra da Coréia, claro, não é coincidência). O cineasta introduz um lamento certeiro sobre a falta de rumo da juventude contemporânea, expia mais uma vez os desacertos familiares que marcaram sua própria história (prestou atenção como os pais, em filmes dele, nunca se dão bem com os filhos interesseiros?) e abre espaço generoso para que os atores se destaquem, com desempenhos sempre naturais e interessantes – e não falo apenas de Bee Vang e Ahney Her, que faz a irmã do garoto, mas também de coadjuvantes como Christopher Carley (o jovem padre) e John Carroll Lynch (o barbeiro, sempre ótimo). O final não chega a ser dos melhores, já que dá para antecipar com certa facilidade o que vai ocorrer a partir do início do terceiro ato, e a semelhança excessiva com “Menina de Ouro” impede o longa de se tornar mais uma obra-prima na carreira de Eastwood. Apesar disso, o trabalho possui o selo legítimo de qualidade que tem marcado a carreira improvável e espetacular deste monumento do cinema norte-americano.

O DVD nacional leva o selo da Warner. Traz o filme com enquadramento correto (widescreen anamórfico), áudio em seis canais (Dolby Digital 5.1) e dois featurettes como extras.

– Gran Torino (EUA, 2008)
Direção: Clint Eastwood
Elenco: Clint Eastwood, Bee Vang, Ahney Her, Christopher Carley
Duração: 116 minutos

42 comentários em “Gran Torino

  1. meus amigos . ali não é um só filme. é uma aula de vida, de cinema, de belo, de dedicação. o menosprezo pela simplicidade é enorme, hoje em dia. o filme é a condensação final da obra de eastwood. ali está o ator o diretor, o roterista o compositor, o cowboy. o filme mostra valores perdidos, identidade perdidas. mas mostra tambem a esperança na transformaçao do velho ao novo. do encontro do velho e do novo. da convergencia das diferenças. uma visão aparetemente distoricda que tende ao equilibrio. a morte tudo resolve. é perturbador vemos isso na nossa cara todo dia. mas ali tambem se aponta a saida esse é o merito do filme. faz-nos acreditar na mudança na esperança na transformação. nao há patriodada, falsas ideologias, linguagem futurista ou qualque idiotice glamourizada pela estatueta. ali esta a vida de uma parte do mundo que podia ou melhor que é seu. tenho dito. pois alguem já dizia isso.

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  2. Excesso de respeito aqui, hein Rodrigo? Gran Torino me frustrou bastante, não apenas pelo final preguiçoso, mas principalmente pelos cacoetes temáticos e estilísticos do velho Clint. A idade não é desculpa para a repetição. Todos os anos ele vai querer sair com um título sobre arrependimento, redenção inalcançável… Não quero bater forte, mas estou cansando.

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  3. Bruno, meu raciocínio é o seguinte: a mesma argumentação pode muito bem ser utilizada contra ou a favor de um cineasta. Quando um crítico deseja louvar um diretor que aprecia, diz que o cara é um autor porque tem um tema recorrente, que reaparece a cada novo filme. Quando o mesmo crítico quer falar mal de um diretor, diz que ele se repete. É o mesmo argumento, ou estou enganado? De minha parte, coloquei lá no meio da crítica: esse filme é uma variação de “Menina de Ouro”. Por isso, não é obra-prima. Mas é um belo filme, coerente com a obra pregressa do cara.

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  4. Também quero muito ver este filme, e já comecei a gostar pela música tema interpretada por JAMIE CULLUM, muito bonita, composta pelo cantor e CLINT.
    Abçs.

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  5. Vida. Morte. Família. Amizade. Temporalidade. Juventude. Velhice. Religião. Imigração. Preconceito. Drama. Humor. Suspense. Tem de tudo! Filmaço. Sou suspeito pra falar, pois sou muito fã do Clint Eastwood. Gran Torino é pra ver e rever. Abraço a todos!

    “What the hell does everybody want with my Gran Torino?”

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  6. Eu acho que o Eastwood não deu sorte em 2008. Os dois filmes que ele fez são bons, mas não possuem nada de extraordinário! “Gran Torino” vale pela história, pela jornada do Walt. Achei as atuações, incluindo a do Clint, muito fracas. Só se salvou mesmo a Ahney Her.

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  7. Antes de mais nada, “Gran Torino” é uma comprovação da grande qualidade de Eastwood enquanto criador da sétima arte.
    Ele compreende e domina a arte de contar uma boa história como ninguém, e por mais que o acusem de repetitivo, o fato é que tudo que ele faz fica muito acima da média (como já disse Rodrigo, em sua ótima crítica).
    Ademais, um ponto de inovação que os seus detratores possivelmente não observaram foi o extenso conteúdo de humor de “Gran Torino”, humor negro e politicamente incorreto é verdade, mas eu nunca vi tanta gente rindo tanto num filme dele.
    Também gostei do final, apesar de ser um pouco previsível, é bastante coerente com o personagem, que sempre expressou que a sua maior qualidade era a coragem e o rigor moral, e não a violência (como alguns podem achar).
    P.s – Rodrigo, você não acha que “misantropo” seria um adjetivo que melhor que “misógino” para qualificar Walt Kowalski??? Afinal a aversão dele parecia ser contra toda a sociedade, e não apenas específica contra as mulheres.

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  8. Não é uma questão de certo ou errado, mas do que se encaixa melhor.
    Estava apenas discutindo o seu texto, não quis parecer ofensivo.
    Se o meu comentário lhe desagradou, peço que me desculpe.

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  9. Eu também fiquei um pouco frustrado com o filme. Achei que o terceiro ato ficou um pouco lento e deixando muito a desejar no final.
    Na última sequência do filme com a música do Jamie Cullum ao fundo, parecia mais um comercial do carro que dá título ao filme.

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  10. rodrigo, aproveitando o gancho, quando diz NARRATIVA, objetivamente, o que é a narrativa? A linguagem cinematográfica(movimentos de câmera, ângulos etc) formam a narrativa, que por sua vez faz parte da estética? E o que exatamente é a estética? O que envolve a estética? Me disseram que, pra saber, deveria ler Platão, Kant, Hegel, mas isso me parece exagerado – e fora do contexto cinematográfico. E a forma tange à quê? Quando dizem ‘o cinema formal de antonioni’ concerne à narrativa, ao tema ou a quê?
    Desculpe a encheção, ñ obstante, são coisas que ficam na minha cabeça há tempos e não consigo uma resposta.
    abração.

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  11. Bom, pra explicar o que é narrativa e o que é estética, seria necessário um livro. São conceitos muito amplos e tão abstratos que até hoje os filósofos, cineastas, sociólogos etc os debatem. Mas, numa síntese simples, narrativa é o conjunto de ações dramáticas que formam o filme. E estética é constituída por uma série de escolhas visuais e sonoras (feitas pelo diretor) para apresentar, da melhor forma possível, a narrativa.

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  12. opa, muito obrigado pela resposta. de verdade! como leio as críticas do cinereporter há tempos, sempre vejo o termo ‘estética’ e pensei que era algo que você vê e ouve, mas não sabia quais os elementos a compõem. Só mais uma coisa(a última) o que quer dizer ‘o cinema formal de antonioni’? o que é a tal “forma” basicamente? a forma de contar, como dizia o godard? e o que quer dizer um filme com estética hollywoodiana?

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  13. Paulo, tuas perguntas são amplas demais para um espaço tão curto… quando falo de “rigor formal” em Antonioni, por exemplo, estou me referindo ao conjunto de procedimentos estéticos que marcam a obra dele, e aos quais ele se mantém sempre fiel… a forma do filme, como diria Eisentein, é literalmente aquilo que a palavra indica: o conjunto de elementos que constroem o filme… e estética hollywoodiana é o conjunto de códigos formais utilizados pelo cinemão dos EUA – e que se repetem com muita freqüência, como por exemplo a forma picotada de editar uma seqüência de ação.

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  14. Vi o filme e adorei. Mto divertido e Clint se saiu mto bem como velho rabugento e durão. Uma pena ter sido esquecido completamente no oscar. Achei o final meio apelativo e sentimentalóide, mas ao mesmo tempo foi tão legal… =D
    Unico ponto negativo do filme foi o rapaz que faz Thao, mto fraquinho.
    Rodrigo, será que vc sabe o nome da musica que toca bem no inicio dos créditos finais.. é q eu achei bonita e tive a ligeira impressão que é Clint q canta.. =D

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  15. Rodrigo, sua página vem crescendo qualitativamente a cada dia. Leio-a com frequência, ainda que raramente faça comentários. Parabéns por seu trabalho e dedicação! Em minha opinião você destacou bem a semelhança de “Gran Torino” com “Menina de Ouro”, dois filmes de grandes qualidades. Clint Eastwood já está – com justiça – mais do que canonizado como diretor.

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  16. Ontem uma amiga comentou comigo sobre esse filme, hoje vim buscar críticas, comentários e saber a respeito dele. Procurando encontrei sua página, e já fiquei por aqui (rs) além de tê-la adicionado aos meus favoritos. Sou leiga nesse assunto de cinema mas adoro filmes, por tanto volte meia vou estar te visitando para saber mais e comentar. Quanto a “Gran Torino”, li a sinopse e críticas, me interessei e lembrei já ter visto o trailer na exibição de “Milk” e “Slumdog”, vou ver se assisto para vir deixar meu parecer. Parabéns pela página, show!

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  17. “a semelhança excessiva com “Menina de Ouro” impede o longa de se tornar mais uma obra-prima na carreira de Eastwood” Uma grande bobagem dita aqui!

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  18. Mais uma vez o velho Clinton nos brinda com uma obra prima, a junção (adaptação) entre a civilização americana e oriental (lembrem-se que o americano matou muitos vietinamitas e vice e versa) entre o velho e o novo entre o dia-a-dia do homem de hoje e o passado de guerra, fantástico!
    Essa obra prima não aceita retoques nem críticas, só aplausos. O cinema queira ou náo queira vai ter que entrar na privida do ser humano e filmar as cores da sua bosta.
    Fantástico, Fantástico, vamos render todo nosso tributo ao DR. CLINTON WESTWOOD e muito
    obrigado Doutor, voce salva os momentos difíceis da nossa caminhada na terra e do nosso encontro com a morte.
    Obrigado
    FANTÁSTICO!.
    21.04.2009

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  19. O que você achou da atuação do coreano que é uma espécie de filho de Walt? Achei ele muito ruim!

    O filme é bom, mas precisa ter um energético para não dormir.

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  20. O final é sentimentaloide como disseram aqui mas funciona muito bem no filme e também como uma reavaliação de sua carreira como Rodrigo falou fazendo um paraelo com a mudança CLint ator x Clint diretor. Kowalski antes da guerra e depois da guerra. Durante o filme ele carrega o olhar pesado de quem tirou vidas no Vietnã e de como isso foi horrível, sendo assim 10 pra ele :).

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  21. ah..e mais uma coisa…é engraçado..tem cenas muitos engraçadas…pra quem gosta de humor negro, como eu. E não tem nada de drama pesado…é irônico, é um texto simples e eficiente, como disse o autor.
    Certamente, não é uma obra de arte, é entretenimento bem contextualizado.
    As caretas do Clint… o jeito durão e rabujento….nossa, impagável!…Ele é tão mal humorado e valentão….”fodão”…..que chega a ser engraçado….se pensar bem, um “cowboy” dos faroestes.

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  22. Engraçado, acabei de ver o filme e não achei o final nada piegas, ao contrário, foi muito bem planejado e corajoso da parte do Walt, foi como se ele armasse uma armadilha para os crápulas que estupraram a mocinha, como foi enfrentá-los desarmado e foi massacrado eles vão ser presos q é a melhor a vingança.

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  23. Um bom trabalho de Clint Eastwood, O final pode não ter agradado a todos, afinal muitos esperavam que Walt liquidasse com aquela gang, mas como já comentado pela Guenia Bunchaft ele armou uma armadilha para todos. Um final que sai do tradicional, mas não tira o mérito de Clint que novamente faz um bom filme.

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  24. Foi um otimo filme, Clint sempre fora um otimo ator, mesmo nos tempos em que nao dirigia, mas realmente concordo, que suas obras, tem muito a ver com seus personagens anteriores, Walt è parecido demais , fica a impressao de que è o Dirty Harry aposentado. Mas que nos sensibiliza no filme, è que Kowalski, nao tem um coraçao ruim, mas seu jeito e de alguem que possue feridas abertas, e ve justamente naquilo que desdenhava, algo muito mais em comum que seus proprios familiares, dali ve a necessidade de contibuir algo com sua experiencia, mesmo que o minimo, sendo uma figura paterna para um jovem imigrante asiatico{mesmo sendo xenofobo}. Sinceramente , no final eu fiquei triste, nao queria que isso acontecesse, pelo destino final de Walt, porem foi a morte de um heroi mais util e bem planejada que vi. No restante eu aprecio demais o jeito tranquilo e sereno de dirigir os filmes de Clint, tem boas pitadas de humor, no geral dou nota 8 pra este filme…..{desculpe pelos erros ortograficos, meu teclado esta uma droga, mas ao menos queria opinar , sobre este filme}

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  25. Olá, Rodrigo. Como sempre, sua crítica é excelente. Apenas uma correção: o personagem Thao, interpretado por Bee Vang, não tem ascendência coreana, e sim Hmong… os Hmong são originários das regiões montanhosas do sul da China, do norte do Vietnã e do Laos. A irmã de Thao, Sue, explica isso para Walt depois que ele a salva dos marginais. Esses Hmong ficaram ao lado dos EUA durante a Guerra do Vietnã; após a derrota dos estadunidenses, os vencedores comunistas passam a hostilizá-los e massacrá-los… é por isso que parte expressiva deles migra para os EUA.

    P.S.: seu espaço é o melhor site de críticas brasileiro que tenho visto. Continue assim.

    Abraço.

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