Rota da Morte

[rating:2]

O escritor Stephen King tem um conto, publicado no livro “Tripulação de Esqueletos”, sobre uma mulher fanática por atalhos que acaba se perdendo em um deles. Ela entra numa estrada que não existe nos mapas e acaba desembocando, ao que parece, em uma espécie de realidade alternativa. O enredo é muito parecido com a história básica de “Rota da Morte” (Dead End, França/EUA, 2003), um filme que daria um ótimo episódio da série televisiva “Além da Imaginação”, se não apelasse tanto para estereótipos manjados das narrativas de terror.

“Rota da Morte” saiu da cabeça de uma dupla de cineastas franceses, e portanto é uma produção basicamente européia. No afã de conseguir distribuição internacional, entretanto, Jean-Baptiste Andrea e Fabrice Canepa escalaram um elenco de atores do terceiro escalão de Hollywood. Como eles interpretam uma família de gente chata, isso prejudica bastante o filme, que acaba ficando longo demais.

Nenhum membro do elenco merece uma menção honrosa, a começar pelo veterano Ray Wise, protagonista do filme e possível detentor do prêmio de pior interpretação dos últimos anos. Seu Frank Harrington é tão chato, irritante e detestável que quase torcemos para que ele seja assassinado pelo misterioso assassino que age durante o filme.

O filme é ambientado na noite de Natal. Frank dirige o carro com a família para passar a noite festival na casa de parentes. Com sono, entre entra num atalho que corta um bosque para tentar chegar mais rápido ao destino. O esquisitíssimo atalho, porém, parece nunca acabar. Todas as placas apontam para uma cidade, Marcott, que não está no mapa e nunca chega, apesar de a família passar a noite inteira dirigindo. Mas isso não é nem o começo dos problemas de Frank, do filho caçula (um aborrecente típico), da filha estudiosa (enjoada e sem graça), da esposa (meio pirada) e do namorado da filha (um bobão).

Logo no início do atalho, a visão de uma mulher vestida de branco, carregando um bebê, faz Frank parar o carro. A esta visão, soma-se outra: um luxuoso carro negro sem motorista, que parece ser o único veículo a trafegar por aquela estrada e que sempre aparece antes que algum dos membros da família seja assassinado.

Até aí, ponto para o roteiro. Afinal, essas duas imagens fazem parte do inconsciente coletivo da humanidade; são arquétipos da narrativa de terror. Qual a criança que nunca ouviu uma história de assombração em que apareçam imagens parecidas? Elas são universais. Que o diga, por exemplo, o cineasta italiano Dario Argento, que usou com maestria a visão de uma mulher de branco correndo na floresta para criar uma das seqüências mais assustadoras e sublimes do clássico “Suspiria”.

Aí começam os problemas. E o maior deles vem da direção, não do roteiro: Andrea e Canepa simplesmente não sabem como introduzir na história, de forma coerente e impactante, essas imagens de medo infantil. A mulher de branco, por exemplo, aparece pela primeira vez como um personagem comum; entra no carro e pega uma carona normalmente, o que retira totalmente o medo que uma personagem tão enigmática poderia causar na platéia.

O desenvolvimento do enredo, na verdade, lembra bastante o recente thriller “Identidade”, incluindo um final-surpresa muito parecido com os minutos finais do longa-metragem de James Mangold. Ocorre que Mangold é um cineasta de qualidade muito mais apurada, e por isso fez, com uma idéia bem parecida, um filme correto. Já a dupla francesa deixou muito a desejar no desenvolvimento dos personagens – todos são chatinhos e superficiais – e na apresentação visual das boas idéias do roteiro. Por isso, o filme nunca decola. Para completar, é longo demais. Se fosse apenas um episódio de série de TV, estaria bom demais.

O DVD de “Rota da Morte” foi lançado no Brasil pela Europa Filmes, e não tem nenhum material extra.

– Rota da Morte (Dead End, França/EUA, 2003)
Direção: Jean-Baptiste Andrea e Fabrice Canepa
Elenco: Ray Wise, Lin Shaye, Mick Cain, Alexandra Holden
Duração: 85 minutos

5 comentários em “Rota da Morte

  1. O filme é excelente, não é atoa que é ganhador de varios prémios .

    E o final é supreendente vale apena assistir,.
    Se houver criticas negativas é porque não é apreciador de filmes de terror e suspense.

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  2. amei o filme ! muitoo bom,mas eu não entendi o final…a mulher de branco perseguia eles e no final ela diz pra garota “agora é minha vez”,sei lá o q… nisso ela acorda no hospital e fica claro que toda a família morreu no acidente de carro ond matou tmb a mulher com o bebê.nisso ela é a única sobrevivente q na verdade a placa seria ela à caminho da médica MARCOOT (no estado de coma) ! e no final aparece aquele cara dizendo ser um COLECIONADOR ! mas DO QUE ? DE ALMAS ? e nisso aparece o papel que o pai e a filha fizeram…(isso na vida real) então AQUILO NÃO FOI SONHO ? O FILME É BOM PORÉM É CONFUSO ! E O CARA ERA O QUE ? COLECIONADOR ?
    se alguém souberr comentaa pq eu queria entender este final !

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  3. Entendi que aconteceu dessa forma que o filme mostrou mas aquele homem do carro preto que se diz repórter no final e aquele mulher com o suposto bebê morto forjaram o acidente para que a policia não fosse pega-los por isso que os homens que estavam limpando a estrada acharam o papel que o pai dela escreveu. Bom foi isso que me deu a entender é o mais lógico. Gostei do filme mas esperava muito mais dela. Nota 7 na minha opinião.

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  4. bom filme, ele retrata muito bem o clásico terror dos anos 80, a mulher de branco na estrada veio concerteza da lenda da noiva fantasma que é uma lenda urbana muito comum, da pra perceber que o filme é de baixo orçamento pois as duas pessoa que morreram com algum tipo de ácido no corpo n foi mostrado o corpo provavelmente por falta de dinheiro paras as maquiagens adequadras, o filme deixa você agoniado a partir do momento que aparece o carro preto pela primeira vez pois dai pra frente surgi um mistério “de quem séria o carro, quem estaria dirigindou e por que estaria fazendo isso?”, um dos pontos negativos é o simplis fato de que o filme se passa basicamente apenas dentro de um carro e isso faz com que não se possa ter muitos cenários de terror a não ser a floresta assustadora que nunca acaba kk, mais de qualquer forma o filme tem um enredo muito bom e sem duvida trouxe de volta o clãssico terro dos anos 80 que até agora foi o melhor de todos na minha opinião, é realmente uma pena que esse filme não tenha tipo um grande destaque….

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