Vingador Silencioso, O

[rating:4.5]

Duas mulheres conversam em um cemitério clandestino escavado no meio da neve, na pequena cidade de Snow Hill, em Utah (EUA). Uma delas acaba de enterrar o marido, morto por um cruel caçador de recompensas. Enfurecida, a mulher revela a intenção de contratar um vingador especializado em vingar viúvas, um excêntrico homem chamado Silenzio. “Eles o chamam assim porque não importa aonde ele vá, o silêncio da morte sempre o acompanha”, afirma. Com essa frase, Pauline (Vonetta McGee), a viúva enraivecida, define o sorumbático personagem principal do faroeste “O Vingador Silencioso” (Il Grande Silenzio, Itália/França, 1968).

O filme de Sergio Corbucci ganhou fama entre os fãs de western por ter sido considerado pelo especialista Christopher Frayling, biógrafo de Sergio Leone, como o melhor longa-metragem do abundante ciclo de produções italianas de faroeste entre 1960 e 1975 que não tinha a mão de Leone. O título não-oficial é merecido. “O Vingador Silencioso” transpõe os arquétipos característicos do subgênero para uma paisagem gelada, dando-lhes um tratamento original, que confere ao filme um caráter melancólico e evocativo, um clima que vai além da simples soma de elementos técnicos (som, cenários, atores) que compõem um filme.

A produção trata, como convém a um faroeste italiano, de uma saga de vingança encabeçada por um “estranho sem nome”, um pistoleiro de poucas palavras com passado misterioso e ágil no gatilho. Silenzio (Jean-Louis Trintignant), no entanto, possui uma condição que o coloca em uma dimensão diferente daquela ocupada pelo personagem imortalizado opor Clint Eastwood. Ele é mudo. Quando criança, teve a garganta cortada por um caçador de recompensas. Por isso decidiu toda a sua vida a matar quem vive desse ofício.

Silenzio chega a Snow Hill em um momento curioso. A cidade, castigada por um inverno rigoroso, encontra-se cercada por ladrões e assassinos. Vivendo nos bosques além dos limites da vila, os bandidos atraem a atenção de outro bando, formado pelos caçadores de recompensas, que montam acampamento da cidade para matá-los. Esses são liderados por Loco (Klaus Kinski), um assassino frio, traiçoeiro e sanguinário. Loco é o homem que a viúva Pauline quer ver morto. Ele e Silenzio chegam a Snow Hill na mesma carruagem, abarrotada de cadáveres de malfeitores postos por Loco para congelar em bancos de neve, à espera de transporte.

Um detalhe a mais: no mesmo veículo, chega a Snow Hill o xerife Burnett (Franco Wolff). Militar condecorado, ele acaba de ser designado para controlar a terrível situação da cidade, acalmando os ânimos entre bandidos e caçadores de recompensa. Como se vê, Corbucci prepara a ação de modo a pôr três indivíduos em rota de colisão. Mais ou menos como Leone havia feito na sua famosa “trilogia dos dólares”, e como ele próprio havia realizado no violento “Django”, dois anos antes.

A receita é parecida, mas “O Silêncio da Morte” conta com um trunfo inigualável: as maravilhosas paisagens de inverno dos montes Pirineus, que serviram de locação principal. O filme quebra a tradição do gênero, pródigo em ambientar os filmes em cidades cheias de poeira, lama e calor. Assim, Corbucci e o fotógrafo Silvano Ippoliti conseguem filmar panoramas gelados de tirar o fôlego, com imensas porções de neve branca como papel e um céu azul claro. Além disso, o contrate violento entre o branco da neve e o vermelho do sangue, nos tiroteios, serve de mote para uma série de grandes imagens. O visual de “O Vingador Silencioso” é belíssimo.

O trabalho de fotografia é realmente impressionante, pois abusa de técnicas distintas (tomadas de ângulos quase verticais, de cima para baixo ou de baixo para cima, câmera na mão em pelo menos uma seqüência) para dar ao longa-metragem um ritmo particular, lento mas jamais tedioso. Para completar, o maestro Ennio Morricone compõe um tema dramático, utilizando os corais masculinos tradicionais do western spaghetti de uma maneira bem diferente do normal. A música dá o toque fúnebre definitivo que complementa a desolação das imagens com precisão.

“O Vingador Silencioso” é um filme claramente mais ambicioso do que o normal no estilo. Isso seria de se esperar, já que Corbucci ganhou notoriedade por seguir os passos de Leone, então já consagrado como um cineasta maior. Isso fica evidente, por exemplo, nas tomadas que focalizam os rostos dos atores em close, uma característica de Sergio Leone que o xará incorporou aqui com brilhantismo (ajudado, é claro, pelos traços expressivos de Klaus Kinski, à vontade no papel do louco homicida que interpretaria tantas vezes ainda).

Mesmo assim, o diretor italiano jamais abandona suas marcas registradas, como as mãos machucadas dos pistoleiros durante os tiroteios, as cenas passadas em cemitérios toscos (como o citado acima) e as doses expressivas de violência, aqui mais espaçadas mas ainda impactantes. Além disso, demonstra um carinho maior para com seus personagens, em especial para com Pauline e Silenzio, chegando mesmo a criar uma relação sem palavras entre os dois, em cenas que denotam muita intimidade, o que é muito bom.

Para completar, Corbucci demonstra um domínio ainda maior da narrativa, inserindo na trama dois flashbacks bem colocados que conferem ao filme um novo sentido. “O Silêncio da Morte” também chama a atenção dos aficionados pelo final surpreendente, amargo e violento. Este é um daqueles finais que deixam o espectador em silêncio, ruminando os acontecimentos, impotente devido à impossibilidade de mudá-los – exatamente como na vida real. Não há dúvida de que Sir Christopher Frayling tinha razão ao analisar este filme.

O selo Ocean Pictures fez o lançamento no Brasil sem muito alarde. A edição é baseada na edição norte-americana da Image Entertainment. O disco contém o filme com boa qualidade de imagem, no enquadramento original (widescreen 1.66:1) e com em inglês e português (Dolby Digital 2.0). Interessante é que a película pode ser encontrada em DVD semelhante (excetuando-se pela trilha em português, ausente) da Classic Line, sob o nome “O Silêncio da Morte”.

– O Vingador Silencioso (Il Grande Silenzio, Itália/França, 1968)
Direção: Sergio Corbucci
Elenco: Klaus Kinski, Jean-Louis Trintignant, Vonetta McGee, Frank Wolff
Duração: 105 minutos

29 comentários em “Vingador Silencioso, O

  1. eu quero o filme o vingador silencioso com o final feliz sem ser no extras mais sim no filme normal tem alguma produtora que fez assim ou não?se tiver me diz?
    o site tambem

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  2. valeu e o brigado por ter corrigido e eu acho engraçado e que meu pai nem meu irmão entende de filmes ai eu boto o final tragico para o meu pai e o feliz para meu irmão ai os dois ficam brigando assim:o final do filme e tragico diz meu pai ai meu irmão fala e não e feliz bota o filme para ver ai eu digo que emprestei o fime kkkk entendeu?

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  3. ei por favor me responde uma pergunta, se nos filmes da ocean pictures nos extras sempre tem assim o:
    cartaz original
    um clipe
    outos titulos ocean
    certo.como e que em o vingador silencioso vai ter o final alternativo aonde?e no lugar de que?
    ……

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  4. ei cara eu tenho o dvd de o vingador silencioso mas não tem o final alternativo nele no extra tem assim o:clipe,trailer,sinopse, e outros titulos por favor me diz tu ja assistisi o final alternativo de 6 minutos? se tu ja assistiu me diz aonde que eu quero assistir tambem blz

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  5. eu de novo depois de tanto tempo volteiiiii
    eu fiz uma edição do dvd de o vingador silencioso com o final feliz ficou muito maneiro velho serio mesmo cara ,eu sou um genio que final feliz otimo visse
    XAU

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  6. meu top 10 em western spaghetti:
    1:DJANGO
    2:The Great Silence
    3:Il Mercenario
    4:Companeros
    5:Navajo Joe
    6:Os Crueis
    7:The specialist
    8:Minnesota Clay
    9:Ringo and his Golden Pistol
    10:Il Bianco,Il Gialo e Il Nero
    TODOS SÃO DE SERGIO CORBUCCI
    ODEIO SERGIO LEONE OS FILMES DELE SÃO LONGOS POR EXEMPLO:3 HORAS DE FILME 2 HORAS E SO PARADO SEM ACONTECER NADA E TOCANDO UMA MUSICA

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  7. jlpn vc diz q não gosta de sergio leone mas provavelmente está falando de era uma vez no oeste ou três homens em conflito, Por um Punhado de Dolares é muito agitado e violento e Por uns Dolares a Mais não é tão agitado quando o primeiro mais ainda é muito! Os Filmes de Sergio Leone, Por um Punhado de Dolares e Por uns Dolares a Mais são bem melhores do que todos os filmes de Corbucci que tbm são muito bons.

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