Entre os Muros da Escola

[rating:4.5]

François Bégaudeau é romancista. Já foi músico de banda de rock, desenhista e professor de Francês em uma escola na periferia de Paris. Esta última experiência profissional rendeu um romance naturalista em que expõe, com simplicidade e certo grau de rudeza, a complexidade das relações de classe na França contemporânea. O livro (lançado no Brasil em 2008, com o título de “A Turma”) rendeu, nas mãos do cineasta Laurent Cantet, uma poderosa reflexão cinematográfica sobre este tema, um dos focos primordiais de tensão nesses tempos de União Européia – a invasão do Velho Mundo pelos habitantes humildes das antigas colônias dos países ocidentais, sobretudo africanos e muçulmanos. “Entre os Muros da Escola” (Entre les Murs, França, 2008) se revela, desde o primeiro momento, um grande filme sobre essse caldeirão racial.

Como boa parte dos melhores trabalhos cinematográficos, o longa-metragem de Cantet investe na simplicidade e consegue, através dela, investigar uma multiplicidade de temáticas que enriquece a experiência da platéia. Em uma narrativa concisa, em que a ação dramática jamais ultrapassa o limite geográfico dos muros da escola (daí o título, tanto o original quanto a tradução), Laurent Cantet discute o problema da imigração na França contemporânea, a relação traumática entre colonizadores e colonizados – e há aí, inseridos, também problemas de raça e de religião – e, de quebra, a falência de um modelo de ensino baseado numa hierarquia rígida, em que o conhecimento caminha numa avenida de mão única (professores ensinam, alunos aprendem), em um processo que vem se mostrando anacrônico já há vários anos, e não apenas na França.

A grande sacada de Cantet, uma solução dramatúrgica que enriquece o filme, foi dispensar o uso de atores profissionais e convocar o próprio Bégaudeau para interpretar a si próprio. Os alunos também o fazem. Abraçando o improviso e ao mesmo tempo tratando a encenação com grande rigor formal, Laurent Cantet obtém uma dinâmica rica, em que ao público não é dada a permissão de conhecer nada sobre os personagens, excetuando-se a imagem pública que cada um projeta dentro da escola. Estamos, dessa forma, na mesma posição que qualquer outro personagem. Só podemos julgar os outros pela linguagem corporal (roupas, cabelos, gestos) e pela linguagem oral – não é à toa, aliás, que o professor, figura central do enredo em torno do qual gravita uma turma de alunos, ensina justamente a maltratada língua francesa.

“Entre os Muros da Escola” é ao mesmo tempo universal e profundamente francês em sua essência. Traça um retrato bastante rico, crítico e duro sem ser condescendente, da relação ambivalente que os franceses têm com os descendentes de africanos que habitam os subúrbios de Paris. Uma das leituras possíveis que o filme oferece mostra a escola, situada no 19º arrondissement (ou seja, um dos bairros no limite geográfico da periferia de Paris, cuja numeração se dá do centro para as bordas, em forma de caracol), como microcosmo da própria França. A diversidade multirracial dos alunos é, portanto, tanto literal quanto metafórica – e as rusgas culturais que surgem e são amplificadas no decorrer do ano letivo, tanto entre os alunos quanto destes com o professor, refletem aspectos diversos dessa relação repleta de traumas entre a antiga colônia e os novos colonizados.

Como se sabe, o filme reencena uma série de episódios reais vivenciados pelo romancista e ator enquanto era professor. A abordagem de Laurent Cantet, porém, não abraça o ponto de vista dele; é mais objetiva, quase naturalista. E se reveste de rigor formal. Os limites de tempo e lugar são estreitos e fielmente respeitados: o filme se passa no período de um ano letivo, do primeiro ao último dia, e jamais deixa as salas de aula (há apenas meia dúzia de cenas situadas fora delas, sendo algumas reuniões de professores e o epílogo, que tem vez no pátio do colégio). Para alcançar o registro documental que procurava, o diretor rodou o filme com três câmeras simultâneas, instruindo os operadores a buscar na encenação os focos de tensão que eram continuamente criados e desfeitos nas sessões de improviso. Daí a profusão de planos médios e closes, e também da edição ágil, que não perde as nuances dos debates acirrados que se travam entre alunos e professores.

Embora seja francês em sua essência, e tenha como tema central a relação de fraturas culturais e o ódio racial dissimulado que se vê atualmente na França multicultural, o filme de Laurent Cantet mostra-se universal na crítica corajosa ao modelo pedagógico anacrônico da escola média contemporânea. Neste ponto, a obra não trata de um problema francês ou europeu, mas ocidental. Nesses tempos de Internet, telefones celulares e jogos eletrônicos, professores e alunos têm dificuldades para se comunicar. O abismo geracional que divide as duas categorias é, em pleno século XXI, maior e mais profundo do que jamais foi. Sintomática, nesse sentido, é a incisiva cena em que uma aluna explica ao professor, no último dia de aula, que não aprendeu nada naquele ano letivo. Nesse sentido, “Entre os Muros da Escola” pode servir como valioso instrumento de reflexão, por parte de todos aqueles com algum grau de envolvimento em sistemas educacionais.

O DVD da Imovision contém o filme com boa qualidade de imagem (widescreen anamórfica, respeitando o enquadramento original) e áudio (Dolby Digital 5.1).

– Entre os Muros da Escola (Entre les Murs, França, 2008)
Direção: Laurent Cantet
Elenco: François Bégaudeau, Nassim Amrabt, Laura Baquela, Juliette Demaille
Duração: 128 minutos

22 comentários em “Entre os Muros da Escola

  1. Rdorigo,

    Sinceramente, não consigo entender toda essa adulação da critica em relação ao cinema francês. Tudo bem que a “Nouvelle Vague” nos legou uns poucos bons filmes (pouquíssimos, para dizer a verdade), mas os filmes franceses atuais são extremamente chatos e repetitivos (e, a meu ver, o filme “ENTRE OS MUROS”, não escapa dessa triste constatação). E aqui não estou falando como um sujeito insensível e inculto que só tem olhos para o cinema americano (adjetivos mais leves que são dados àqueles que não se dão ao trabalho de incensar GODARD “et caterva”). Sem falsa modéstia, tenho um pouco de “cultura cinematográfica”, adquirida ao longo de alguns anos como expectador apaixonado e interessado pela “sétima arte”. Assim, para mim há sempre muitas perguntas que me atormentam quando saio da sala de exibição de um filme francês, tais como: _ Por que o cineasta francês precisa ser tão chato e pernóstico? – Será que o diretor não poderia colocar ao menos uma musiquinha para “amaciar” os nossos ouvidos durante a projeção? _ Por que os atores têm sempre aquele ar blasê? _ Por que há tantos diálogos tão prolixos e chatos?
    Na verdade, a melhor critica que já li sobre o cinema francês está sintetizada nesta frase genial do MACACO SIMÃO da FOLHA DE SÃO PAULO, que diz mais ou menos assim:
    “Se pedirem a um francês para fazer um filme sobre futebol o sujeito coloca onze homens pelados numa sauna discutindo durante duas horas”.
    Desculpe o desabafo, RODRIGO. Gosto muito de suas críticas, mas, definitivamente, filme francês só se tiver a BRIGITTE BARDOT ou ISABELLE ADJANI (ambas em seus tempos áureos, é claro!)
    Um abraço.
    Aimar Neres – Brasília-DF.

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  2. Tudo bem, Aimar. Eu entendo o desabafo. Apenas discordo de algumas observações que estão contidas nele, pois seguem o senso comum e são típicas de uma parte do público cinéfilo que enfia todos os autores franceses num mesmo saco.

    As pessoas falam da nouvelle vague, por exemplo, como se todo mundo filmasse do mesmo jeito, o que é não apenas uma simplificação atroz, mas sinal de desconhecimento mesmo. Godard, Truffaut, Rohmer, Resnais, Chabrol, cada cineasta dessa turma fazia um tipo de filme muito diferente uns dos outros. Entendo quem chama Resnais de chato, mas Truffaut? O Godard da primeira fase, pré-anos 1970, que fez delícias como “Bande a Parte”? Ou a pessoa não viu os filmes com atenção, ou não viu de jeito nenhum.

    Quanto a este filme do Cantet, não encaixa em nenhum dos estereótipos colocados no seu texto. Não há nele atores com ar blasê, até porque não há atores – os alunos são alunos de verdade, o professor também, e todos se auto-interpretam. Ninguém no filme, em momento algum, “discute a relação”. O maior debate do filme gira em torno do uso da palavra “vagabunda” dentro do contexto específico de uma cena, ou seja, não há nada de intelectual nisso.

    Quanto ao cinema francês atual, seria legal ver alguma coisa de François Ozon e Christophe Honoré (que, aliás, faz musicais!), até para poder opinar com mais conhecimento de causa.

    Ademais, apesar das discordância, foi muito boa a sua intervenção. Parabéns pela articulação. E numa coisa concordo contigo: qualquer filme com Bardot ou Adjani fica sempre mais interessante. 😉

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  3. Gostaria de deixar minha humilde opinião, não posso fazer comparações com outros diretores ou filmes pois creio ser muita ousadia de minha parte, sendo que não sou profunda conhecedora da sétima arte, porém creio que ser o filme uma importante ferramenta para reflexão. Afinal para que serve a música, o cinema e a literatura não seriam eles vias de denúncia, alerta ou até mesmo tradução de nossa realidade ? Creio que atrvés desta obra possamos fazer algumas reflexões importanes que não são válidas somente para França mas para nossa terra também, há uma importante discursao a respeito da degenração social e como e como a escola sendo tratada como um espaço idealizado não consegue mais lidar com isso, as relações entre autoridade e disciplina são colocadas em xeque. Passamos por isso todos os dias em nossas escolas, e os reflexos estão nos jornais ….
    O filme oferece sim uma ótima opotunidade de discursão.

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  4. Essa oportunidade de reflexão, Alessandra, é até mais interessante do que o filme em si. Quero dizer, pode-se até não gostar do filme, mas há que se reconhecer que ele escancara uma realidade educacional que muitas vezes, por conveniência, preferimos varrer para baixo do tapete.

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  5. Edu, eu escrevi um post sobre isso no blog. Dá uma olhada. O problema está no meu trabalho como professor mesmo. Tenho visto muitos filmes e escrito bastante sobre cinema, mas basicamente para aulas… não tem dado pra escrever com regularidade aqui. Espero melhorar isso no decorrer do semestre, de qualquer forma.

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  6. Considero-me uma espectadora acima da média, pois leio muito sobre cinema e de cada filme que vejo, leio pelo menos 3 críticas, Gosto inclusive, quandos os pontos de vista são diferentes. E assim vou aprendendo, Este ano já vi pelo menos 3 filmes não americanos (O Silêncio de Lorna, Rumba e SImplesmente Feliz), todos bons. Mas pelos comentários de Aimar, este … estou fora, com todo o meu preconceito, assumo.
    Este negócio de cinema experimental, ator que não é ator, nem trilha musical….

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  7. Cada um no seu quadrado, né, Mabel? Você só está errada numa coisa: este filme nada tem de experimental. “Cidade de Deus” também usou não-atores, e isso não fez dele um filme experimental. O Aimar, apesar da educação e da boa argumentação, fez uma coisa que ninguém deveria fazer: julgou o filme sem tê-lo visto. Em uma palavra: preconceito.

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  8. Prezado Rodrigo,

    Obrigado pela resposta ao meu comentário. Vou acolher a sua recomendação e dar uma conferida nas obras dos cineastas franceses que você indicou.

    Gostaria apenas de lhe dizer que assisti sim ao filme. E confesso que até gostei um pouco. Não a ponto de qualificá-lo como uma grande obra. Na minha modesta opinião de “expectador amador”, trata-se de um típico filme francês que funciona bem num primeiro momento, mas que acaba se tornando chato e repetitivo depois de algum tempo de projeção. E, para complentar, os diálogos (muitas vezes prolixos) soam artificiais.

    É certo que o filme fomenta algumas discussões sobre falência de modelos pedagógicos, rebeldia juvenil, conflitos étnicos-raciais, etc. Tudo bem, isso é válido! Mas, a título de exemplo, vale lembrar que um fime de “sessão da tarde” como AO MESTRE COM CARINHO (que nunca foi incensado pela critica, diga-se) é muito mais eficiente no trato desses temas.

    No mais, não tenho preconceito em relação ao cinema francês. Tenho no máximo uma certa má vontade e uma falta de paciência crônica. Também, o que posso fazer se a BRIGITTE BARDOT se aposentou há anos e virou defensora dos animais?

    Um grande abraço.

    Aimar

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  9. Rodrigo, eu amei “Entre os Muros da Escola”. Acho interessante que toda a trama do filme se desenrola dentro da instituição que, supostamente, deve nos preparar para a vida. No final, “Entre os Muros da Escola” acaba sendo sobre a dificuldade que é encarar vontades, valores, desejos e criações distintas – e esta é justamente a maior riqueza deste longa francês.

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  10. A maioria dos filmes sobre a questão escolar sempre amarra as pontas no final da história. A diretora vilã é humilhada, os alunos incorrigíveis se tornam grandes amantes de literatura e música, o professor é um sacerdote a serviço da educação… Ponha no mesmo pacote: ao mestre com carinho, sociedade dos poetas mortos, conrack, mr. holland, escritores da liberdade e assim por diante.
    os filmes que citei tem suas qualidades e defeitos em graus variados mas partilham dessa necessidade de romantizar o debate.

    Entre os Muros da Escola reabre a discussão em outro patamar: sem lágrimas, sem musiquinha para emocionar, sem sonhos realizados e finais felizes. Afinal, o diretor não é o Augusto Cury.

    Pode parecer pessimista ou até niilista. Mas o filme não nos entretém com uma historinha idealizada da relação professor-aluno, não nos tenta convencer da existência de um professor sabe-tudo, não nos dá respostas prontas, não força nossa adesão sentimental, não nos diz olha como é lindo um professor que se entrega de coração à licenciatura.

    Esse filme em particular aponta para a falência de um sistema educacional que não entende a multiculturalidade atual e as novas demandas de afirmação social da juventude. Aquela sala de aula acaba sendo um microcosmo de uma sociedade que deu corda ao adolescente e não sabe como fazê-lo se interessar pelas formas tradicionais de aprendizagem. Ao mesmo tempo, essa sociedade se adolescentizou a ponto de desejar a superficialidade do tratamento meloso de um tema espinhoso e querer uma sessão imediatista de catarse diante de um filme que se propõe a narrar uma história sem velhos artifícios de conquista do espectador. Aí vem a pergunta: não seríamos nós que criamos expectativas e nos frustramos porque o diretor não nos atendeu? Não estaríamos desaprendendo a olhar, a ver? (o que não abafa a existência de filmes chatos de qualquer procedência).

    Sociedade dos poetas… ou Escritores da Liberdade (bons filmes, diga-se) são inspiradores mas, como um bom produto americano, centralizam-se na luta de um indivíduo persistente contra um sistema cruel. Em Entre os Muros, todos são ao mesmo tempo perdedores e heróis. Ora o indíviduo é chamado a responder por seus atos ora ele representa o tecido social coletivo. Nisso reside a força desse grande filme que não é francês por coincidência.

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  11. Bom, esse texto do Joêzer é uma bela crítica por si só. Obviamente ele foi escrito no contexto do debate que percorre os comentários, mas poderia tranqüilamente ser publicado à parte, e continuaria sendo uma boa peça de análise fílmica.

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  12. Depois de ler os comentários e ter assistido o filme, em questão, deixo aqui um modesto comentário.Fui assisitir ao filme por indicação de uma professora de Filosofia, afinal estou me pereparando para ser educadora e como tal digo, que o filme nos leva sim, á uma reflexão complexa de valores e sobre oque faremos para salvar essa velha instituição que vai mal das pernas e para a qual não vemos se quer ,algum tipo de atitude que seja em favor da escola.Não há discussões,não preocupação, não há ideais.Nem protestos…Enquanto isso, seja na França,no Brasil ou em outro canto qualquer, crianças passam partes de suas vidas, recebendo conteúdo de qualidade duvidosa, que não colabora ,nem enriquece sua formação…mas o cinema , ah o cinema! É a sétima arte…

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  13. Não entendi as quatro estrelas da Vejinha para o Entre os Muros da Escola. Os tais “planos médios e closes” mais a câmera tremulando o tempo todo deixam o expectador com enjoo. A discussão racial/cultural não foram ao âmago da questão. Não emocionou. Não querendo comparar, deu saudade de Ao Mestre com Carinho. Maria

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  14. Desculpem os que gostam do “Ao Mestre com Carinho”. Realmente um filme muito bom, de entretenimento, mas totalmente fora da realidade. Em quesito realidade, acho que Entre os Muros da Escola dá de 10 a 0 nele e, por isso mesmo, acredito que sua importância e reflexão são indiscutivelmente maiores. Por isso não vejo exatamente no que vocês estão comparando eles…

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  15. Muito complicado para um brasileiro entender esse filme, pois conta a realidade da sociedade francesa. Aqui tem muitos guetos e a escola pública é uma torre de babel. No Brasil a imigração estrangeira é muito antiga. Aqui algumas populações estrangeiras são de apenas uma geração.
    Os africanos, arabes, chineses e alguns paises africanos guardam toda a cultura do pais no gueto e para o frances é muito dificil de compreender tantas maneiras diferente de pensar. É uma realidade da sociedade francesa hoje e neste filme mostra uma escola de bairros diciceis.

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  16. O filme é uma tapa na cara daqueles que acham que nos países ricos tudo funciona. Sobretudo na Europa. Na realidade, a escola pública é a mesma em Recife, Paris ou em Los Angeles. Claro que com certas diferenças, alguns contextos e investimentos, mas o modelo é o mesmo. As deficiências na relação professor-aluno são as mesmas. É uma imagem arquetípica do ensino público ocidental baseada em estudiosos ultrapassados tais como Wallon e Piaget e que perpetuam numa pedagogia moribunda de aspiração esquerdista que nunca se encaixou em seus contextos nem quando estes modelos foram propostos.

    É um filme obrigatório para qualquer estudante de licenciatura ou pedagogia, para que este por sua vez ainda quer ser professor. Vive la France multiculturelle.

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  17. Sou professor e me identifiquei muito com o que vi no filme. A relação entre alunos e professores é tensa, complexa, às vezes contraditória, sempre muito difícil. O filme tem a qualidade (na minha opinião, é uma qualidade) de não apontar soluções nem causas para os conflitos que expõe. É quase um documentário. Claro que ele trata da multiculturalidade francesa, mas não é só, e por isso atinge outros públicos que não o francês. A dificuldade de diálogo do professor com os alunos, mesmo quando ele deseja e busca esse diálogo; as tentativas que o professor faz para conseguir ensinar e a resistência dos alunos frente ao esforço do professor (expresso na indiferença, no deboche, na agressividade deles); a rebeldia dos alunos contra a autoridade que o professor representa; a atitude arrogante a que o professor se vê obrigado para impor-se (a própria necessidade de se impor) — tudo isso está presente em qualquer sala de aula, não só nas multiculturais escolas francesas. E são coisas que mexem com a cabeça dos profissionais de educação. Vi muito no filme o universo interior do protagonista, objetivado nas suas ações (o chute na cadeira, o riso discreto quando vê a felicidade de um aluno, a omissão covarde no relatório que escreve), e foi isso que mais me atingiu. Filme muito bom.

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