Videocast: Os Inocentes

“Os Inocentes” é um filme feito à moda antiga, que não usa efeitos especiais, música barulhenta ou sustos criados com truques de edição. Esses são três dos clichês mais comuns, mais batidos, dentro dos filmes de horror, que muitas vezes são julgados pela quantidade de sustos que conseguem pregar na platéia. Só que “Os Inocentes” não dá sustos: causa medo, o que é muito diferente. E causa medo da maneira mais eficiente possível: construindo de modo lento e sólido uma atmosfera aterrorizante, soturna, macabra, que permanece com o espectador mesmo depois que o filme termina.

9 comentários em “Videocast: Os Inocentes

  1. 13/11/2001. Essa foi uma data marcante como cinéfilo para mim. Foi quando assisti a “Os Outros” no cinema. Achei o filme estupendo, mas se durasse mais uns cinco minutos eu provavelmente teria enfartado no cinema. O clima foi criado de maneira brilhante por Amenábar. Aquela casa envolta constantemente na névoa, aqueles empregados solícitos demais, o marido que estranhamente volta e desaparece novamente, etc. Quando os sustos começaram o coração se manteve acelerado até o fim do filme. O filme é, por exemplo, bem superior a “O Sexto Sentido” (também uma história de fantasmas com final surpreendente), mas não chegou ao Oscar nem fez a mesma bilheteria deste. Lendo uma crítica do filme escrita pelo Rubens Ewald foi que descobri a existência de “Os Inocentes”, que influenciou claramente a obra de Amenábar. O filme é tudo que você disse e mais um pouco. Talvez seria ainda melhor se não tivesse ficado claro que os fantasmas existiam. Seria mais interessante ficarmos na dúvida, que talvez fosse uma alucinação da governanta. O próprio Jack Clayton dizia se arrepender disso. Já faz um tempinho que eu vi o filme, mas pelo que me lembro há uma cena de gelar a espinha na sala de aula. Rodrigo existe uma espécie de prólogo do filme estrelada pelo Marlon Brando chamada “Os Que Chegam Com a Noite”, você já viu? E como curiosidade a garotinha Pamela Franklin fez também o seu Cult “A Casa da Noite Eterna.”

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  2. Não tinha percebido a coincidência dos nomes (Pamela Franklin), Sandoval. Muito interessante. Não, nunca vi esse filme com o Marlon Brando, mas agora que você falou, vou correr atrás. E nunca encontrei nenhuma entrevista do Jack Clayton sobre o filme. Você leu na Internet? Se soube onde, me avisa… gostaria de ter alguma informação sobre os bastidores, mas esse é um filme sobre o qual eu não sei nada mesmo.

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  3. Tenho algumas opiniões bem diferentes de vc Sandoval!

    Primeiramente, na minha opinião é claro, Os Outros não é nem de longe superior a Sexto Sentido. E tão pouco o filme de Shiamalan é sobre fantasmas. É claro que o filme de Amenabar é quase uma obra prima, mais Sexto Sentido é muito mais complexo do que um filme de fantasmas. Consegue ser perfeito como terror, suspense e um estupendo drama familiar.
    Outra coisa que discordamos… Sobre Os Inocentes. É para mim o maior filme disparado no gênero. Tanto que Amenabar obteve a inspiração. Agora eu pergunto: Em qual momento fica claro que os fantasmas existem? Em nenum momento. O filme é tão complexo que até hoje existem dois pontos de vista. O meu é o oposto do seu. Em nenhum momento Grace Kelly (soberba) avisa que o mistério está resolvido. Apenas na cena final, onde as interpretações são muitas. Você tem certeza que o fantasma estava ali e levou a alma do menino?
    É por isso que o cinema é fascinante…
    Abraços Sandoval e Rodrigo
    Parabéns mais uma vez pelo site

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  4. onde escrevi Grace Kelly pelo amor de Deus leia-se Debora Kerr. Foi um lapso… complementando a minha tese é só prestar atenção como a atuação da governanta muda no decorrer do filme De uma moça motivada e entusiasmada para uma mulher perturbada com a solidão da casa. Kerr está brilhante! Outro ponto crucial é o início do filme que nos dá uma pequena dica. Assim como foi em Os Outros, quando a primeira cena mostra Nicole gritando ao acordar…

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  5. Talvez “O Sexto Sentido” seja mais inteligente, mas nem de longe me provocou o mesmo impacto de “Os Outros”. Acho que o segundo é mais terror na acepção da palavra. Mas o primeiro é sim um filme de fantasmas, mas logicamente é isso e muito mais. Pelo menos para mim ficou bastante clara a existência dos fantasmas ao longo do filme, existem muitas cenas que vão tornando difícil pensar que tudo aquilo seja apenas imaginação da governanta. E eu li que o próprio Jack Clayton dizia se arrepender de ter deixado clara a existência dos fantasmas. E isso não impede que alguém que assistiu ao filme pense diferente, aliás, a riqueza de uma obra se mede também quando várias pessoas a interpretam de maneiras distintas. Eu concordo com você quanto à canção tema musical Rodrigo, talvez ela só encontre concorrente a altura na canção de ninar que abre e encerra “O Bebê de Rosemary”. É impressão minha ou a imagem desse vídeocast está melhor que a dos anteriores? Tanto as cenas do filme quanto as outras em que você aparece estão muito boas. Tente manter essa qualidade, pretendo baixar todos que você botar no site e futuramente quando tiver uma boa quantidade converter e gravar em DVD. Afinal não é todo dia que dá pra pegar (ainda que pequenas) algumas aulas de graça. Quanto às informações do filme eu tirei de um livro chamado “Cult Movies do Século XX” do Rubens Ewald Filho. É um livro fininho lançado em 2001 e muito raro no mercado. Demorei anos para consegui-lo, ele faz parte de uma trilogia sobre 100 melhores (diretores, filmes, cults). Tem cada raridade que eu nunca tinha ouvido falar. No texto ele fala que esse foi o filme que mais o assustou e provocou arrepios de medo em toda a vida. E olha que ele viu mais de 20.000 filmes. Depois eu te mando o texto completo por e-mail.

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  6. Obrigado pelo texto, Sandoval. Legal mesmo. Quanto ao vídeo, acho que a maior diferença é que eu salvei o arquivo original com qualidade high definition (foi com quase 12 GB). Depois fiz a conversão e acho que ficou um pouco melhor mesmo. E acho que ainda dá pra melhorar mais. Ainda estou engatinhando nesse departamento. E Danilo, tuas observações são oportunas, com certeza. Se bem que no texto do Rubens Ewald Filho ele lembra que há uma cena no filme com uma prova física da existência dos fantasmas (a lágrima). De fato, o filme teria ficado melhor ainda se a dúvida permanecesse.

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