Jurassic Park

[rating:5]

Houve uma época em que Steven Spielberg ganhou a alcunha de “Rei Midas de Hollywood”. Num período de mais ou menos duas décadas – entre “Tubarão” (1975) e “A Lista de Schindler” (1993) – absolutamente tudo em que o cineasta tocava virava ouro. Um atrás do outro, recordes de bilheteria eram batidos pelas produções que ele concebia. Até mesmo quando apenas emprestava o nome para outros diretores, assinando apenas como produtor, Spielberg acertava a mão, como na trilogia “De Volta Para o Futuro”. Um dos grandes trunfos do período foi “Jurassic Park – Parque dos Dinossauros” (EUA, 1993). O filme é uma aventura infanto-juvenil perfeita, irretocável, com efeitos especiais espetaculares e senso de encantamento imbatível.

Aliás, “Jurassic Park” surgiu no ano mais incrível da carreira de Spielberg. Equilibrando-se quase simultaneamente entre duas produções que não poderiam ser mais distintas em tom, temática e ambição – o vibrante e colorido “Jurassic Park” num extremo, o sombrio e monocromático “A Lista de Schindler” no outro – o diretor alcançou sucesso absoluto nas duas. Ele dominou a cerimônia seguinte do Oscar, faturando prêmios de melhor filme e diretor (pela obra adulta). “Jurassic Park” também foi dominante em seu território: ganhou os três troféus que disputou (som, edição de som e efeitos especiais). Tal qual um T-Rex em desabalada carreira, teve uma trajetória avassaladora, culminando com o recorde de maior bilheteria de todos os tempos, com US$ 916 milhões arrecadados (o recorde, que pertencia a “E.T.”, também de Spielberg, depois mudaria de mãos).

Tantas láureas não chegaram por acaso. “Jurassic Park” é mesmo um filme de aventura impecável, repleto de seqüências eletrizantes, com toques de humor negro sutil e um trabalho de recriação de animais pré-históricos absolutamente embasbacante, de cair o queixo. Desde os primórdios, o cinema sempre mostrou grande interesse em ressuscitar os dinossauros (o primeiro filme com dinos data de 1925), mas o filme de Spielberg foi o primeiro a mostrá-los de forma realista, em toda a plenitude, como se existissem de verdade. O trabalho combinado de bonecos eletrônicos com CGI levou os efeitos especiais em cinema para um novo patamar. O filme teve o mérito, ainda, de antecipar em alguns anos um debate ético que monopolizaria as atenções da mídia global uma década depois: a clonagem.

Nada disso importaria, claro, se Spielberg tivesse feito um filme ruim. “Jurassic Park”, ao contrário, é perfeito da primeira à última cena. O diretor lança mão do enorme domínio da linguagem do cinema, por exemplo, para construir uma escada de suspense e tensão, pondo a platéia para esperar ansiosamente pela aparição majestosa dos bichos – e faz isso não apenas uma vez, mas duas. Quando o paleontólogo Alan Grant (Sam Neill) e a paleobotânica Ellie Sattler (Laura Dern) arregalam os olhos ao verem dinossauros pela primeira vez, aos 20 minutos de projeção, a platéia faz o mesmo. Compartilhamos do excitamento e da empolgação da dupla de protagonistas, convidada para conhecer a ilha onde um milionário (Richard Attenborough) montou um parque de criaturas extintas, clonando-as a partir de DNA preservado. Mais tarde, a primeira aparição do temível T-Rex resulta em mais urros e queixos caídos, e em uma clássica seqüência de ação que é o equivalente cinematográfico de uma sinfonia de Mozart: uma montanha-russa de emoções que une suspense, horror e humor em alguns minutos do mais vertiginoso cinema de aventura.

O domínio da narrativa de Spielberg está espalhado por todo o longa-metragem. O curto prólogo, que mostra um ataque do T-Rex sem focalizar o bicho, é um primor de suspense, e faz a platéia grudar os olhos na tela instantaneamente, torcendo para poder ver os dinossauros com os próprios olhos. A já citada aparição do T-Rex cria suspense com uma imagem icônica (o copo de água) e consegue a proeza de extrair risos nervosos do espectador, bem no meio da cena, com a hilária aparição de um homem sentado na privada, após o dinossauro feroz destruir um banheiro. Mais à frente, a perseguição dos velociraptor às crianças, dentro de um museu, mantém qualquer ser humano normal grudado às cadeiras, provocando arrepios com a sutileza da edição de som (quem não rói as unhas com o ruído das garras do animal batendo no chão de metal?). Sublinhando tudo, a trilha sonora de John Williams providencia um tema inesquecível e trechos musicais que realçam ainda mais o clima de aventura. Um filme simplesmente perfeito.

O DVD simples do filme, da Universal, é interessante. A qualidade de imagem (widescreen 1.85:1 anamórfica) e áudio (Dolby Digital 5.1) é boa. Os extras incluem documentário (50 minutos), trechos de reuniões de produção (6 minutos), vídeos das locações (3 minutos), teste de animação (2 minutos), criação de sons (2 minutos) e cinco seqüências de storyboards. O único problema é a total ausência de legendas nos extras na versão que carrega o selo da Columbia (mais antiga, com uma barrinha amarela na parte de cima da capa). Este problema não existe no DVD da Universal.

– Jurassic Park – Parque dos Dinossauros (EUA, 1993)
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Sam Neill, Laura Dern, Jeff Goldblum, Richard Attenborough
Duração: 101 minutos

6 comentários em “Jurassic Park

  1. Não sei se você compartilha comigo, Rodrigo, mas depois que vi Jurassic Park, desde então (1993) nenhum filme de efeitos especiais me impressionou mais. Perdi a graça nesse sentido. Os efeitos digitais que vimos de lá pra cá não passam de nuances diante desse fabuloso filme divisor de águas, produzido pela dupla Spielberg/Lucas. Hoje qualquer estória pode ser contada no cinema, sem restrição de ordem tecnológica de qualquer espécie. Tal como nas HQs, hoje o limite do cinema é a imaginação do artista.
    Ironicamente, graças aos avanços da computação gráfica, o cinema voltou aos seus primórdios: Hoje o que mais vale é a estória (ou como contá-la) num filme. Se no passado muitos roteiros deixavam de ser filmados por limitações tecnológicas, hoje muitos filmes deixam de ser feitos por limitações criativas — ao menos por parte de cineastas honestos. Essa é a razão por que muitos longas atuais são visualmente arrebatadores, porém pobres de conteúdo. Será que, dramaturgicamente, como dizem alguns teóricos do cinema, a sétima arte já deu o que tinha que dar?

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  2. Apenas corrigindo uma informação, o prólogo mostra o ataque de um velociraptor (enquanto os cientistas tentam colocá-lo em sua jaula especial), e não do T-Rex.

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  3. Realmente amigo,concordo com você.Jurassic Park é único.Já vi vários filmes de dinossauros e algo do tipo,mas é ridículo,os efeitos são horríveis e as cenas deixam à desejar.É impresssionante o que conseguiram fazer em 1993.Nenhum filme bate Jurassic Park.Ele é perfeito.

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  4. Eu como um grande Fã de Jurassic Park jamais poderia deixar de comentar sobre esse seu Texto, Que por sinal muinto bem descrevido. Eu Não consigo imaginar como em 1993 poderia existir efeitos especiais tão bem produzido e um filme tão bem feito quanto o Parque dos dinossauros, Os dinossauros são extremamentes realisticos com detalhes fantarticos. Eu fiquei emocionado quando eu assisti esse filme em 1999. Eu fiquei maravilhado com aqueles dinossauros pois eu nunca tinha visto filmes que fossem tão reais e efeitos sonoros tão fantasticos. Desde então eu sou praticamente o Fã numero 1 de jurassic park ” Todos ”. A musica tema do filme produzida por John Williams ficou perfeita, Imortalizada nesse maravilhoso filme. Sempre que eu assisto jurassic park e ouço a musica isso me dá uma emocão que eu não sei explicar, Pareçe que nós voltamos ao passado quando eles ainda habitavam a terra. Eu so tenho a dizer que Stiven Spielberg e um génio.

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  5. Sem a menor sombra de dúvidas, este filme me fascinou. Marcou a minha infância. Os efeitos especiais foram tão fiéis à realidade que uma criança de 6 anos não compreendia que aqueles dinossauros não eram reais! E mesmo depois de muito tempo ter compreendido isto, no fundo ainda gosto de acreditar que a história do filme é real, e que dinossauros foram, de fato, recriados através da engenharia genética e habitam uma ilha no oceano pacífico. Como já disseram, me surpreende ver que este filme datado de 1993 ainda não foi superado em termos de efeitos especiais quando falamos de dinossauros (a continuação feita em 1997 não está inclusa nesta afirmativa. Mas nem mesmo a 3ª parte do filme feita em 2001 conseguiu superar o primeiro). Steven Spilberg é um gênio da arte cinematográfica. Ele foi capaz de despertar a paixão por dinossauros em milhares de espectadores através desta obra prima.

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