Jurassic Park III

[rating:3]

Receita para fazer um filme infalível nas bilheterias: um herói que une medo e audácia em doses iguais, um jovem aprendiz ambicioso porém altruísta, um adolescente inteligente com pais que brigam sem parar, meia dúzia de monstrengos digitais assustadores e muito barulho. “Jurassic Park III” (idem, EUA, 2001, 88) segue direitinho a cartilha da indústria cinematográfica. O resultado lembra o feijão com arroz das nossas mães: você já comeu antes muitas vezes, mas nem por isso deixa de ser gostoso.

Para criar a segunda continuação do arrasa-quarteirão “Parque dos Dinossauros”, um marco do avanço da computação gráfica no cinema americano, Steven Spielberg preferiu não sujar as mãos. Assina o filme apenas como produtor executivo e sequer pôs os pés nos sets de filmagem, preocupado que estava com a finalização de “A.I. – Inteligência Artificial”. O comando foi passado para Joe Johnston (que já fez aventuras razoáveis, como “Querida, Encolhi as Crianças” e “Jumanji”). O autor do livro original, Michael Crichton, também tirou o corpo fora.

Johnston merece alguns elogios: fez um filme mais interessante do que “O Mundo Perdido”, primeira e decepcionante continuação do arrasa-quarteirão original, que tinha as assinaturas de Spielberg e Crichton. “Jurassic Park III” também possui criaturas digitais de uma perfeição deslumbrante. Curiosamente, o primeiro problema vem daí – dinossauros não são mais nenhuma novidade, depois de vários filmes e até uma série da BBC dedicados ao tema.

Para atrair o espectador ao cinema, portanto, Johnston teve que apelar. O temível Tiranossaurus Rex já tinha virado arroz-de-festa e ele precisava de uma ameaça maior e mais barulhenta, capaz de fazer cair o queixo das crianças (novas e velhas) da platéia. A solução foi pedir ao diretor de criação, o genial Stan Winston (diretor da Industrial Light & Magic e um dos técnicos de efeitos especiais mais respeitados do planeta), que criasse um bicho maior e mais perigoso do que o T-Rex.

Winston apelou para o legendário Gozdilla. Bem, não foi exatamente assim. Pelo menos na teoria. O técnico pesquisou e descobriu que houve um animal, chamado espinossauro, que viveu alguns milhões de anos antes do T-Rex. Desse bicho, no entanto, os paleontólogos só conseguiram encontrar um fóssil, destruído pelos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Ninguém sabe exatamente como ele era, mas a descrição impressiona: um crânio de 2,5 metros de comprimento, altura aproximada de 18 metros. Para recriá-lo, a inspiração visual óbvia foi o lagarto atômico japonês que todos conhecemos.

O espinossauro é o verdadeiro protagonista do filme e aparece logo no início, se atracando com um T-Rex e engolindo o coitado sob o olhar apavorado de um grupo de sortudos que acabara de pousar na ilha: o paleontólogo Alan Grant (Sam Neill, com uma indisfaçável cara de tédio), um ajudante, dois seguranças e um casal de classe média que se fingem de milionários (Téa Leoni e William H. Macy, ambos no piloto automático) para procurar o filho, perdido na ilha após um pouso mal sucedido de pára-quedas.

O confronto entre tiranossauro e espinossauro é emblemático e tem a função de justificar a existência do filme (se não houvesse uma ameaça maior e mais forte do que o T-Rex, o público americano não iria perder tempo indo ao cinema). O diretor Joe Johnston segue direitinho o manual de operário-padrão de Hollywood e cria boas seqüências de ação na floresta, no ar e na água, num filme curto e eficiente. A reclamação fica por conta do som, que, como o habitual nesse tipo de filme, beira a histeria – sutileza zero. Enfim, nada em Jurassic Park III é novidade, mas o filme diverte. E o DVD, com documentário de bastidores, comentário em áudio dos produtores de efeitos especiais e visitas guiadas aos estúdios da Industrial Light & Magic e ao QG do mago Stan Winston, vale a pena.

– Jurassic Park 3 (idem, EUA, 2001)
Direção: Joe Johnston
Elenco: Sam Neill, Téa Leoni, William H. Macy
Duração: 91 minutos

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3 comentários em “Jurassic Park III

  1. Discordo que esta terceira parte seja superior à segunda. Acho a segunda mais interessante, e ela tem muito mais razão de existir. Em O Mundo Perdido, imagino que Spielberg sabia que não igualaria o feito do primeiro filme e resolveu tentar algo diferente, usar uma nova abordagem, mais sombria, mas mantendo uma certa lógica com o primeiro filme. Já neste terceiro filme, as coisas parecem gratuitas. Há dinossauros que só aparecerem por alguns momentos, sem maiores razões. O filme é barulhento, e a trilha sonora só é boa em função dos excelentes temas que John Williams criou para o primeiro filme. Além disso, não temos nenhuma discussão sobre ciência, sobre certo e errado, coisa que vemos nos dois anteriores. Claro, concordo que como filme de aventura, Jurassic Park III funciona, e tem seus momentos empolgantes: estes, para mim, são aqueles que remetem ao primeiro filme. Mas, apesar de tudo, e mesmo sendo muito fã do primeiro filme, acho que a série deveria ter parado com O Mundo Perdido.

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  2. Odiei esse filme. E se não tivesem trocado o T.Rex o filme teria sido melhor. odos queriam ver o t.rex, o problema é q o diota desse q escolheu o espino só pelas medidas. E isto criou uma colônia de noobs qe acha q o espino realmente vencia o t.rex, sendo q era o contrário. Esse filme me decepicionou. Odeio esse filme, e falei e falo denovo, odeio esse filme!

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