Terror em Silent Hill

[rating:2]

Se você descobrisse que seu filho tem sonambulismo e repete incessantemente o nome de uma cidade-fantasma enquanto caminha dormindo, qual a atitude que você tomaria? A maioria dos seres humanos normais provavelmente o levaria para ver um psicólogo; alguns talvez preferissem um padre. A personagem principal de “Terror em Silent Hill” (EUA/França/Canadá/Japão, 2006), ao contrário, carrega a criança para dentro do vilarejo assombrado, na esperança de curar o medo. É o tipo de atitude estúpida que os personagens do longa-metragem baseado no famoso videogame cometem o tempo inteiro. Coisas assim o transformam em um filme sem pé nem cabeça, apesar do visual cuidadosamente tétrico.

Silent Hill, a cidade, tem uma história interessante, embora seja obviamente uma ficção exagerada. Fica no topo de uma colina recheada por uma extensa mina de carvão que pegou fogo em novembro de 1974, em um misterioso incidente que matou a maior parte dos moradores. Desde então, o lugar foi fechado e abandonado. Mais de 30 anos se passaram e o fogo continua ardendo nas entranhas da montanha. Uma insistente chuva de cinzas e fuligem envolve os prédios em uma espécie de névoa azulada permanente. Além disso, periodicamente, a cidade é engolida por uma espécie de realidade paralela, habitada por demônios deformados e fantasmas sem rosto.

Esta concepção explica porque “Terror em Silent Hill” é o tipo de filme talhado para ser consumido por designers e diretores de arte. Nas mãos do cineasta francês Christophe Gans, responsável pela aventura “O Pacto dos Lobos”, o filme vira um verdadeiro banquete visual. A fotografia de Dan Lausten é um destaque, abusando de ângulos inusitados (por vezes a câmera sobe em ângulo reto de 90 graus e roda sobre si mesma) e aproveitando ao máximo os cenários desolados criados pela equipe de arte. Da mesma forma, a maneira encontrada para mostrar a transição entre as duas realidades (os prédios e ruas “descascam”) é criativa.

Infelizmente, o trabalho visual bem feito não ajuda em nada a abafar os problemas da história, como os diálogos incrivelmente pobres e as atitudes inexplicáveis tomadas por personagens rasos e superficiais. A já citada ação idiota de Rose (Radha Mitchell) faz com que, por causa da burrice incrível, a menina desapareça dentro da cidade assombrada. Depois, o filme recorta pedaços de outras obras bem mais interessantes (o quarto do hotel de “O Iluminado”, a criança vingativa de “Carrie – A Estranha”) para compor uma história confusa. O elenco interessante (Mitchell, Sean Bean e uma irreconhecível Deborah Kara Unger) não tem muito a fazer, além de correr, gritar e fazer cara de susto. Lamentável.

O longa-metragem só não é uma decepção completa porque Gans consegue manter um fiapo de atenção ao manter em segredo alguns elementos da história. O diretor sugere que a filha de Rose, uma garotinha adotada, tem algum tipo de ligação sobrenatural com o lugar – ela sonha com os subterrâneos fervilhantes da cidade e desenha cenários muito parecidos com os prédios cobertos de fuligem. Dessa forma, enquanto tentam pesquisar algo sobre o misterioso incêndio que fez a cidade torrar, os personagens vão descobrindo detalhes insólitos sobre os moradores do lugar, do passado e do presente.

No entanto, nem mesmo a dose extra de mistério consegue salvar o longa-metragem da mediocridade, porque a partir dos 60 minutos, a estratégia começa a cansar e os sustos ficam mais raros. Christophe Gans ainda comete o erro de inserir grande quantidade de cenas de violência extrema, geralmente sem objetivo, apenas para fazer referências ao game que deu origem à produção. São aparições de criaturas deformadas que se se movimentam lentamente em direção aos personagens humanos, ou corpos vagamente humanos enrolados em quantidades descomunais de arame farpado.

Vale observar que “Terror em Silent Hill” evoca, como o recente “Viagem Maldita” (2006), um fenômeno real, curioso e muito norte-americano: a proliferação de pequenas seitas de fanáticos religiosos que, não raro, distorcem ensinamentos cristãos até as raia da violência. Aqui, toda a parte final – que inclui uma reviravolta até certo ponto interessante – se apóia nessa idéia. Ao contrário do filme do também francês Alexandre Aja, contudo, não há nenhum tipo de subtexto ideológico ou comentário político disfarçado; há, apenas e tão somente, o desejo insaciável de entreter.

O lançamento em DVD é da Sony. O disco é simples e traz o filme com boa qualidade de imagem (widescreen anamórfica) e áudio (Dolby Digital 5.1). Featurettes sem legendas estão entre os extras.

– Terror em Silent Hill (EUA/França/Canadá/Japão, 2006)
Direção: Christophe Gans
Elenco: Radha Mitchell, Sean Bean, Laurie Holden, Deborah Kara Unger
Duração 127 minutos

7 comentários em “Terror em Silent Hill

  1. Entendo a opinião, Renato, mas discordo dela. Qualquer filme, venha de onde vier, deve se bastar. Se um filme, qualquer que seja, precisa de outra mídia para ser compreendido, então o cineasta que o fez fracassou na tarefa mais básica de contar a história.

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  2. O filme não é perfeito e daí? Espero que todos os “metidos” a críticos e entendidos parem de olhar filmes sobre games, eles não são para vocês, vão assistir E o Vento Levou que vai agradar mais sem dúvida

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  3. Concordo e discordo um pouco de vocês, o filme deve ser melhor adaptado para que possa haver entendimento de todos, nesse caso concordo com o Rodrigo, porém adaptar uma história como silent hill não é coisa fácil, acredito que por se tratar de um roteiro tão mórbido a adaptação está muito boa, nesse caso concordo com o Adilson

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  4. Cara rodrigo, o filme foi criado para pessas q gostao dos games da serie, bem a historia é a seguinte:

    Dahlia gillespie, diretora de uma seita maligna (que fazia sacrificios com até humanos) acreditava que uma demonio (samael) poderia vir a terra e punir as pessoas más, ma para isso presisava de um hospedeiro,que no caso serial Alessa, filha de Dahlia, depois disso comecarao a acontecer coisas estranhas na cidade, onde Alessa portadora do embriao de Samael seria a culpada, ela foi jogada dentro de uma quarto e queimada, mas o embriao de samael nao a deixou morrer, internada em hospital, era cuidada por uma infermeira chamada Lisa (ela aparece como um demonio no fim do filme, com os olhos e branco roupa vermelha) ela decide se dividir em 2 (duas) partes, uma boa e outra má (Dark Alessa) , a boa é abandonada fora da cidade, na beira de uma estrada e é encontrada por Rose,, com alguns anos ela começa a receber chamados do seu lado do mal (por isso ela fica repetindo “Silent Hill”).Sua mae a leva ela viajar, e acaba entrando num portal, que a leva para silent hill, onde ela encontra o fantasma de Alessa tentado matar a criança para seu espirito se juntar e comprir a sua tarefa de fazer samael nascer, a criança é guiada pela cidade pelo espirito de alessa (na qual Rose tembem segue), a cidade fica “desascada” pois é o mundo de samael, monstros sao pessoas sendo punidas pelos seus erros (exatamente o q a seita queria). Bem com essa explicação acho dá para entende um pouco do filme.

    Depois escrevo mais sobre silent hill.

    Duvidas: MSN> leanro.lima13@hotmail.com SKYPE> leandrolima13

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  5. Rodrigo… a história foi bem contada apesar de ter semelhanças com outros filmes… mas se vc jogasse os jogos de silent hil apreciaria muito melhor o filme, por que na minha opinião terror em silent hill está sendo a melhor adaptação de games para as telonas… e sim silent hill é assim, mediocre sem nexo… mas é essa cidadizinha cercada por um lago e deserta que causa tanto terror psicologico em quem joga os jogos xD. talvez pessoas normais levariam a um psicologo se o filho apresentassse algo do tipo, mas acho que só quem entenderia meu filho seria eu mesmo e nao um psicologo e eu levaria sim até o lugar que fosse a fonte do seu medo, pra ajudar a ele superar isso. por isso aproveite e jogue os jogos garanto que vc vai gosta 😀

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