A importância do passado

Estava trabalhando na redação da Globo Nordeste, no sábado pela manhã, quando bati os olhos na notícia sobre a morte de Paul Newman.

Surpreso, comentei sobre o fato em voz alta. Ao meu lado, um estagiário talentoso mas muito jovem mandou, de pronto, uma interrogação: “quem é Paul Newman?”. Como o rapaz está longe de preencher o perfil típico do estudante sem noção, daquele que hesitaria até mesmo em responder o nome do presidente do Brasil caso fosse perguntado, o episódio acendeu uma luzinha na minha cabeça.

Ele me fez perceber, mais do que nunca, o quanto as novas gerações estão desconectadas do passado, especialmente no que se refere às artes. Quer outro exemplo? Eu dou aulas de História do Cinema numa universidade particular (a Aeso) para uma turma de 25 pessoas. Desse total, há apenas quatro ou cinco que podem ser considerados cinéfilas (a maioria gosta mesmo é de games). E até mesmo os amantes de Cinema apresentam conhecimento limitado sobre os filmes do passado.

Fiquei pensando no final de semana em que tipo de contribuição eu poderia dar, aqui no site, à importância de valorizar os filmes antigos. Por isso, pretendo dedicar alguns videocasts, num futuro bem próximo, a comentários visuais sobre clássicos do cinema.

A idéia é pegar duas ou três cenas de determinado filme e esmiuçá-las, analisando como o diretor e a equipe criativa utilizaram a gramática do cinema, o repertório de técnicas narrativas e estéticas, para construir significados.

Ainda vou levar uns dias para editar o primeiro videocast desse tipo, mas espero que vocês curtam a idéia.

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7 comentários em “A importância do passado

  1. Acho uma ótima idéia a edição de videocast para explicar como os clássicos foram produzidos, narrados, editados, etc.

    Em relação aos filmes antigos, eu tenho mais afinidade por eles. Tenho o pensamento de que, no passado, fazer filme não era sinônimo (pelo menos não como atualmente) de lucro. Acredito que havia maior preocupação com a qualidade (Kubrick), e também com o engrandecimento pessoal do público através de temas relevantes (Chaplin).

    Bom, pelo menos é a minha opinião. De qualquer forma, estou aguardando a publicação do videocast para conhecer mais obras, diretores e as técnicas usadas por eles.

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  2. Rodrigo, infelizmente, isto é uma coisa mais comum do que se imagina. Tenho uma irmã, por exemplo, que tem uma aversão incrível à filmes antigos. Reclama quando eu assisto filmes assim, pode? Eu acho esta sua iniciativa extremamente louvável, de fazer revisitas à clássicos antigos, colocando filmes assim na pauta do Cine Repórter.

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  3. Na verdade, Rodrigo e Kamila, o Cine Repórter sempre prestigiou os clássicos. Nunca deixei de publicar críticas de velhos filmes e acredito que o banco de dados do site deve ser um dos maiores, da Internet brasileira, dedicado a obras anteriores aos anos 1960. A diferença é que a partir de agora pretendo das mais destaque editorial a eles, além de usar a tática dos vídeos pra chamar o pessoal mais avesso a palavras escritas.

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  4. É uma grande idéia mesmo. Às vezes acho uma crítica dum filme que nem imaginava que existia e corro pra ver, ou o contrário, loco um filme e, depois, dou uma olhada aqui. Acho que qualquer idéia que aumente a discussão sobre o cinema é válida.

    Não sei se concordo contigo, Kamila. Não sei bem até onde vai isso de ‘não gosto porque não gosto’ ou é por falta de oportunidade de ver esses filmes. Conheço um monte de gente que olha com desdém para filmes antigos, ou acha coisa de ‘nerd’ ver, sei lá, um filme japonês dos anos 1940. Mas, quando essas mesmas pessoas se sentam pra ver, adoram.

    Esse final de semana mesmo, obriguei uma pessoa a ver comigo um dos primeiros filmes de Fellini, A Estrada da Vida. Acabou o filme e ela adorou, muito. Se apaixonou pela protagonista. Acho que é uma barreira que, quando superada, vira coisa do passado. Eu mesmo não tinha saco de ver muita coisa dessa época… Acho que vai da vontade de cada um.

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  5. Muito boa idéia, não sou radical, gosto de tecnologia, o problema é saber aplicá-la aos filmes atuais as vezes a tecnologia se torna o protagonista e o filme apenas uma justificativa pra demonstrar determinada tecnologia. Além da grande quantidade de filmes lançados a cada ano acaba diluindo a divulgação de bons filmes. Seria legal tb divulgar filmes bacanas de centros pouco conhecidos por aqui: ìndia, Irã, até mesmo a Europa etc. a Internet tem facilitado enormemente o acesso a filmes de centros alternativos.

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  6. Achei excelente esta sua idéia, Rodrigo ! Vc tem toda a razão quanto ao desconhecimento dos mais novos em relação a filmes mais antigos. E nem precisa recuar tanto no tempo. Esta semana também tive um episódio semelhante ao seu. Lá no trabalho, meu estagiário, que é daqueles cinemeiros de assistir a filmes não obrigatoriamente em cinema, e consegue reter nomes de filmes, atores (o que já não e pouco, acho), nunca tinha ouvido falar em Costa-Gavras. Isso porque ele faz Direito e sequer sabia de “Missing”. Tive a mesma sensação que vc: luz amarela ! Por isso, vá fundo em mais esta ótima iniciativa ! Grande abraço !

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