Violência Gratuita

[rating:4.5]

Metade da sala que exibia o filme ficou vazia no meio da projeção, no Festival de Cannes, em 1997. O crítico, cineasta e blogueiro militante Carlos Reichenbach abandonou o cinema, em São Paulo, aos gritos de “nazista” – e foi seguido por uma turba de espectadores indignados. “Violência Gratuita” (Funny Games, Áustria, 1997), de Michael Haneke, é um daqueles títulos que atiça os ânimos de quem assiste, e provoca reações extremadas de amor e ódio. Nesse sentido, antes de ser submetido a qualquer análise dos méritos cinematográficos, estéticos ou artísticos, é desde já um filme bem-sucedido, pois disparou um debate incessante de idéias, o que era exatamente o objetivo do diretor.

“Violência Gratuita” choca muita gente pela abordagem irônica, quase cínica, da violência. O verdadeiro alvo do cineasta austríaco, contudo, não está na violência em si, mas na representação cinematográfica dela, cuja escalada parece não ter fim, especialmente nos filmes de Hollywood – há longas-metragens em que mais de 150 assassinatos são mostrados displicentemente. A câmera de Michael Haneke não comenta ou critica a escalada da violência na sociedade. A tarefa a que o diretor se propõe é mais sutil do que isso. O filme força o espectador a contemplar sua própria condição de consumidor passivo – e, como tal, incentivador – de verdadeiros espetáculos de sangue e tripas.

Em síntese, o enredo é muito simples. O filme mostra uma família indo passar o fim de semana em uma tranqüila casa de campo, à beira de um lago, na Áustria. Nem bem se estabelecem, pai, mãe e filho são visitados por dois jovens, Peter (Frank Giering) e Paul (Arno Frisch). Sob o pretexto de pedir emprestados alguns ovos para um vizinho, a dupla arma uma pequena confusão cuja progressão termina em seqüestro. A família é então mantida como refém, enquanto Peter e Paul resolvem “brincar” com eles (os “funny games” do título original).

Até aí, nada de novo. A partir do momento em que pai, mãe e filho são feitos reféns, entretanto, Haneke começa a mostrar seu jogo. Primeiro de forma sutil: Peter, o líder da dupla delinqüente, fala com a câmera e dá piscadelas ao espectador, lembrando-o de vez em quando que está vendo um filme e, pior do que isso, colocando-o na inusitada posição de cúmplice passivo do ato de violência. Aqui, o diretor é traiçoeiro. As brincadeiras de Peter com a câmera fazem cada membro da platéia se identificar, inconscientemente, como uma espécie de terceiro agressor.

No fundo, o nosso desconforto é causado pela posição que ocupamos na narrativa: estamos mais próximos dos delinqüentes, a quem condenamos, do que das vítimas. Além disso, os seqüestradores, convenientemente vestidos de branco (talvez uma referência aos delinqüentes juvenis de “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick; a cor simboliza, no cinema, um ideal de pureza e paz que nada tem a ver com aquelas pessoas do filme), estão encenando uma peça macabra para a qual você, espectador, comprou um ingresso. Em certo momento, Peter é direto nesse ponto (“ainda não atingimos a duração de um longa-metragem”, diz, deixando evidente saber que é o personagem de um filme).

Essa auto-consciência dos personagens do filme como seres que integram uma narrativa artificial quebra uma regra sagrada da dramaturgia, chamada no teatro de quarta parede. Em outras palavras, o cinema é voyeurismo e, ao mesmo tempo, ilusão consentida; o tem consciência de que assiste a uma ficção, mas existe um pacto tácito, não dito, entre atores e platéia, para que todos finjamos que o que se encena é a realidade. “Violência Gratuita” quebra essa regra invisível, como já fizera outro filme maldito que expõe as vísceras do cinema, o genial “A Tortura do Medo” (1960), de Michael Powell.

Outra jogada inteligente de Haneke é jamais mostrar nenhum ato violento em si; toda vez que sangue vai ser derramado, a câmera desvia o olhar, deixando a cargo de cada espectador imaginar (a partir dos ruídos, que continuamos a ouvir) o que está acontecendo. A intensidade da violência, portanto, depende da carga de imagens violentas presente na memória de cada membro da platéia. Em outras palavras: quanto mais filmes de pancadaria e assassinatos você já viu, mais brutal parecerá o ataque contra aquele trio de personagens inocentes.

À medida que o filme avança, o grau de ousadia de Michael Haneke vai aumentando; a música, inicialmente calmas melodias de autores como Mozart, passa à barulheira infernal do saxofonista experimental John Zorn. Além disso, no momento em que os delinqüentes deixam a residência, o cineasta ousa apresentar um longuíssimo take – mais de 10 minutos – com a câmera parada, sem cortes, mostrando literalmente… nada. À platéia, só é permitido ouvir. Um dos personagens, ferido, está lutando para se libertar de cordas que o amarram, para poder ver o que aconteceu com outro personagem, espancado pelos delinqüentes. Os dois personagens não se vêem, e a platéia não os vê. Apenas ouvimos os urros de dor e angústia. Por mais de 10 minutos, tempo suficiente para que a dor presenciada na tela seja quase palpável.

Como se não fosse suficiente, Haneke ainda prepara uma última brincadeira bizarra para a audiência, uma brincadeira metalingüística que deixa muita gente irritada, pois derruba radical e propositalmente mais duas regras sagradas da narrativa clássica cinematográfica: 1) Mesmo quando a narrativa é cronologicamente embaralhada, a lógica temporal é semelhante à realidade, o que significa que não se pode mudar o passado (a não ser que o filme seja sobre viagens no tempo); e 2) a punição para quem comete atos de violência pode demorar, mas quase nunca falha e é geralmente violenta, numa tradução visual do ditado “olho por olho, dente por dente”. Pois numa única e genial seqüência, Michael Haneke ousa arrebentar essas duas regras com um cinismo único.

Claro, é possível questionar a existência de algum sentido, moral ou estético, para a experiência radical promovida pelo diretor austríaco. Para algumas pessoas, a proposta de Haneke é obscena e até perversa, na medida em que obriga o espectador a contemplar sua própria cumplicidade no espetáculo de violência promovido pelos heróis anabolizados de filmes que matam e mutilam dezenas de pessoas anônimas, sem mostrar que por trás de cada uma daquelas faces ensangüentadas existe um passado, um código moral – em suma, uma vida.

Para outros, a atitude é ousada e bem-vinda, pois tira do torpor e obriga à reflexão uma platéia acostumada a assimilar os filmes – e sua lógica, muitas vezes desprovida de qualquer senso de humanidade – como sorvete, sem jamais questionar o que existe de ideologicamente repulsivo, ou pelo menos discutível, na carga de imagens que se consume diariamente.

O diretor assume essa postura e nega com veemência a acusação, repetida pelos detratores, de que faz cinema com o propósito de chocar. “Estamos habituados a ver um cinema calmante, de entretenimento, que não nos confronta com a realidade. Mas, se quisermos ver o cinema como uma forma de arte, somos obrigados a esse confronto. E isso, muitas vezes, choca o público de hoje em dia. Eu faço um filme para me confrontar, eu mesmo, com um tema que acho importante, grave. Nunca tenho a idéia de chocar”, diz ele. Em “Violência Gratuita”, conseguiu.

É curioso perceber que os responsáveis pelo título nacional do filme já o julgam seguindo a lógica dos detratores, talvez sem perceber, através do uso da palavra “gratuita”. A violência do filme de Haneke pode ser ou não gratuita, mas isso depende da maneira como você, leitor/espectador, o interpreta. A melhor atitude diante do debate que se impôs sobre ele é não seguir qualquer posicionamento antes de poder analisá-lo sob sua própria ótica. Essa é, em última instância, o conselho mais útil que se pode dar a um espectador crítico e isento: julgue o filme por si mesmo.

O filme foi lançado no Brasil em DVD em janeiro de 2000, pelo selo Cult Filmes. É bem difícil de encontrar. Não há extras, mas a cópia é boa: imagem com enquadramento preservado (wide 1.85:1) e som OK (Dolby Digital 2.0).

– Violência Gratuita (Funny Games, Áustria, 1997)
Direção: Michael Haneke
Elenco: Ulrich Muhe, Frank Giering, Arno Frisch, Susanne Lothar
Duração: 103 minutos

27 comentários em “Violência Gratuita

  1. acabei de ver o filme…

    ao ler este texto compreendi mlhr o filme.

    achei muito confuso… mas nao consigo ficar indiferente aos truques do realizador… simplesmente genial!

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  2. Muito curiosa pra assistir o filme. Acabei de ver a versão também do Haneke e achei brilhante e perturbadora, com certeza.
    Não tinha percebido todos os intuitos, mas com certeza me senti parte da história e fiquei muito impressionada. As tiradas sarcásticas dos personagens, as expressões ..

    Incrível.

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  3. Um lixo esse filme! É na verdade um insulto ao espectador. Pode ter seu crédito por dispertar FÚRIA como despertou em mim, ou asco em outras pessoas. Mas a idéia é pertubadora demais, principalmente nos dias de hoje. Se eu quiser ver “Violencia gratuita” eu simplesmente posso assistir ao Jornal Nacional.
    O filme só dá errado, desde o começo.
    Que bom que não aluguei esse lixo, peguei emprestado, porque a Violencia Gratuita nem grauita seria, seria o preço da locação mais o desgosto.
    Mas, como estamos num universo livre, assistam e sintam-se à vontade para tirar suas deduções. Afinal é isso que o diretor queria, que alguém escrevesse algo como o que eu escrevi, para intigar ainda mais a vontade de terceiros a assistir sua “obra”.

    🙂

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  4. #

    po na boa, uma porcaria o filme, mesmo com essa explicacao acima existem alguns “defeitos” que eu acho que poderiam ter sido evitados no filme:
    primeiro o cara nao investiu em nenhuma musica, (nem que seja aquela musica de suspense que da mais medo) , segundo , QUE REAÇAO FOI AQUELA dos pais quando o filho morreu???? nao choram, nao gritam, nao ficam em choque?? po O FILHO MORREU! cade a atuacao?? pra mim o filme acabou ali, a parte “interessante” foi a do controle remoto que pra mim ficou meio doida mas me acordou de novo. filme de terror ÓTIMO é o massacre da serra eletrica com otima historia , ótimos atores (atuacoes otimas), musica, etc..
    cara, o pai comeu UM PAO enquanto o filho tava morto!! que tipo de pai se preocupa em comer quando seu filho esta morto??!!os pais do menino nem ficaram chorando do lado do corpo dele! hahaha simplesmente RIDICULO! uma coisa é o assassino ser frio , outra é os pais serem frios.

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  5. Não gostei.
    Vou procurar a versao austriaca para ver se e melhor ! o cast americano ficou a desejar !
    carinhas bonitas nao sao convincentes se nao tiver talento junto

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  6. Muito bom o filme. Já os comentários feitos aqui, eu chamaria de “Baboseira gratuita”. Aliás, nem gratuito é pois eu pago o serviço de banda larga a cabo pra ter de entrar no google, escolher um site aleatoriamente e ter de ler isso sobre o filme.

    Uma pessoa que assiste um filme e a única conclusão decente que consegue tirar é um questionamento imbecil como “o porque dos pais não terem se matado praticamente junto com o filho”, não pode estar preparada para o tipo de assunto e idéias colocadas em questão. Talvez quando alguém entrar na sua casa de verão, casa normal, apartamento ou o que quer que seja e ataque você desta maneira talvez você consiga entender a reação, o choque ou a ação correta a ser tomada.

    Achei interessante a visão do diretor de fazer com que imaginássemos as mortes ao invés de presenciá-las pelas lentes, juntando os cacos , idéias e lembranças macabras que temos de mortes e asassinatos seja nos cinemas ou no deccorer de nossa vidas “reais”.

    Achei o título em português com um duplo sentido que provavelmente até mesmo quem o fez não chegou a notar tal fato. A violência gratuita no filme primeiramente parte dos donos da casa contra os jovens e é claro, que no decorrer do filme vemos quem são os dois na verdade ;.

    Violência gratuita consegue não ter início e nem um fim, pois ao pegarmos carona na viagem do autor vemos que os jovens podem estar há alguns dias praticando tais crimes e que também , pelo final do filme e não da história, não tem hora para pararem, provavelmente. Pelo menos até serem pegos, ou traídos pelas próprias brincadeiras, ou então numa continuação do filme que provavelmente não existirá, infelizmente. Nos cinemas pelo menos , não.

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  7. Realmente, eu fiquei intrigada com os pais, que não demonstraram nenhum sentimento ao ver o filho morto, e também ao pai que foi muito fraco, e logo aceitou a situação não lutou com os doidos dos garotos. Não entendi também a açãodo garoto que teve a oportunidade de fugir e não fugiu, e depois praticamente se entregou aos bandidos. Muito estranho essas coisas, acho que faltou emoção por parte dos atores.

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  8. olha estava lendo algumas opinioes tambem acabei de ler o filme e concordando e discordando porem respeitando alguns formadores de opinioes sobre o filme so que quando li a opiniao do numero 5 nao deu pra segurar a pessoa vem falar que arte MASSACRE NA SERRA ELETRICA??? e criticou o fato dos pais nao terem a reaçao de perder o filho morto, do pai comer uma pao ,ele nao percebeu que ao por o pao na boca logo ele tirou, cuspiu fora e ele tambem nao ouviu falar Em: ESTADO DE CHOQUE por isso o fato de nao ter alguma reaçaoao perder o filho aquela reaçao ja era A REAÇOAO o meu, vai assistir Masacre na Serra Eletrica vai aquilo e arte pra vc aproveita e asssite jogos mortais 123456789 que a sua cara.

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  9. Ridiculo este filme, eu assisti porque me emprestaram, e acredito que só assiste o filme quem não conhece a proposta do autor/diretor. Fico pensando como a atriz que fez o “King Kong” possa ter se prestado a fazer tal filme. Você fica irritado o tempo inteiro e é tão ruim que dá vontade de ver o final pra ver se melhora ou se tem alguma coerência no fim. Porém o filme mostrou-se incoerente do início ao fim.

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  10. Pra começar Sou viciado em Filmes! um dos meus maiores vicios e sempre querer encontrar Erros em filmes! Se tratando deste filme nem precisei procurar, esse filme é uma porcaria de 3 terceira categoria! Pimeiro erro! o erredo do filme é ruim Demais! não possui um ritmo agradaveu!
    Se vc reparar exitir varias cenas Sem logica e nem um objetivo! tem uma cena que a camera fica focalizada numa parede cerca de LONGOSSS 5 minutos! Fui analizar a cena apos a raiva passar, depois descobrir que se trata de uma mensagem subliminar,resumindo, como tiveram coragem de lançar um filme ruim desse!! vão la assistam e perdam 1hora e 45 minutos da sua vida atoa

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  11. ola pessoal sobre esse filme o que dizer! o que se refere em historia não existi, da onde sairam os 2 pisicopatas??? confeço que nos 20 minutos iniciais o filme era Fenomenal! o comentario numero 10 Fabio França! por que vc nao vai assistir Sexta Feira 13 parte 12345678910 e11
    O diretor desse filme deveria ser presso por vende droga! unica coisa interessante neste fime e a cena que aa camera fica 5 minutos parada em uma direção! pouco notaram que ali existi uma mensagem subliminar! um filme que nao tem enrredo,nao tem historia,unica coisa que tem é atores Horriveis! a turma do chaves interpreta melhor os que esse ai

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  12. Vi o filme agora, confesso que não gostei, não estou acostumada com esse tipo de filme. Mas pretendo ver de novo com mais calma.
    Que cena é essa que tem mensagem subliminar? Pra mim a camera fica parada na maioria das cenas. –‘

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  13. Amigos, os pais REAGIRAM à morte do filho. Aquilo sim foi reação. CHOQUE!!! A falta de reação, letargia, é REAÇÃO em dobro. Eles já estavam LOUCOS. O filme tinha essa intenção. ENLOUQUECER os personagens. Ao final, eles já QUERIAM morrer, pq o psicológico deles já estava TOTALMENTE afetado. Eles nunca mais voltariam ao seu estado normal. Entendem? Os assassinos seguem uma sequência de carnificina. Isso nos é mostrado desde o início e fica bem claro ao final. Então? O filme não foi feito para “gostar”, e sim “entender e pensar”.

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  14. eu gostei do filme, adoro filmes q me fazem odia-los justamente por me surpreenderem, por esperar uma coisa e aquilo naum ser como eu queria, eh como a vida, e a violencia mais proxima da realidade q eu jah vi, qd vc assiste jornal eh a msm coisa vc soh naum percebe a diferença, mt bom assistirei de novo e desta vez com meus amigos!!

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  15. Esse filme é fantástico, pois, ele realmente faz vc se sentir dentro do filme, exatamente com cúmplice.

    Agora tem muitas críticas sem fundamento nenhum aq, e uma não há a possibilidade de passar despercebida.

    Jefferson, como vc gosta de procurar erros em filmes, desafio vc a achar os erros do post 12 e 14!!!! rssssssssssss

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  16. Como disse o criador do filme, ele foi feito para oferecer um conflito de ideias que dificilmente é apresentado nos filmes atuais… pra mostrar que todos somos passivos com a violencia explicita que vemos na TV foi necessario impressionar quem assiste… o filme é EXCELENTE, e fico indignado com quem vem torra o saco de que “de onde sairam os 2 malucos” ou “fiquei 5 min olhando pra parede”… argumento fraco do tipo de publico que Haneke quis cutucar.

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  17. Jefferson: aprende a escrever meu filho!!! Pelo amor de Deus, se você gosta tanto de procurar erro em filmes, faça-o também nos seus próprios comentários… Me incomodei mais com seus erros de português do que com o filme em si… rsrs

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  18. Ainda não vi o filme, mas se abre toda esta discussão acerca da violência no cinema, é extremamente relevante. Só que desconfiei de uma coisinha logo de cara. Ao terminar de ler esta crítica, fui direto à de Bastardos Inglórios, para ver se eu estava certo. Bem, as duas críticas são antagônicas por excelência. Ou melhor, acho que se comprovam. O filme de Tarantino, famoso pela violência estilizada, dá um jeito de autorizar moralmente a violência vista no filme. Como é contra nazistas, podemos ser participantes passivos de atos de insana violência e sentir prazer nisso sem dor na consciência. Podemos até estourar crânios com um taco de basebal, e seremos moçinhos, afinal, é violência justificada. Assim, o filme de Tarantino abre uma válvula de escape moral para o nazista dentro do espectador. Reunindo as duas críticas, quem vê muitos filmes como este de Tarantino, onde há “um pelotão de soldados norte-americanos infiltrados dentro das linhas inimigas, com a singela missão de matar nazistas com o máximo possível de violência”, terá bastante material para completar a cenas que Haneke não mostra em Funny Games. Afinal, já teve participação passiva e “com sorriso de orelha a orelha”, como você escreveu, em cenas deste tipo. Chocante não? Entende-se assim por que Haneke disse que fez o filme para conftontar-se a si mesmo. É bom questionar todas essas tarantinices.

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  19. Não deu pra entender seu comentário, Alberto. Não ficou claro. A comparação entre esses dois filmes é difícil, porque são duas propostas narrativas (e dois tipos de representação da violência) completamente diferentes entre si. Ademais, a colocação sobre violência justificada não faz sentido, já que todos os filmes de Tarantino têm bastante violência e só esse tem nazistas. Abs

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  20. Não é isso, Rodrigo, não quero comparar as propostas narrativas, nem qualquer aspecto de linguagem cinematográfica, estou propondo colocar a violência do filme do Tarantino em análise de acordo com esta interpretação (muito interessante) do Violência Gratuita, que, em suas palavras, “obriga o espectador a contemplar sua própria cumplicidade no espetáculo de violência promovido pelos heróis anabolizados de filmes que matam e mutilam dezenas de pessoas anônimas”. No citado filme de Tarantino, há um arranjo moral – a vingança contra a figura do nazista – para justificar a passividade e diversão do espectador diante de toda aquela violência. Todo Tarantino é violento? bem, aí mesmo é que esta obra de Haneke tem relação com ele.

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  21. Olha, eu discordo do que você chama de arranjo moral para justificar violência. Os filmes do Tarantino nunca procuraram justificar nada, certamente não do ponto de vista moral. No que se refere à cumplicidade do espectador que Haneke critica, aí sim, concordo que permite uma análise interessante de qualquer filme que lide com a violência.

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  22. EXCELENTE filme!!!!! foi um dos poucos filmes que fez com que eu sentisse realmente dentro do filme, e o mesmo conseguiu excitar os sentimentos que o próprio filme queria. Quem não gostou do filme deve ser porque não entendeu ou viu na pressa ou não gosta de filme que geram esses tipo de sentimentos…. Enfim, uma obra única, e se destaca perfeitamente de outros filmes já criados, junto de outros é claro =D

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