Lobisomem Americano em Londres, Um

[rating:4]

O conceito de maquiagem cinematográfica, para o espectador comum, não ia muito além da mistura batom-blush-rímel, até 1982. Efeitos simulados de ferimentos eram a glória desses profissionais, até então quase anônimos. Naquele ano, porém, a Academia de Hollywood decidiu inaugurar uma categoria do Oscar destinada a premiar o trabalho dos maquiadores. E um pequeno filme de terror bem-humorado mudou para sempre essa situação. “Um Lobisomem Americano em Londres” (An American Werewolf In London, EUA, 1981) faturou a primeira estatueta da categoria e descortinou, aos olhos do público, a arte da maquiagem de cinema.

A transformação de homem em lobo, mostrada pela primeira vez diante das câmeras, era o maior trunfo do filme. Tão grande que esse detalhe acabou ancorando todo o marketing do trabalho e dando uma tremenda fama ao mago Rick Baker, maior nome da área e atual ganhador de seis Oscar. Isso prejudicou a carreira do subestimado diretor John Landis, responsável pela comédia “Os Irmãos Cara-de-pau” e pela revolucionária comédia “Kentucky Fried Movie”, uma espécie de antepassado das sátiras implacáveis no estilo dos irmãos Farrelly. Landis está sem trabalho há um tempão, o que é uma pena: “Um Lobisomem Americano em Londres”, revisto hoje, mantém-se atual e mostra-se precursor da onda de filmes de terror com boas doses de comédia que assola o mercado norte-americano.

A trama toma como ponto de partida uma viagem de dois estudantes norte-americanos pelo interior da Inglaterra. Numa noite de lua cheia, a dupla vai parar num vilarejo estranho, tem uma conversa surreal com freqüentadores do pub rural Cordeiro Estraçalhado e se perde num pântano, sendo atacada na seqüência por uma criatura monstruosa. Jack (Griffin Dunne) morre, enquanto David Kessler (David Naughton) fica ferido e é levado a Londres. Ao recuperar-se, David passa a receber visitar do amigo morto; Jack o avisa que ele agora é vítima de uma maldição, e irá se transformar em lobisomem sempre que for lua cheia.

Escrito em 1969, quando Landis ainda era dublê, o roteiro demorou onze anos para ser filmado porque o diretor não conseguia financiamento dos estúdios. Em 1980, depois do sucesso de “Os Irmãos Cara-de-pau”, ele ganhou carta branca (leia-se US$ 10 milhões) para fazer o filme, um projeto que ele carregava com carinho. A primeira providência foi chamar o amigo Baker, maquiador que começava a se destacar na profissão. Como o trabalho incluia muito mais do que inventar um lobisomem, Baker teve que reunir seis fãs e formar uma equipe pioneira de maquiadores.

Toda essa trajetória está descrita em detalhes nos extras generosos que compõem o disco. Entre eles, há um documentário/entrevista com Landis (18 minutos), que aparece sorridente, cheio de energia; outro com Rick Baker (11 minutos), que fala sobre as técnicas usadas para criar o lobisomem e suas vítimas; o processo de construção dos moldes em gesso (10 minutos); um making of original de 1981 (5 minutos); cenas cortadas, comparações com o storyboard, erros de gravação (sem som) e até um comentário em áudio da dupla de atores principal, Griffin Dunne e David Naughton. Tudo cheio de bom humor e repleto de causos de bastidores que fazem a delícia dos fãs do gênero.

Se os extras agradam, o filme vai além. “Um Lobisomem Americano em Londres” cria terror sem ser rabugento nem fake, algo raríssimo na biografia do gênero. Não tem atuações especialmente inspiradas, mas compensa a falha com alguns achados. Um deles é a boa trilha sonora, cheia de canções legais que falam da lua (“Bad Moon Rising”, da banda Creedence Clearwater Revival; “Blue Moon”, do soulman Sam Cooke; e “Moondance”, do irlandês Van Morrison). Há também um trabalho de montagem cuidadoso, que reveste a trama de suspense ao valorizar as raras aparições do lobisomem, além de emprestar credibilidade aos efeitos especiais.

Sim, os efeitos ainda funcionam. A já lendária transformação do lobisomem continua impressionante. A seqüência, toda explicada nos extras do DVD, comprova como a criatividade na combinação de cortes e efeitos especiais tradicionais, sem uso de computador, garante resultados sublimes. O filme prescinde da parafernália digital que deixa cenas de produções atuais com ar falso e, apostando apenas no suor e no talento da equipe técnica, garante qualidade ao trabalho. A direção acerta e cria suspense ao aguçar a criatividade do espectador e retardar a entrada em cena do lobisomem até perto do final.

Tudo bem, a trama parece um tanto simplória, mas Landis compensa isso pondo boas doses de romance, alguma sensualidade, delírios oníricos engraçados do protagonista e pitadas de investigações policiais para enriquecer a mistura de gêneros. A cenografia exagera nos cenários, sempre limpinhos e hipercoloridos, mas aquela era a década de 1980, ora bolas! Com diálogos bacanas, transposição de som e imagem de ótima qualidade, o DVD de “Um Lobisomem Americano em Londres” recupera um antigo cult adolescente que parecia fadado ao esquecimento absoluto.

– Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf In London, EUA, 1981)
Direção: John Landis
Elenco: David Naughton, Griffin Dunne, Jenny Agutter, John Woodvine
Duração: 97 minutos

14 comentários em “Lobisomem Americano em Londres, Um

  1. Um filme relativamente simples, feito com amor por quem adora cinema: John Landis. O resultado, uma pérola assustadoramente engraçada e deliciosamente arrepiante.

    Curtir

  2. Um dos melhores filmes da decada de 80, simplesmente um classico absoluto.
    A melhor transformação de um homem em lobo da historia do cinema, deixa qualquer van helsing no chinelo.
    obs, a atriz jenny agutter, a enfermeira, é maravilhosamente LINDA, LINDA. DEMAISSS

    Curtir

  3. Não canso de assistir esse filme, sempre achando algum detalhe novo. A transformação do ator em monstro, com aquele fundo musical suave, não poderia ser mais desconcertante e original.
    Realmente, não há megabytes de efeitos especiais que superem o talento de quem trabalhou
    naquela cena. Pena, somente, que a versão disponível quando achei o DVD não tinha opção
    dublada…

    Curtir

  4. Um Lobisomem Americano em Londres é, com certeza um dos melhores filmes da década de oitenta. Tudo nele funciona bem. Desde a direção talentosa de John Landis até os efeitos especiais de Rick Baker, tudo é feito com primor e vontade de inovar. Baker, particularmente, deu um show aparte. Com seus efeitos e sua criatividade, ele fez aquela que é simplesmente a melhor cena de transformação de toda história do cinema. Não é atoa que em sua carreira, ele já ganhou seis Oscars, sendo que o primeiro foi pelo trabalho neste filme. É um daqueles filmes que a gente pode assistir 10, 15 ou 20 vezes, e mesmo assim, não ficamos enjoados, exatamente pelo fato do filme ser um clássico bem à frente de seu tempo. E também porque, apesar do filme ser de 1981, ele ainda é muito melhor e mais bem feito do que muitos dos filmes atuais, que só tem efeitos digitais, que diga-se de passagem, chegam até a ser fakes, e não tem roteiro. Um Lobisomem Americano em Londres tem tudo isso e, por isso é um filme completo que não envelhece, pois é perfeito e extremamente bem sucedido em sua proposta.

    Curtir

  5. um lobisomem americano em londres ……é uma obra prima…uma raridade num é atoa que muinta gente que viu e ve ainda até hoje sendo mas possivel conseguir ele pela net num deiche di decha sua nota maxima para esse filme dirigido por um verdadeiro genio…..vi e revejo quantas vezes for necessario e não mi canso di adimirar as cenas de tenção e pavor dos dois amigos perdidos no meio do campo envolto de uma neblina que esconde sabe lá oque …simplesmente nota 100000000000000 para esse maravilhoso filme …os outros filmes de lobisomem são apenas porcarias comparados a esse …mesmo pra quela epoca esse filme não preciso mostra muinto efeito di computação grafica …….igual esses filmes di hoje em dia ….mesmo assim as cenas conseguem prender qualquer pessoa na frente seja da tv ou no pc pra quem tem ele…….tenho e fico adimirado com esse filme ………meus parabens ………adorei,……

    Curtir

  6. este filme arranco nota maxima de quem viu e sabe adimirar um otimo filme …simlesmente maravilhoso esse filme….vejos varias vezes a cena em que o atro si transforma nesse que á figura mas assustadore e respeitada eeeee comentada nos cinemas …só uma coisa descreve esse filme ……..OBRAAAAAAA DE ARTEEEEEE……..feito com dedicação e amor a quem ama o cinema e quem sabe do que o publico gosta ….suspence ,terror, tambem comédia,…adrenalina..tenção…ansiosismo…etc……..maravilhoso filme……

    Curtir

  7. Cara, falar de “um Lobisomem Americano em Londres” não é tão difícil.
    Sem dúvida alguma, o maior filme feito até hoje abordando essa criatura mística ávida por sangue. Lembro-me de quando o assisti pela primeira vez na tv, foi simplismente incrivel. Eu ficava apavorado quando via a sua transformação. Me causou vários pesadelos durante a minha pré-adolescencia. Mais acho marcante isso.
    Comprei o DVD comemorativo de 20 anos de lançamento do filme e nao me canço de assisti-lo.
    É simplismente magistral o filme, não há adjetivos que possam definí-lo.
    Só tenho que agradecer a DEUS por ter nos presenciado a todos com esses dois caras super talentosos (Rick Baker e John Landis).

    Curtir

  8. Grande filme do meste John Landis que ainda não envelheceu e parece melhor a cada vez que se assisti. Ouvi dizer que querem refilmar esse clássico. Que absurdo! O que será que vão aprontar na cena da transformação? Nem com toso o CGI do mundo farão algo melhor.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s